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Perfil de Personagem – Kate Novembro 23, 2009

Posted by Allana in Hunter HS, Perfis.
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Projeto “Hunter High School” – Mais novidades depois. :)

Nome: Cateryn Beckett, usando o nome de Katherine Carter atualmente

Apelido: Kate é como prefere ser chamada

Idade: 18 anos no início da história

Data de Nascimento: 22/11/1990

Tipo Sangüíneo: O-

Signo: Sagitário

Gosta: nos últimos anos, adquiriu certo gosto pela leitura, principalmente de terror. Seus escritores preferidos são Stephen King, Edgar A. Poe (embora ela sofra um pouco para ler alguns dos poemas) e Anne Rice. Lê quadrinhos com certa freqüência, embora de maneira bem mais espaçada (o dinheiro ralo não permite; a maioria dos livros que leu foram emprestados de bibliotecas públicas). Treina kung-fu com seu mentor, Gregory, e embora seja iniciante, é dedicada. Gosta de conhecer pessoas e conversar com elas, desde que o assunto não seja ela mesma. Gosta também de ajudar os outros, seja apenas ouvindo seus problemas, ou fazendo algo mais – ocupar-se com os problemas de outros a faz esquecer-se dos seus.

Desgosta: recentemente, vem detestando a escola e tudo o que ela representa. Ser obrigada a freqüentar o colegial depois de anos afastada do ambiente escolar a faz lembrar de uma vida antes do incidente, uma vida que já não consegue mais ter. Não gosta de falar sobre si mesma – as pessoas sempre perguntam demais, e falar de si a faz relembrar que seus problemas existem. Fica extremamente incomodada quando vê alguém triste ou passando por dificuldades de algum modo; a noção de que coisas espreitam na escuridão a torna protetora em relação aos que, por algum motivo, não sabem do sobrenatural. De certo modo, ela os inveja – a perda de seus pais deixou marcas que vão além daquelas do seu braço.

Aparência: qualquer um diria que Kate parece uma atriz de filmes adolescentes, e não estaria mentindo. O corpo esculpido pelos constantes treinamentos de kung-fu, aliado a um rosto bonito e um sorriso que aprendeu a usar para convencer as pessoas contribuem para isso. Tem 1,70 m (sempre praticou esportes, mesmo durante o ginásio, quando era líder de torcida), 62 kg, cabelos castanhos e na altura das espáduas. Seus olhos são castanhos claros, e possui uma longa e profunda cicatriz no antebraço esquerdo.

Como se veste: no dia-a-dia prefere calças jeans, por serem resistentes e confortáveis, além de destacarem seu corpo quando é conveniente. Usa casacos e jaquetas quando está mais frio, por cima de camisetas e blusas de malha ou algodão.  Para sair em boates, prefere vestidos com um caimento mais leve, que não a impeçam de dançar. Não gosta muito de sapatos de salto, mas não vê problema em usá-los quando a ocasião pede – embora isso não tenha acontecido em alguns bons anos. Para uso diário, prefere tênis; para caçadas, tênis ou coturnos – o que estiver mais fácil de encontrar na hora de sair.  Quando está em casa, prefere usar roupas largas e folgadas. Kate sempre usa algum tipo de faixa no braço esquerdo para cobrir as cicatrizes que carrega.

Cores preferidas: vermelho, preto e azul escuro.

Prato Preferido: churrasco.

Personalidade: Kate é bastante sociável, e rapidamente costuma se enturmar em qualquer ambiente. Gosta de ajudar quem está ao seu alcance, por assim estar se preocupando com alguém. Entretanto, fica facilmente irritada quando vê ou passa por alguma situação que a incomode, e quando guarda rancores por muito tempo, costuma estourar sua raiva sem medir muito bem com quem ou a situação.

Histórico: Cateryn tinha 14 anos quando despertou para o fato de que havia monstros na escuridão. Era o natal de 2004. Morava numa cidade pequena do Texas com seus pais, e depois que todos os parentes foram embora, ela falava com o namorado no telefone. Ouviu um barulho pela casa e achando que era seus pais, foi colocar o telefone no lugar. Entretanto, viu que alguém entrou pela porta dos fundos e assustada, gritou. Seu gritou acordou seus pais que saíram do quarto e antes que pudesse fazer qualquer coisa, a criatura os atacou, matando-os. Encurralada, a garota foi salva por Gregory, que estava investigando os assassinatos que vinham sendo cometidos pela criatura. O estranho ser fugiu, deixando o antebraço esquerdo da jovem com as marcas de suas garras longas e pustulentas. Depois disso, Cateryn foi morar com os tios, mas além de não se sentir em casa, não se sentia segura. Tinha sonhos terríveis e incapaz de encarar a vida com a mesma postura de antes, procurou Gregory. Depois de convencê-lo a duras penas, fugiu de casa na noite anterior ao ano novo, e passou a viajar com ele. Indiretamente lidou com os mais diversos monstros sobrenaturais: Gregory nunca a deixou envolver-se diretamente em nenhum caso, mas ensinava “o suficiente para mantê-la segura”. Passou os quatro anos seguintes viajando por aí, lendo livros emprestados na biblioteca e estudando os assuntos equivalentes às séries que deveria estar freqüentando na escola. Em 2009, Gregory decidiu assentar-se numa cidade pequena, para que Cateryn pudesse terminar o colegial e se preparar para entrar numa faculdade. Ela não aceitou de bom grado, mas não vai jogar pela janela o esforço que seu “mentor” vem fazendo.

