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Wired Janeiro 4, 2009

Posted by Allana in Cyberpunk, Neuromancer.
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NOTA: Essa história começou a alguns meses, depois que eu li o Neuromancer, de William Gibson. Eu tenho algumas idéias em mente, mas preciso colocá-las no papel – tenho uma dificuldade incrível de me concentrar quando escrevo no computador. Mas não se preocupem: o caso de Wired e Case está planejado.  Você pode ler a primeira parte aqui, neste link.

Um 2009 próspero e cheio de todas as coisas boas que todos desejam. :)

A consciência ia e vinha, junto com a dor. Wired abriu os olhos várias vezes, e tinha a impressão de ver alguém. Mas então a dor voltava, e o desmaio parecia muito mais atraente. No entanto, o efeito dos anestésicos já havia acabado, e a dor a impedia de dormir. De olhos fechados, Wired ouvia a conversa.

- Case, quem é essa mulher?
- Não sei. Tava trabalhando pro mesmo cara que eu. Por quê?
- Que tipo de coisa ela faz?
- É uma tecnauta. Pega informação ali, vende aqui, invade uns bancos de dados. Peixe pequeno, até onde eu sei.
- Hm, é só… ela tem muita coisa. Implantes. Muitos. E caros.
- Eu não sou pago para fazer perguntas, nem você, até onde eu sei. – uma pequena pausa na fala, enquanto pensava um pouco a respeito. – Caros, você disse? Podem ser reaproveitados? Digo, caso ela…

Wired deu um leve sorriso, divertindo-se com a própria desgraça. Sentia um comichão na altura do ombro, e se lembrou do primeiro tiro que levara. O que a incomodava agora era o ferimento na barriga. Onde tinha enfiado aquele dermo? A voz era fraca, mas sabia que eles poderiam ouvir.

- Sabem, eu posso pagar bem mais do que essas porcarias. Mas não é como se eu estivesse em condições de… negociar, não é?
- Isso depende. A posição, na verdade, a gente acerta depois. E quem me garante que você não está mentindo?
- Por que você acha que aqueles capangas, inclusive você, estavam me perseguindo? Todos eles queriam negociar uma orgia com uma tecnauta, por acaso?
- Case, o que você… – Chad começou a falar, mas foi interrompido pelo colega.
- Que você roubou alguma coisa daquele imbecil lá atrás não é novidade, japinha. E é claro que deve valer alguma coisa, pra você ter saído correndo daquele jeito estúpido.
- Você não é tão burro quanto eu pensei. E se for mais esperto, deve saber também que eu preciso levar isso aqui pra pessoa certa, não é?
- E você precisa de ajuda para isso, certo?
- Bingo.

E de novo a dor – fazia tempo que não levava um tiro. Trabalhar para um único empregador podia tornar as pessoas sedentárias, afinal de contas. Mas Wired sabia que aquela boa vida não iria durar por muito tempo. Sabia que cada vez que se conectava à matrix, eles se aproximavam dela. Estava na hora de passar o segredo adiante. Sentindo as pálpebras pesarem, continuou:

- Eu preciso do meu equipamento, está no meu apartamento. Preciso que você traga até mim.
- Acha que ainda está lá, japa? Aqueles capangas já devem ter limpado o lugar.
- Acredite, eles são mais burros do que você imagina. Atrás da cama, você vai achar um leitor digital, disfarçado pelo sistema de refrigeração. Arranque a tampa e traga até aqui, certo?
- E o que faz você ter certeza de que eu não vou te trair?
- Você vai voltar pra cobrar o que eu te devo.

A japa tinha razão. Case voltaria. Mas para cobrar outras coisas além da dívida: respostas.

Motivos para o meu sumiço… Agosto 14, 2008

Posted by Allana in Besteirol, Blogs, Neuromancer.
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Bem, esse não é o tom do blog (não costumo falar muito da minha vida por aqui, afinal), mas achei que os raros leitores do blog mereciam uma explicação. ;P

Eu sei, faz um bom tempo que eu não apareço, e não é por não ter textos novos para mostrar. Bem, eu tenho alguns rabiscos inacabados que poderia postar, mas não quero que o Brainsstorm vire mais um acúmulo meu de rascunhos que pretendo acabar um dia.

