A Menina que Roubava Livros – Resenha Fevereiro 4, 2008
Posted by Allana in Livros, Resenhas.Tags: Livros, Menina, Morte, Resenha
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“Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler.”
Foi com grata surpresa que comecei a ler A Menina que Roubava Livros, em um sábado à noite enquanto minha anfitriã (pois estava dormindo na casa de uma amiga) tomava banho. Se um trailer de um filme deve convidar o espectador a assisti-lo, Zusak captura o leitor nas duas primeiras páginas. Um aviso sobre a nossa curiosa narradora, a Morte em pessoa, pode chocar alguns, mas em mim despertou uma estranha curiosidade:
Você vai morrer.”
Zusak não só dá cor a um narrador passional, como através de belas imagens nos conta a história de Liesel Meminger, uma garota que vive na Alemanha no período conturbado da Segunda Guerra Mundial. Em um trem, ela tem seu primeiro encontro com a Morte, embora não pareça estar ciente disso, e depois cruza com ela pelo menos três vezes, antes que chegue sua hora.

Com uma narrativa cheia de vais-e-vens, a Morte nos surpreende com fatos ainda a acontecer, atiçando a curiosidade do leitor. E como na vida de qualquer criança, há momentos felizes, há momentos dramáticos e há momentos tristes. Sem esquecer o menino da casa vizinha, aquele melhor amigo que nunca perde a oportunidade de pedir um beijo.
O livro é carreado de metáforas, tanto nas cores descritas – cores tão adoradas pela nossa narradora, que as utiliza como uma distração do seu árduo e penoso trabalho – quanto na própria capa: branco, preto e vermelho, cores que preenchiam a bandeira nazista.
De modo coeso e comovente, Zusak nos guia pelas várias páginas dos livros que a pequena ladra surrupia.
A Menina que Roubava Livros, Markus Zusak, Editora Intrínseca, 480 páginas, R$ 30,00.
Peripécias Divinas – V Fevereiro 4, 2008
Posted by Allana in Fantasia, Mitologia, Peripécias Divinas, Sátira.Tags: Fantasia, Mitologia, Sátiras
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Enxofre, gritos, sofrimento. Ele vislumbrava tudo do seu trono de ossos, acariciando uma das cabeças do seu cão Kérberus. Tudo corria normalmente – Tântalo continuava sua tentativa interminável de comer e beber, Sísifo rolava a pedra morro acima e morro abaixo… Nada de novo. Ele, no entanto, parecia preocupado.
- E com o que te preocupas?
Uma cópia muito mais generosa da Monica Belluchi andava provocante na sua direção. Ser um deus tinha suas vantagens, afinal. Ela usava o mesmo figurino do Matrix Revolutions, só que não parecia estar tão incomodada de usar uma roupa tão apertada. E tanto a saia, quanto a blusa, quanto qualquer outra coisa lhe caía bem. Nada como silicone de ambrosia.
- Esses malditos astrólogos! – explodiu finalmente o deus, seus cabelos inflamando em tons azulados – nunca gostou do vermelho que descreviam nas lendas. Levantou-se do trono, enquanto seu cão modestamente se retirou para comer um semi-deus incauto, que queria arrancar-lhe a coleira. – Eles querem me rebaixar! REBAIXAR, a mim!
- Querido, são astrônomos…
Ao fundo, os gemidos de Kérberus juntavam-se aos outros barulhos do reino: correntes, espadas, escudos, conversas sem nexo… O cachorro não era muito inteligente, mas não gostava quando a sua pretensa refeição se mexia. E pior: feria-o com uma espada mágica abençoada. Agora ele entendia o significado de vida de cão.
- Que seja. Eles acham que conhecem os segredos deste universo. Só porque criaram aqueles malditos conservatórios, que são na verdade antros de imoralidade e desrespeito! Ahn, como é mesmo o nome desses prédios? Prostíbulos?
- Não. Universidades.
- Bem, quase a mesma coisa. Quem eles pensam que são?
- Estudiosos, acho. – respondeu Perséfone, distraída, lixando as suas unhas.
Hades – ou Plutão, como queiram – sempre teve problemas de auto-estima, graças à parte que lhe coube cuidar. Nada contra os mortos, mas… bem, eles estão completamente mortos. Todos o temem, todos pensam que ele é um deus maligno e ausente de sentimentos… mas poucos se lembram que ele seqüestrou Perséfone, neta de Zeus, só por amor. E não foi bem um seqüestro…
- Estudiosos! Até parece! Eles esqueceram quem começou com os princípios dessa ciência supérflua deles? Aqueles que nos adoravam! Que matavam em nosso nome! Sabe, não nos chamamos deuses à toa! Qual o planeta que eles dão para Zeus? O maior deles! Júpiter! Mas para mim, Hades, eles dão o Planeta Anão!
- Bem, querido… quando ainda eram nove planetas, você era o nono, certo? – sem esperar resposta, a elegante deusa continuou. – Quantos são os círculos do inferno, segundo aquele escritor com o qual você toma chá toda tarde?
- Nove… mas onde você quer chegar?
- E qual o melhor livro dele?
- O Inferno…
A postura já ia mudando – parecia mais relaxado. É, era um escritor aclamado até mesmo por quem nunca tinha lido, e o seu melhor livro do conjunto de três, era mesmo o que descrevia os domínios de Hades. Hm, não estava tão mal na fita.
- Isso, bom garoto. Agora, me diga: qual dos maiores deuses tem uma esposa de curvas tão generosas quanto eu?