Quando a Luz vacila na Escuridão Setembro 28, 2009

Posted by Allana in Horror, RPG.
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Kate Empty SketchO despertador tocava. Pela terceira vez. Precisava acordar. Ir à escola. Prometera a Greg. E as aparências. Precisavam ser mantidas.

Não tinha vontade. Olhar para aquelas caras insossas, aquelas pessoas que não sabiam de nada. A sala inteira, o time inteiro. Ah, o time. Terça-feira? Tinha treino hoje, droga. Cheerleading. Não agüentava mais a Jennyfer. Nem aquelas outras que a seguiam como uma ninhada de patos. Quack quack. Katherine deixara aqueles dias para trás há muito.

Por uns dias, achou que poderia voltar àquela vida. Ou quase. Sabia que coisas espreitavam às escuras. Conhecia a verdade, ou parte dela. Mas quando chegou naquela cidadezinha, quando voltou à escola, quando se inscreveu para os testes, chegou quase a acreditar que aquela poderia ser a sua vida. Estudar. Faculdade. E tomar cuidado quando saísse por aí.

E veio aquele… espírito. Aquela fantasma atormentada. O fantasma de uma líder de torcida, pode? Kate estranhou, Greg não estava na cidade. Foi o seu primeiro trabalho. E aquela criatura, aquela coisa arruinou a vida de tanta gente… quantos não morreram? Quantos ela não deixou morrer para fazer alguma coisa?

Ela chorou, por uma semana ou mais. Revia Eric morrer, e ela inerte, impotente, entorpecida. Mas ela salvou pessoas. A própria Jennyfer, que nunca vai saber disso. O jogador de futebol; como era o nome dele mesmo? Ele estava bem agora. Ela ajudou alguém, no final das contas. Doeu, mas conseguiu superar. Greg estava lá. Imaginava o que ele não teria visto, quantos não teriam morrido diante dele.

Kate poderia ter morrido se ele não tivesse chegado à tempo, anos antes. Quantos anos? Parecia algo tão distante agora…

Ele a ajudou. Ele a levou para investigar os casos de pessoas que estavam brigando e se matando por motivos banais. Ela descobriu a boate. E lá conheceu aquele demônio.

Linda. Linda, sensual e provocante. A DJ da boate parecia ter sido desenhada por um Milo Manara. Kate nunca pensara na possibilidade, mas vê-la ali, tão dedicada, apaixonada e estonteante não a fez pensar duas vezes. E ela percebera seu olhar.

No dia seguinte, entraram no lugar. Kate e Greg, disfarçados, fizeram uma sondagem. E à noite, Kate voltara. E se deixou levar para o quarto. Era uma súcubo – e o exorcismo tinha que ser perfeito. Nada podia dar errado.

Mas deu. Ela era poderosa, e resistiu. Resistiu do jeito que poderia fazer: fazendo-a sentir um prazer forte, intenso, agudo, dolorosamente bom, e indescritível. Com um olhar. Apenas com as intenções que sua essência infernal trouxe à terra.

Naquela noite, Kate matou alguém. Era a sacerdotisa, quem trouxera aquela criatura das profundezas. Não a consolava pensar que era necessário. Ela matou alguém. Apontou a arma, puxou o gatilho e viu a mulher cair no chão. Mas não foi o que mais lamentou aquela noite.

Fez o exorcismo. Deixou-a ir embora. Fez com que ela fosse embora, de volta para o inferno, talvez. Mas desejou aquela sensação, aquele prazer pecaminoso uma vez mais. Mais. Queria mais, e de novo, e mais, e cada vez mais. Aquela intensidade, as ondas reverberando pelo seu corpo jovem e rijo e tenso. Desde aquela noite, era a única coisa que desejava.

E buscou, e buscava, e busca. Continua procurando. Apenas uma casca vazia, era como se sentia. E de que adiantava viver assim? Nada era interessante. Nada dava vontade. Bebeu, transou com tantos naquelas semanas que não podia nem contar. Contar. Contar a quem? Quem a entenderia? Não podia. E ainda buscava.

O despertador tocou. Pela quarta vez. Ou quinta? Não conseguia contar. Não podia contar. A ninguém. Olhou pela janela: o sol iluminava e esquentava seu quarto. Não tinha vontade de ir. Mas precisava. Encher a cabeça. A cabeça com conversas inúteis, planos inúteis, assuntos inúteis, pessoas inúteis. Nenhuma delas a preenchia. Nenhuma delas lhe servia.