O fato é que eu estou sem tempo. Resolvi que vou fazer a seleção do mestrado no final do ano, e acreditem: a bibliografia para estudar é enorme. Tem um monte de livros para ler, uns bem legais, outros chatos pra caramba, além de outras leituras para poder fazer o anteprojeto. Isso fora as aulas de informática e português. E os jogos de RPG nos fins de semana (não, eu NÃO abro mão), e meu namorado, e a família, e escovar os dentes… xD

Portanto, sempre que eu tiver tempo e/ou inspiração, vou aparecer por aqui. E bem, como só resta criar tempo (sim, a palavra é criar… ^^)  para terminar os textos rascunhados, espero não demorar muito para aparecer de novo.

Uma notícia legal! Eu e uns amigos (mas a idéia original é de Daniel), estamos com um novo blog, voltado para generalidades de um modo geral (eu sei, é pleonasmo, mas aqui é estilístico). É o PENSOTOPIA, que tá ali do lado também. :) Portanto, sejam boas pessoas, leiam e comentem! :D

E para deixar vocês na vontade… um dos rabiscos. =)

********************

- Ok, acho que é hora de negociar.

O cano da arma, ainda quente do tiro que a deixara em curto-circuito, roçava-lhe a nuca, arranhando levemente seus implantes. Atrás da nissei, um homem alto vestindo um sobretudo surrado segurava a pistola. Se ele sabia do preço daqueles implantes, não parecia se importar.

Ajoelhada no chão, Wired sentia a perna latejar fortemente, enquanto o sangue escorria em profusão pela viela suja. A poucos metros de distância, um mendigo parecia dormir, como se fizesse parte da paisagem. Os nervos óticos estavam falhando horrendamente – odiava as armas feitas para foder com os implantes. O cheiro de sangue se misturava com o de asfalto, metal enferrujado, suor e urina, que a nissei esperava que não fosse a dela. Seu braço esquerdo também estava inutilizado – uma das balas deve ter cortado a conexão neural. Logo os outros chegariam. Não tinha outra escolha.

- Quanto tão te pagando para me matar?

Um momento de silêncio que deu algum tempo para a tecnauta analisar a situação, e chegar a mesma conclusão: estava fodida.

- Quinhentos yenes novos. Por semana.
- Te pago mil se você matá-los para mim agora.
- Os outros dois? Mil por cada um. E você na minha cama essa noite.
Wired deu uma gargalhada fraca – até a risada fazia o resto do corpo doer.
- Nem pelo dobro eu me deitaria com você.
- Não é como se você estivesse por cima agora, belezinha.
- Quinhentos pelos dois, e de noite na minha cama.
- Fechado.

Tudo que pôde ouvir foi o som de passos e alguns tiros. Parecia ter sido atingida de novo, mas o desmaio veio como uma bênção antes que pudesse sentir mais dor.

**********

- Trazer ela aqui não fazia parte dos meus planos.
- Relaxe, Case. Só cale a boca, se quiser que ela saia daqui inteira. Putamerda, o que diabos você fez com ela?
- Esses tecnautas são sempre cheio de tranqueiras implantadas. Só queimei alguns. Isso não vai matá-la, vai?

Chad não respondeu, e aquilo parecia encerrar a conversa. Dar cabo dos dois capangas que estavam seguindo a japa não foi realmente problema. A conexão neural com as Ares Predatoris, juntamente com o amplificador de respostas garantiam que ele saísse de quase qualquer situação. Aquela tinha sido moleza.

Os amplificadores de sentidos permitiram que ele notasse a aproximação dos outros capangas, e ao entrarem na viela, um deles ainda teve tempo de fazer um disparo na direção da tecnauta. Case disparou dois tiros precisos, que caso o homem ainda estivesse vivo, não poderia mais ter filhos. O outro ainda tentou fugir, mas Case era muito mais rápido. Antes que ele pudesse perceber, já estava morto. Quando voltou para a mulher, percebeu que os ferimentos eram mais graves do que ele achava.

- Eu podia deixar ela pra morrer, não podia? Mas bem, ela negociou um bom preço pra ficar inteira. – Case comentou, com um sorriso cretino.
- Eu já disse pra calar a boca, porra.