jump to navigation

Eneida – Livro V – Uma Errata Março 26, 2008

Posted by Allana in Eneida, Fantasia, Mitologia, Sátira, Tróia.
5 comments

Nota da autora: Na verdade, essas são cenas foram cortadas do episódio anterior por motivos de força maior e esquecimento agudo.

Partindo de Drépano, sem mulheres, Enéias seguiu seu rumo. Segundo profecias escusas de Apollo, não mencionadas nesse relato graças a seu caráter duvidoso (se alguém conhecer algum oráculo que funcione como deveria, mande uma carta à redação), Enéias vagaria por mares e mares e mais mares até chegar à Itália, que não é assim tão longe da Ásia. Mas claro, para heróis as coisas devem ser mais difíceis.

Nem sempre, no entanto. Vênus1, cansada de ver seu filho sofrer, recorreu a Netuno2. Já que Júpiter5 não punha rédeas em sua mulher4, ela deveria usar as pernas que tinha. Pernas? Eu disse pernas? Eram armas, armas.

- Netuno… sabe, todos sabem que você é quem manda no mar, e eu estive pensando se você não poderia ajudar Enéias. Sabe como é, ele já viajou tanto… ele é um bom menino. Bem intencionado, conhece as tradições. Não é muito esperto, é bem verdade, mas é um bom rapaz.

- Vênus, você é a única que não pode reclamar da minha ajuda. Sabe aquela ilha em que você nasceu? Pois é, eu poderia afundá-la a qualquer momento. E durante a guerra de Tróia, eu salvei esse moleque de ser destroçado por Aquiles5. E naquele dia…

- Ora, eu conheço sua benevolência para comigo e com o meu filho. Mas será que não há nenhuma forma de negociarmos, então, uma viagem mais… rápida? A nossa noite, pelo contrário, pode demorar bastante.

Enéias não sabe como, mas sua viagem até a Itália dessa vez foi tranqüila. Não entendeu também o motivo de, assim que encontrou a profetisa que deveria guiar seu caminho a partir de então, ela encomendou rapidamente um sacrifício a Vênus. Em agradecimento.

MITOLOGIA FOR AQUELES QUE DON’T KNOW

  1. Vênus: Afrodite na mitologia romana. Sim, aquela gostosona, que desnudou os seios para ganhar um concurso de beleza. Cheater.
  2. Netuno: Poseidon. Sim, aquele dos Cavaleiros do Zodíaco, de cabelo azul e tridente. Deus dos mares e tempestades marítimas, casado com uma ninfa.
  3. Júpiter: Zeus. O manda-chuva. Aquele-que-atira-raios. Precisa de mais alguma coisa? Mulherengo.
  4. Sua mulher: Aqui se referindo a Juno, ou Hera. Aquela esposa ciumenta, que não tem mais nada pra fazer além de perturbar a vida do marido e dos outros. Uma chata.
  5. Aquiles: Herói da Ilíada, super macho-man, e como todo mito grego, era gilete. Bem que poderia ser um personagem de d&d americano: Matar, destruir e pilhar.

Enéias jogando o papo em cima de Dido, rainha de Cartago.

Guerra de Tróia – Parte 4 Outubro 4, 2007

Posted by Allana in Mitologia, Sátira, Tróia.
Tags: , ,
add a comment

 E as batalhas tiveram, enfim, continuidade. E um fim.

Heitor, num ímpeto de coragem e força, consegue finalmente invadir o acampamento grego, queimando um dos navios negros. Claro que isso se deu a um grande golpe de sorte – principalmente por haver um barril de querosene para que assim ele pudesse libertar seus instintos incendiários.

Pátroclo, amigo de Aquiles e também grande guerreiro, pede permissão para usar as armas e a armadura deste. Só pra assustar os troianos.

E até que teria sido uma boa idéia. Se Heitor não estivesse por perto, claro. O pobre Pátroclo, diante do maior guerreiro troiano, cai antes mesmo que pudesse dizer: “Ai”. E ainda por cima é despojado das armas emprestadas. Olha só o desmantelo.