Odiaria cada minuto daquele dia. Odiaria a si, àquele vazio, a si. Relutante, desligou o despertador e se levantou.

Texto que escrevi para uma personagem de Hunter: The Vigil. E para comemorar os dois anos de um blog quase abandonado.

O despertador tocava. Pela terceira vez. Precisava acordar. Ir à escola. Prometera a Greg. E as aparências. Precisavam ser mantidas.

Não tinha vontade. Olhar para aquelas caras insossas, aquelas pessoas que não sabiam de nada. A sala inteira, o time inteiro. Ah, o time. Terça-feira? Tinha treino hoje, droga. Cheerleading. Não agüentava mais a Jennyfer. Nem aquelas outras que a seguiam como uma ninhada de patos. Quack quack. Katherine deixara aqueles dias para trás há muito.

Por uns dias, achou que poderia voltar àquela vida. Ou quase. Sabia que coisas espreitavam às escuras. Conhecia a verdade, ou parte dela. Mas quando chegou naquela cidadezinha, quando voltou à escola, quando se inscreveu para os testes, chegou quase a acreditar que aquela poderia ser a sua vida. Estudar. Faculdade. E tomar cuidado quando saísse por aí.

E veio aquele… espírito. Aquela fantasma atormentada. O fantasma de uma líder de torcida, pode? Kate estranhou, Greg não estava na cidade. Foi o seu primeiro trabalho. E aquela criatura, aquela coisa arruinou a vida de tanta gente… quantos não morreram? Quantos ela não deixou morrer para fazer alguma coisa?

Ela chorou, por uma semana ou mais. Revia Eric morrer, e ela inerte, impotente, entorpecida. Mas ela salvou pessoas. A própria Jennyfer, que nunca vai saber disso. O jogador de futebol; como era o nome dele mesmo? Ele estava bem agora. Ela ajudou alguém, no final das contas. Doeu, mas conseguiu superar. Greg estava lá. Imaginava o que ele não teria visto, quantos não teriam morrido diante dele.

Kate poderia ter morrido se ele não tivesse chegado à tempo, anos antes. Quantos anos? Parecia algo tão distante agora…

Ele a ajudou. Ele a levou para investigar os casos de pessoas que estavam brigando e se matando por motivos banais. Ela descobriu a boate. E lá conheceu aquele demônio.

Linda. Linda, sensual e provocante. A DJ da boate parecia ter sido desenhada por um Milo Manara. Kate nunca pensara na possibilidade, mas vê-la ali, tão dedicada, apaixonada e estonteante não a fez pensar duas vezes. E ela percebera seu olhar.

No dia seguinte, entraram no lugar. Kate e Greg, disfarçados, fizeram uma sondagem. E à noite, Kate voltara. E se deixou levar para o quarto. Era uma súcubo – e o exorcismo tinha que ser perfeito. Nada podia dar errado.

Mas deu. Ela era poderosa, e resistiu. Resistiu do jeito que poderia fazer: fazendo-a sentir um prazer forte, intenso, agudo, dolorosamente bom, e indescritível. Com um olhar. Apenas com as intenções que sua essência infernal trouxe à terra.

Naquela noite, Kate matou alguém. Era a sacerdotisa, quem trouxera aquela criatura das profundezas. Não a consolava pensar que era necessário. Ela matou alguém. Apontou a arma, puxou o gatilho e viu a mulher cair no chão. Mas não foi o que mais lamentou aquela noite.

Fez o exorcismo. Deixou-a ir embora. Fez com que ela fosse embora, de volta para o inferno, talvez. Mas desejou aquela sensação, aquele prazer pecaminoso uma vez mais. Mais. Queria mais, e de novo, e mais, e cada vez mais. Aquela intensidade, as ondas reverberando pelo seu corpo jovem e rijo e tenso. Desde aquela noite, era a única coisa que desejava.

E buscou, e buscava, e busca. Continua procurando. Apenas uma casca vazia, era como se sentia. E de que adiantava viver assim? Nada era interessante. Nada dava vontade. Bebeu, transou com tantos naquelas semanas que não podia nem contar. Contar. Contar a quem? Quem a entenderia? Não podia. E ainda buscava.

O despertador tocou. Pela quarta vez. Ou quinta? Não conseguia contar. Olhou pela janela: o sol iluminava e esquentava seu quarto. Não tinha vontade de ir. Mas precisava. Encher a cabeça. A cabeça com conversas inúteis, planos inúteis, assuntos inúteis, pessoas inúteis. Nenhuma delas a preenchia. Nenhuma delas lhe servia.

Odiaria cada minuto daquele dia. Odiaria a si, àquele vazio, a si. Relutante, desligou o despertador e se levantou.

Monólogo Abril 15, 2009

Posted by Allana in Desenhos, Horror, Mago, RPG.
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nicole-sketch

Eu não sou melhor que ninguém.