Aquiles então, tomado pela fúria, diante do corpo do seu melhor amigo (e aqui entra a dúvida de muitos historiadores, afinal, as tendências homossexuais eram muito comuns entre os gregos), resolve voltar para a guerra. Os troianos, só com a notícia, já ficam com medo. Claro que a carnificina é digna de um quadrinho japonês.

E então Legolas… hum, Páris, o covarde pastor de cabeleira cacheada, com as mãos guiadas por Apolo do Arco de Prata (embora fosse de conhecimento público de fosse um arco de madeira mesmo, porque a prata seria impossível de ser utilizada na fabricação de um arco), acerta Aquiles no calcanhar, matando-o. Tétis, a ninfa-mãe de Aquiles, ao nascimento do filho, banhou-o no rio Estíges, o que o tornaria invulnerável. Contudo, precisou segurar o bebê pelo calcanhar, sendo essa, portanto, a única parte vulnerável do seu corpo.

Claro que todos se perguntam porque ela não segurou o bebê pela outra perna depois, e deixando-o assim completamente invencível. Mais uma daquelas perguntas que ninguém poderá responder.

Aquiles então, padece. E finalmente os gregos ganham a maldita guerra de dez anos. E pilham a cidade, matando os homens e tomando as mulheres como escravas de propósitos escusos (além, claro, dos propósitos mais práticos, como lavar a roupa, cozinhar, entre todos esses detalhes). E depois voltam para suas casas, sendo que a maioria morre no meio do caminho, ou nunca consegue chegar aos seus lares. Coitados.

Guerra de Tróia – Parte 3 Outubro 4, 2007

Posted by Allana in Mitologia, Sátira, Tróia.
Tags: , ,
add a comment

E a guerra continuou, mesmo estando o Melhor dos Gregos fora dela, de bobeira, descansando na sua nau. E claro, obviamente, os gregos começaram a levar uma sova dos troianos. Nesse meio tempo, contudo, várias histórias parecem que foram difundidas. Acredito que isso se deva à falta do que fazer durante as noites de vigília.Foi proposto um combate singular (também conhecido como duelo, para os mais desinformados) entre Menelau, o marido traído, pilhado e desprovido de seu precioso vinho, e Páris, o pastor magricela de cabelos cacheados. Depois disso, a guerra estaria acabada. Resolução essa ótima para ambos os lados – afinal, essa história de guerras longas acaba enchendo o saco.

Dessa vez não havia sequer aquelas rodas de apostas ilegais. No máximo os espectadores tentavam advinhar quanto tempo o pobre Orlando Bloom… er, o pobre pastor duraria sob a lâmina do loiro Menelau.

E o combate teve início, e seu resultado parecia óbvio. Mas eis que, Afrodite, em sua benevolência-mor, arrebatou Páris, segundos antes de sua decapitação, para a tutela de Helena – mais exatamente para a cama de Helena. Obviamente que o senhor de Esparta não aceitou o resultado, e a guerra continuou do mesmo jeito.

Houve ainda o notório combate entre Ajáx e Heitor, este o mais poderoso dos troianos. Ele seria um ótimo protagonista, se não tivessem pago um cachê maior a Brad Pitt, er, a Aquiles. A luta estava acirrada – Ajáx golpeava incansavelmente, enquanto Heitor revidava, aproveitando-se da lentidão de seu adversário. E as horas se passaram. O sol se pôs e nada de terminarem o duelo. Quando a lua já brilhava alta no céu, Heitor embainhou a espada e iniciou o diálogo:

- Acho melhor pararmos por hoje, caro Ajáx. Sabe, sou pai de família, tenho esposa, um filho e ainda um pai velho e doente. Você compreende, não é?
- Perfeitamente. Afinal, eu também estou cansado, e preciso resolver algumas coisas no acampamento grego. Entraves burocráticos, entende?
- Claro, claro. Mas veja só, este foi um combate realmente excelente. Podemos terminá-lo amanhã?
- Ah, mas sem dúvida! Seria um prazer! – respondeu animado Ajáx, desamarrando o escudo que trazia no braço esquerdo – Veja bem, meu caro Heitor, matador de gregos… quero honrá-lo com este presente. Este escudo me foi dado por meu pai, então, é de um enorme valor sentimental para mim. E como sei que você fará bom uso dele…
- Ah, muito obrigado. – e desembainhando novamente o gládio coruscante, Heitor o oferece honrosamente – E, para demonstrar minha gratidão, ofereço-lhe minha espada, forjada com o melhor bronze de toda a Frígia.