Ver o corpo cair mudo na cama me fez perceber que eu não sou melhor que ninguém. Não sou melhor que meu pai, a quem tanto censurei em pensamento, por ser um líder do crimoe organizado – que hipócrita eu sou. De onde vinha, então, o dinheiro que sustentava minhas viagens à Europa? Definitivamente, eu não sou melhor que Don Giorgio. Caspita, eu não sou melhor nem que meus irmãos, que tão ferrenhamente seguiam os passos de meu pai. Ao menos eles não fechavam os olhos para o que realmente acontecia.

“Valorizar a vida, por saber o que há depois dela”. Mentira! Uma baboseira da qual eu tentava me convencer para conviver com a culpa que eu carrego. Uma auto-enganação, para que assim eu possa dormir à noite sem que meus pesadelos pulem na minha garganta. Mentira pura, falso escrúpulo. Eu não tenho sequer princípios. Eu matei um homem – e gostei disso.

Mas este homem, que agora não passa de matéria inerte, este homem foi o responsável por toda a desgraça que se abateu sobre a Família. Sobre a minha família. Um informante, Fellipo. E agora estava morto. E isso não me trará paz, mas me trouxe… prazer. Temporário, efêmero, tanto quanto a vida, mas ainda assim prazer. Há quanto tempo eu não fazia algo com tanta gana, tanta vontade…? Alguém para culpar, alguém para odiar por tudo o que estava acontecendo. Ele era o responsável pela morte do meu irmão, pela minha quase loucura. Quase? Alguém podia dizer que eu não já estou louca de fato?

Minhas mãos tremem, e eu tenho vontade de chorar. Talvez eu esteja louca de fato, talvez fosse melhor parar. Sair dali, fugir. Para onde eu não sei, não faço ideia. Para a minha família, eles cuidariam de mim, eles se importam comigo.  Que dizer ao meu pai, quando sair desse quartinho bolorento? Que ele está morto, que eu não vou mais ser assombrada, que eu o matei com a minha magia? O que ele vai pensar quando vislumbrar aquele corpo envelhecido, a pele quase solta nos ossos, a expressão de dor e pavor, os cabelos tão grisalhos? Veneno. Um novo tipo de veneno, eu direi, que envelhece o corpo da vítima. E a faz sofrer.

E ele sofreu, e gritou – Bruxa! Bruxa! – e continuou gritando de dor. Eu vi o medo, o pavor nos seus olhos, e eu gostei daquilo. As sombras, a sua própria sombra o caçava, o buscava, o tocava, distribuindo pelo seu tao frágil corpo os calafrios gélidos que lhe tiravam a vida.

Vida. A vida é supervalorizada. Eu estive do outro lado, e sei o que há. E não é nada de terrível. Do Outro Lado, a vida não importa, seus desejos não importam, seus afazeres de nada valem. Seus objetivos não passam de memórias de um mundo distante. A vida é apenas matéria inerte.

Tudo é matéria, afinal. Eu também serei. Todos serão.

Eu matei um homem. E Deus me perdoe, mas eu quero fazer isso de novo.

Essa é uma peça de ficção. Nicole é uma personagem de RPG em um jogo de Mage – The Awakening, com domínio sobre a esfera de Morte. Outras estórias dela apareceram aqui no blog, como vocês podem ver nos posts anteriores, mas para um esclarecimento rápido, Nicole é filha de um mafioso de Chicago, e há alguns meses seus irmãos foram atacados enquanto faziam um serviço para o pai. O mais velho morreu, e agora a assombra procurando por vingança contra o responsável pelo acontecido.

Destiny Março 12, 2009

Posted by Allana in Fantasia, RPG.
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As escamas avermelhadas brilhavam à luz bruxuleante das tochas do salão. O templo, dedicado a Bahamut, era sempre iluminado, mesmo que não houvesse ninguém presente. O draconato em vestes cerimoniais dirigia-lhe um olhar grave e austero, como faria com qualquer devoto que lhe procurasse. Isso não incomodaria Sonja se não fosse por um detalhe: ele era seu pai.

- Você sabe que precisa fazer isso, Sonja.

- E por que eu devo ir à terra dos humanos? Eu sou uma guerreira, não uma diplomata.

- Está questionando os meus desígnios, Sonja? Os desígnios de Bahamut?

- Não, sacerdote.  – as palavras saíam-lhe à contragosto. Sabia que boa parte dos “desígnios divinos” vem da vontade daqueles que professam a religião. E sabia o que estava por trás das intenções de seu pai: ele a queria longe, convivendo com os humanos. E por quê?

- Ótimo. Então prepare suas armas, pois sua viagem começa amanhã, antes mesmo que a aurora desponte.

- E o que devo procurar entre eles?

Afastando-se do altar consagrado ao grande deus dragão, o sacerdote olhou-a com uma expressão que Sonja não pode identificar. Compaixão? Seria ele capaz disso? Com um andar solene, quase ritualístico, o draconato aproximou-se da filha.

- Algo grande está prestes a acontecer, Sonja. As visões são incertas, difusas e imprecisas, mas não são boas. E acredite ou não, eu vi você em meus sonhos.

Aquilo alarmou a draconata – os desígnios muitas vezes eram manipulados, mas Sonja já presenciara enquanto alguns descendentes de dragões tinham visões de fatos futuros. Ela engoliu em seco, encarando o pai.

- E no seu sonho, eu morro?

A ausência de palavras bastou para responder a pergunta. Instantes de silêncio se passaram, embora a guerreira não pudesse precisar quanto tempo exatamente. Mas por que deveria se alarmar? Não seria a morte o destino de todas as criaturas, afinal?

- Eu estava em batalha?

- Sim. – a voz poderosa ecoava pelo salão vazio.

- E você está me mandando para a terra dos humanos, para me poupar de tal destino?

- Você não entende, criança insolente. Acredite: é o melhor para você.

- E se eu não for?

- Se não for por vontade própria, eu a exilarei do nosso povo. É o que quer? Deixar os seus desonrada, sem valor? Agora obedeça-me e vá preparar seus pertences para a viagem. Haverá um banquete de despedida.

A guerreira deixou o salão, irritada e impotente. Até compreendia seu pai, mas se algo tão grande e perigoso era iminente de acontecer ao seu povo, ela preferia estar entre os seus e morrer entre eles. Mas não tinha escolha agora.

Enquanto isso, o sacerdote via a filha afastar-se, desaparecendo de sua visão. Nem em séculos ela seria capaz de compreendê-lo, mas seria melhor assim. O poderoso deus dragão o alertou, e ele não recusaria seus conselhos. Mal sabiam os dois que haviam desencandeado os fatos que culminariam no destino final da draconata: a fortaleza do Pendor das Sombras.

Finding yourself out Janeiro 19, 2009

Posted by Allana in Arton, Desenhos, Fantasia, RPG, Retalhos.
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Keriann - hair

Descansar, mesmo que fosse em uma cabana simplória numa noite fria, era muito reconfortante. Keriann sentia as pernas cansadas da viagem, e os ferimentos causados pelo combate inusitado da noite. Deitada no saco de dormir, olhava para sua mão direita, encarando a cicatriz profunda deixada pela adaga de Leona. A seus pés, Summer fechava os olhos, como se compartilhasse a inquietação da arqueira.

Mas não era a luta o que lhe atormentava aquela noite – no final das contas, encontrar Gawden, o ancião do vilarejo, foi até providencial. E os sortilégios curativos que ele performara foram o bastante para aplacar a dor física. O que inquietava sua cabeça, impedindo-a de dormir, eram as palavras ferinas do bardo: “uma cadelinha sem pensamentos próprios que o obedecia sem hesitar”.

Por mais que a ideia a incomodasse, aquela foi a única verdade que Adrian proferira durante toda a noite. Keriann sempre escutava o que Lyon dizia, sempre seguia seus conselhos, e não hesitava em retesar o arco quando ele pedia. Soldados bem treinados muitas vezes desobedeciam a seus capitães, em prol de si mesmos. Mesmo animais de caça fugiam dos seus donos às vezes. E quanto a ela? Mesmo quando discordava das opiniões do guerreiro, ela o seguiu.

E agora, Keriann se perguntava o porquê. Qual o motivo? Mesmo quando ele abandonou a todos – perseguindo loucamente os captores de Aillah, que por coincidência triste do destino eram liderados por Leona, irmã de Lyon – mesmo assim, ela o seguiu, sem hesitar. E não era por conta de Profecia alguma. Na verdade, a arqueira já esquecera-se daquilo há muito. Era outra coisa, incondicional, espontânea e que ela não conseguia explicar nem a si mesma.

- Pela Dama… eu não acredito que eu amo este homem.

O choque da descoberta a deixou pasma por algum tempo, não poderia medir. Repassava em mente os momentos, as conversas nas noites de guarda, os treinamentos, o desabafo no castelo de Clampot. Olhou para Lyon, deitado no saco de dormir. Estaria dormindo? Deveria contar a ele?

Claro que não, que ideia. Lyon era casado, estava prestes a ter um filho, e apesar dos pesares, parecia gostar da esposa. Não seria certo. E seria correto abrir mão de seus próprios sentimentos? Ser obrigada a casar foi o que a fez fugir de casa. No entanto, correr o risco de destruir uma família prestes a se formar não parecia a melhor coisa a se fazer. Guardar suas inquietações seria nobre, certamente. Mas era o que desejava?

Virou para o outro lado, encarando a parede. Podia estar confundindo os sentimentos. Não era a primeira vez que isso acontecia. Podia ter sido levada a acreditar naquilo, graças às bravatas ácidas do bardo. “Uma cadelinha sem pensamentos próprios”. Suspirou fundo. Sejá lá o que fosse, era melhor guardar para si.