E felizes, os combatentes voltaram para seus respectivos assuntos.

Guerra de Tróia – Parte II Outubro 4, 2007

Posted by Allana in Mitologia, Sátira, Tróia.
Tags: , ,
add a comment

E então anos se passaram, para que reunissem os grandes reis de toda a Grécia. Há muito tempo, antes desta história, esses mesmos reis (a maioria deles com mais cabelos e bem mais tolos e idiotas, evidentemente), tentaram desposar Helena. Tíndaro, que não é bobo nem nada, promoveu um juramento inquebrável: todos eles, em caso de roubo, rapto ou desaparecimento, deveriam unir-se para resgatá-la, independente de quem fosse o escolhido.E o escolhido foi Menelau, rei de Esparta, reino de armas. Pobre coitado.

Deixando o momento flashback pra lá, estavam todos reunidos na ilha de Aulis, esperando o mau tempo passar. Para tanto, foram necessários apenas alguns desentraves burocráticos, como a desonra de uma deusa, um sacrifício da filha do mais poderoso rei da Grécia, e detalhes ínfimos desse tipo. E então, toda a comitiva de incontáveis navios negros partiu para Tróia.

Claro, houveram diversos saques no caminho. E esses não são os de dinheiro – os gregos eram bem mais espertos do que pareciam. Nunca inventariam nada como as instituições bancárias.

O fato é que, num desses saques, uma bela moça foi dada a Agamêmnon, mais poderoso entre os reis gregos. Tal moça chamava-se Criseida. E Crises, humildemente, na sua posição de sacerdote de Apolo, foi comprar sua liberdade. E claro, o que o rei fez? Isso, enxotou o pobre coitado do velho sacerdote.

E o velho sacerdote, assim como qualquer outro velho sacerdote faria, recorreu ao seu velho deus. E seu velho deus, mais conhecido como Apolo, escutou prazerosamente o pedido. E em pessoa (ou seria divindade?) desceu do Olimpo, portando seu arco de prata, e espalhando uma grande praga entre os gregos. O que, claro, teria deixado os troianos bem felizes se o soubessem.

Nove dias de mortes e piras fúnebres se passaram. Aquiles, o mais poderoso entre os guerreiros, com os olhos ardendos e desenvolvendo novos tipos de alergia à fumaça, convocou uma assembléia.

- Vejam bem, é tudo bmuito simples: ou pedibmos para algum profeta que dnos explique o que diabos acodntece, ou sibmplesbmente vabmos embora. BMeu dnariz está bme bmatando.
- Aquiles, você está falando de um jeito tão esquisito… – pergunta um daqueles figurantes que seguram: “Pai, estou na guerra de Tróia!”
- É ridnite alérgica. – explica impaciente o herói.
- Aquiles, filho de uma deusa, eu poderei explicar o que acontece. Claro, se você me proteger de… hum, danos físicos que essas revelações podem me causar. Sabe, não temos realmente uma grande liberdade de expressão por aqui… – respondeu Calcas, advinho famoso, cujo dom diziam ter sido concedido por Apolo.
- Tá… edntedndi. Agabmêmnôn dnão vai tocar em você, dnão se preocupe.
- Toda essa desgraça que nos foi destinada deve-se ao fato de uma escrava, que por acaso é filha de um sacerdote, ter sido negada ao seu pai. E, para compensar, ela deverá ser devolvida com todas as honras, presentes e ainda um sacrifício básico.

Claro, isso tudo causou enorme estardalhaço, e Agamêmnon queria uma compensação. E para tal, escolhe a escrava destinada a Aquiles, Briseida, que, por mera coincidência do destino, era prima de Criseida (apenas uma informação que não terá utilidade alguma para a narrativa, mas que o narrador usa de vez em quando só para mostrar que sabe de alguma coisa). Aquiles, desonrado e puto por não poder fazer nada, vai chorar no colo de sua mãe.