Levantou-se, impaciente. Não conseguiria dormir agora, apesar do cansaço. Sorrateira, andou para onde estava Lyon, o meio-elfo de cabelos loiros que causava sua insônia. Definitivamente estava dormindo. A respiração ritmada, o peito subindo e descendo cadenciado…

A arqueira se aproximou, sentindo o coração acelerar dentro do peito. Os curtos cabelos cacheados caíram para frente, e então ela parou, com medo de que o roçar das madeixas acordasse o guerreiro. Ficou naquela posição não sabe por quanto tempo, indecisa sobre o que fazer. Pareceu uma eternidade até que resolveu se levantar. Voltou para o seu saco de dormir, resignada. Não, não era a coisa certa a se fazer. Chacoalhou a cabeça, como sempre fazia quando queria esquecer alguma coisa, e fechou os olhos. Amanhã seria um dia longo.

Seda e Aço Janeiro 8, 2009

Posted by Allana in Fantasia, Oriental, RPG.
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A lua brilhava alta no céu, refletindo-se no riacho que cortava as terras da família Matsumoto. O casamento realizara-se no pequeno templo dedicado aos ancestrais da família, simbolizando os antepassados que olhavam e abençoavam a união do jovem casal. Arashi terminou de acender o incenso em honra aos espíritos, para que olhassem com bons olhos a noite de núpcias, enquanto o silêncio imperava entre os dois.

- Hanarai. Flor selvagem. É assim que seu irmão a chamava, quando estive com ele. Há algum motivo especial?

Saiki tinha uma voz macia e sutil, como um pincel pesado de tinta que percorria o linho. Devia ser com essa leveza que fazia suas pinturas. Arashi sorriu polidamente, lembrando-se do irmão.

- Ele deve ter lhe contado o motivo.
- Sim, de fato. – ele sorriu. – Mas boas histórias sempre possuem várias versões. Além do mais, eu prefiro ouvi-la dos seus lábios, se não for inconveniente.
- Minha mãe me chamava assim, porque eu costumava cavalgar para os limites das terras, mesmo quando me diziam para fazer o contrário. E porque eu era um tanto… irritadiça.
- Isso explica a parte do selvagem. E basta olhar para você para entender o porquê de ser chamada de flor.

Enquanto falava, o pintor passou os nós dos dedos delicadamente por seu rosto, contornando-lhe o queixo. Um pouco da maquiagem se desfez, e percebendo isso, a jovem falou:
- Creio que seja melhor remover a maquiagem. Eu…
- Não precisa de pressa, Arashi. Acho que essa é uma das poucas vezes que vou vê-la assim, então gostaria de me deleitar um pouco mais com a visão. A não ser que seja um incômodo para você.
- Como sabe que eu não gosto de…? Você e meu irmão conversaram bastante a meu respeito, não?
- Já que eu estava prestes a me casar com a irmã de Enishi, nada mais natural que eu querer saber sobre minha noiva, não?
- Eu não sei nada sobre você.
- Isso é fato. E de onde eu venho, a melhor maneira de conhecer alguém é vendo como esta pessoa maneja uma espada. Você é uma guerreira, não? Me daria a honra?
- Já deseja matar a sua noiva na noite de núpcias? – Arashi sorriu divertida, sabendo que algo assim não aconteceria. Enquanto falava, dirigia-se ao altar onde suas espadas estavam guardadas. – Achei que fosse um pintor.
- E sou. Mas a leveza e precisão de um pintor está também na leveza e precisão de sua espada. Cada pincelada é como um golpe: deve ser calculado, observado, preciso e rápido. Ou a tinta secará antes que possa ser misturada.
- Minha família não aprecia duelos.
- Mas você os acha ao menos divertidos, não?

Os dois fizeram uma reverência medida, e sacaram as espadas. Logo as lâminas se chocaram, e o barulho de metal ressoou no aposento.  Arashi investiu em um golpe longo e demorado, apenas para ser aparado pela espada de Saiki. E como nos passos de uma dança, um media os golpes do outro, completando-se com uma precisão memorável. Seda e metal se cruzavam, indo e voltando, aproximando-se e afastando-se, como os movimentos do mar. Até que Arashi sentiu a ponta da espada na altura do estômago, enquanto pressionava ameaçadoramente a sua lâmina no pescoço do esposo.

- Acho que podemos dar isso por acabado, não? Um empate? – falava o jovem, com uma expressão tranquila e um leve sorriso no rosto.
- Só se pudermos desempatar. Amanhã.
- É uma disputa de um pintor contra uma samurai treinada. Não acha injusto, minha querida?
- Meu forte é com o arco, mas você também deve saber disso. Além do mais, são ótimas oportunidades de nos conhecermos melhor.
- É justo. Agora que tal desarmar-se tanto da espada quanto da alma?
- Desarmar-me…?
- Você estava fechada como uma ostra quando entrou no templo, e agora eu consegui ao menos que duelasse comigo. O que eu preciso fazer para que me deixe beijá-la?

Arashi baixou a espada, com um sorriso envergonhado. Embainhou a espada, e ele fez o mesmo, aproximando-se. Segurou-lhe o queixo delicada porém firmemente,  e seus lábios se tocaram. Longe dali, a lua refletia-se nas correntes do riacho, que seguiam seu destino para o mar.

Wired Janeiro 4, 2009

Posted by Allana in Cyberpunk, Neuromancer.
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NOTA: Essa história começou a alguns meses, depois que eu li o Neuromancer, de William Gibson. Eu tenho algumas idéias em mente, mas preciso colocá-las no papel – tenho uma dificuldade incrível de me concentrar quando escrevo no computador. Mas não se preocupem: o caso de Wired e Case está planejado.  Você pode ler a primeira parte aqui, neste link.

Um 2009 próspero e cheio de todas as coisas boas que todos desejam. :)

A consciência ia e vinha, junto com a dor. Wired abriu os olhos várias vezes, e tinha a impressão de ver alguém. Mas então a dor voltava, e o desmaio parecia muito mais atraente. No entanto, o efeito dos anestésicos já havia acabado, e a dor a impedia de dormir. De olhos fechados, Wired ouvia a conversa.

- Case, quem é essa mulher?
- Não sei. Tava trabalhando pro mesmo cara que eu. Por quê?
- Que tipo de coisa ela faz?
- É uma tecnauta. Pega informação ali, vende aqui, invade uns bancos de dados. Peixe pequeno, até onde eu sei.
- Hm, é só… ela tem muita coisa. Implantes. Muitos. E caros.
- Eu não sou pago para fazer perguntas, nem você, até onde eu sei. – uma pequena pausa na fala, enquanto pensava um pouco a respeito. – Caros, você disse? Podem ser reaproveitados? Digo, caso ela…

Wired deu um leve sorriso, divertindo-se com a própria desgraça. Sentia um comichão na altura do ombro, e se lembrou do primeiro tiro que levara. O que a incomodava agora era o ferimento na barriga. Onde tinha enfiado aquele dermo? A voz era fraca, mas sabia que eles poderiam ouvir.

- Sabem, eu posso pagar bem mais do que essas porcarias. Mas não é como se eu estivesse em condições de… negociar, não é?
- Isso depende. A posição, na verdade, a gente acerta depois. E quem me garante que você não está mentindo?
- Por que você acha que aqueles capangas, inclusive você, estavam me perseguindo? Todos eles queriam negociar uma orgia com uma tecnauta, por acaso?
- Case, o que você… – Chad começou a falar, mas foi interrompido pelo colega.
- Que você roubou alguma coisa daquele imbecil lá atrás não é novidade, japinha. E é claro que deve valer alguma coisa, pra você ter saído correndo daquele jeito estúpido.
- Você não é tão burro quanto eu pensei. E se for mais esperto, deve saber também que eu preciso levar isso aqui pra pessoa certa, não é?
- E você precisa de ajuda para isso, certo?
- Bingo.

E de novo a dor – fazia tempo que não levava um tiro. Trabalhar para um único empregador podia tornar as pessoas sedentárias, afinal de contas. Mas Wired sabia que aquela boa vida não iria durar por muito tempo. Sabia que cada vez que se conectava à matrix, eles se aproximavam dela. Estava na hora de passar o segredo adiante. Sentindo as pálpebras pesarem, continuou:

- Eu preciso do meu equipamento, está no meu apartamento. Preciso que você traga até mim.
- Acha que ainda está lá, japa? Aqueles capangas já devem ter limpado o lugar.
- Acredite, eles são mais burros do que você imagina. Atrás da cama, você vai achar um leitor digital, disfarçado pelo sistema de refrigeração. Arranque a tampa e traga até aqui, certo?
- E o que faz você ter certeza de que eu não vou te trair?
- Você vai voltar pra cobrar o que eu te devo.

A japa tinha razão. Case voltaria. Mas para cobrar outras coisas além da dívida: respostas.

Campanha – Melhor Ler Dezembro 24, 2008

Posted by Allana in Besteirol, Blogs, Diversos.
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Bem, pessoal, o Alexandre, do Zona Neutra, me pediu que indicasse dois livros para os leitores. A idéia da campanha é divulgar livros que sejam boas leituras, aproveitáveis de algum modo. O Alexandre viu algo parecido no orkut e trouxe para os blogs.

Confesso que é a primeira vez que eu realmente acho um MEME interessante – essas coisas de “fale coisas aleatórias sobre você”, ou “você posta pra encher linguiça, eu posto também, e todos ganhamos mais visitas” não me interessa muito. Acho que é forçar a barra. Claro, tem uns engraçados e divertidos, mas normalmente eles destoam bastante da temática geral do blog.

E deixando a baboseira de lado, vamos às indicações!