Thétis, por sua vez, apiedada do filho que morreria em breve, foi implorar a Zeus. Hera, obviamente, ficou ardida de ciúmes, mas depois de uma breve discussão tudo ficou bem. Ou quase isso.

Guerra de Tróia – Parte 1 Outubro 4, 2007

Posted by Allana in Mitologia, Sátira, Tróia.
Tags: , , ,
1 comment so far

O dia amanhecia como qualquer outro dia que estivesse fazendo seu trabalho: o sol brilhava, refletido nas margens do rio Xanto, enquanto os pássaros cantavam alegremente, voando por entre os galhos das verdes árvores. Aquele dia trabalhava duro para ser melhor do que os outros, mas de nada adiantava. Seria igual a mais outro dia, assim como diversos outros.

Tempo verbal correto: serIA. Lá estava Páris, tocando sua flauta tranqüilamente, quando deveria estar cuidando dos muitos bois e novilhas que circundavam a região de Tróia. Mas nosso príncipe mal quisto não era assim tão burro – sabia que os bois, que há muito haviam feito um tratado com os humanos da Tróade, ficariam por ali desde que sempre fossem garantidos comida, bebida e mulheres (vacas, nesse caso).

Mas deixemos os bois de lado – eles não são o foco de nossa história hoje. Páris, que tocava sua flauta com a mesma habilidade de um ornintorrinco gripado, surpreende-se com uma visão no mínimo incomum: um sujeito mirrado, que sandálias com asinhas (“Existe cada moda hoje em dia…”, pensava consigo mesmo) pousou na sua frente, com uma expressão no mínimo duvidosa.

- Bem… Péricles… hum, é esse seu nome?
- Não, oh divindade… é Páris.
- Isso! Páris! Bem, o senhor do Olimpo, dono dos trovões, o mais mulherengo de todos, mandou-me aqui para que seja um juiz de um concurso de beleza.
- Concurso de… mas… por que diabos…?

Antes que pudesse reagir de qualquer modo, três deidades femininas apareceram na sua frente. Pasmo, o pobre pastor não sabia onde por os olhos, e mal escutou quando foi instruído para entregar uma maçã de ouro à vencedora.

Atena, que poderia ser conhecida por qualquer coisa exceto por sua delicadeza, foi a primeira a tentar a prática mais comum em qualquer tipo de concurso: o suborno. Prometeu a Páris a vitória nas guerras, e a salvação de sua cidade. Hera, sentindo-se segura por seu posto de esposa do Grande Chefão (e não sendo esse da máfia, cuidado), ignora as guerras e promete ao abobalhado Páris o reinado da Ásia.

Afrodite, muito mais esperta, aproveita-se da sua beleza divina e se mostra em sua versão topless, tão conhecida pelos deuses olímpicos. E, de quebra, oferece a mulher mais bonita entre as mortais: Helena. Sem pensar duas vezes, o franzino príncipe troiano aceita a proposta. E foi até Esparta receber seu prêmio.

Lá chegando, encontra o esposo da referida, que, “coincidentemente”, tem que viajar para Creta. Ocasião melhor não há: bastou a quantidade certa de vinho e pronto. Tem coisas que só Dionisio faz por você. De lá, foram para Tróia, ainda tendo direito a uma paradinha no Egito. Só pra conhecer, sabe? Lua de Mel.

Menelau, puto da vida e com a cabeça bem mais pesada, fez um grande conclave, pois, segundo um juramento feito outrora, em caso de roubo, rapto ou desaparecimento, eles deveriam ligar para… er, se juntar numa missão de resgate.

- Veja bem, Agamênon… *hic* Ele foi lá, roubou minha mulher, roubou meus tesouros e *hic* a minha bebida. Se não fosse a minha bebida, eu nem tinha me importado… mas *hic* ele levou meu melhor vinho!!

E por motivos de difamação e processos legais, estas palavras não foram publicadas por Homero.