  1. Neuromancer, de William Gibson: eu já falei dele no Pensotopia, mas não custa ressaltar. Neuromancer é o primeiro romance de uma série (a Trilogia do Sprawl), e é um verdadeiro marco para o que chamamos de cyberpunk. Tem uma narrativa rápida – quase vertiginiosa – e uma quantidade assustadora de informação por parágrafo. E rende ótimas idéias. Editora Aleph, 2003.
  2. Noite na Taverna, Álvares de Azevedo: não é bem um romance, mas uma reunião de oito contos bem no clima do Romantismo: tétrico, cheio de sinistrimos e referências a outras histórias famosas.

E agora, quem continuará a campanha:

  1. Italo, do Rascunhos de uma Mente
  2. Elisa, do Fábulas da Vida e também do Pensotopia.

E hoje é meu aniversário! XD Congratz me!

Um conto de Natal Dezembro 20, 2008

Posted by Allana in Horror, Natal, RPG.
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“I know you’re still there

Watching me, hunting me”

(Evanescence, Haunted)

Era uma noite de Natal. Na rua, barulhos de carros – já eram poucos, mas de vez em quando os faróis acesos iluminavam momentaneamente o quarto da jovem. Ao telefone, o tom da voz era suave, quase em deleite – como era bom aproveitar as descobertas da adolescência. Quando se veriam? Amanhã, depois do almoço. Sempre depois do Natal havia um almoço em família, e ela não poderia faltar.

Mas já era tarde – o relógio apontava quase duas da manhã. Seu pai poderia acordar e vir com aquela conversa mole na qual todos os pais são peritos. Evitando a tábua do assoalho que rangia, passou para o corredor sem dificuldade, onde guardou o telefone sem fazer barulho. Quando voltava para o quarto, ouviu um barulho vindo da cozinha – um barulho surdo, abafado, como alguém que tentava andar em silêncio. Seria seu pai que se levantara, para beber água ou coisa assim?

Enquanto preparava mentalmente uma desculpa para estar de pé, a garota se dirigia à escada de madeira que levava à sala de estar. A iluminação era quase nula, provida pelas luzes coloridas e alternadas da árvore de Natal. No entanto, mesmo à pouca luz, percebeu a sombra que se avultuava, oriunda da cozinha. E algo a dizia que aquilo não podia ser bom.

Assustada, seu primeiro instinto foi correr de volta ao quarto. Sentiu o coração acelerar, mas mordeu o lábio e tentou andar sem fazer barulho. Voltaria ao telefone, chamaria a polícia e se esconderia no escritório do pai. Dessa vez, porém, não conseguiu evitar a tábua que rangia. E então o vulto a percebeu.

O homem virou na direção de Catelyn e a parca iluminação revelou um sorriso assustador, com dentes demais e inumanamente largo. Um cheiro forte acompanhava-o, inebriando o olfato da garota: enxofre? Assustada, tudo o que conseguiu fazer foi gritar.

Enquanto o desconhecido parecia deleitar-se com o grito agudo da jovem, seu pai saiu do quarto. Gritou alguma coisa para Catelyn – chamar a polícia? Fugir? Não pôde distinguir – e foi na direção do invasor, apenas para ser arremessado violentamente escada abaixo. Entre o apagar e acender das luzes da árvore, vislumbrou os olhos do desconhecido: fendidos, olhos de gato.

Parte de si gritava que deveria correr, que fosse embora. Buscar por ajuda ou simplesmente tentar sobreviver. Mas simplesmente não podia: algo parecia travar-lhe os movimentos. O medo, talvez? Parecia algo mais. Aqueles olhos…
Tinham um brilho próprio, aqueles olhos. Mesmo na escuridão quase absoluta do lugar, Catelyn podia ver as fendas vermelhas que brilhavam incandescentes. E daqueles olhos ela não esqueceria, mesmo que sobrevivesse àquilo. Quem era aquele homem? O que ele queria, afinal?

Cada vez que as luzes se acendiam, ele se aproximava cada vez mais. Num ímpeto de coragem, ou talvez loucura, Catelyn tentou correr para seu quarto. A mão da criatura, no entanto, alcançou seu braço, e a jovem sentiu como se garras lhe perfurassem a pele, rasgando a carne. Gritou mais uma vez, um misto de dor e pânico, e começou a correr.
Trancou a porta apressada, enquanto pensava no que fazer. O invasor começou a arranhar a porta, emitindo uma risada sufocada, em profundo divertimento. Catelyn olhou para a janela, a única saída, e sabia que era uma boa queda até o chão. Mas não tinha escolha – fez força para levantar a vidraça e sem pensar duas vezes, pulou no quintal.

Uma dor aguda no pé indicava que talvez tivesse quebrado algo – mas não se importou. Correu desesperada pela rua mal iluminada, mas estranhamente mais confortável do que o interior de sua própria casa. A cada passo que dava, esperava deixar para trás tudo o que aconteceu. Como explicaria aquilo? Continuou correndo. Olhando para trás, ainda pôde divisar a forma da criatura, olhando-a sorrindo da janela.

Feliz Natal! :D Dezembro 14, 2008

Posted by Allana in Besteirol, Desenhos, Diversos.
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Feliz Nataaaaaaaaaaaaaaal! :]