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		<title>[The Liquid State] Cairo, 2082</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Sep 2011 14:21:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cyberpunk]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção Científica]]></category>
		<category><![CDATA[The Liquid State]]></category>
		<category><![CDATA[Cairo]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Somos governados por demônios de mentira. Por trás dos fantoches estão as garras escuras e verdadeiras”. - Ditado cairota. Cheguei de Londres há dois meses e ainda não acredito no que vejo. A grande Cairo abriga 68 milhões de almas, distribuídas em catorze cidadelas separadas por níveis de segurança (duas de baixa, cinco de média, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brainsstorm.wordpress.com&amp;blog=1509490&amp;post=336&amp;subd=brainsstorm&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;Somos governados por demônios de mentira. Por trás dos fantoches estão as garras escuras e verdadeiras”.</em></p>
<p style="text-align:right;">- Ditado cairota.</p>
<p>Cheguei de Londres há dois meses e ainda não acredito no que vejo. A grande Cairo abriga 68 milhões de almas, distribuídas em catorze cidadelas separadas por níveis de segurança (duas de baixa, cinco de média, seis de alta e o Centro Administrativo). Suas torres se espalham por todo o horizonte, dos dois lados do Nilo, em uma imensidão de presas negras contra o céu enevoado e morto. Controlada pelo Comitê Saariano, um aglomerado de representantes de governos europeus e asiáticos, eleitos por seus próprios parlamentos e enviados à África a cada oito anos, a megalópole é o centro financeiro do arrasado continente africano. De suas ferrovias e portos partem os carregamentos de minério, madeira, peles, e órgãos clonados, frutos de subimportações das nações do sul. A eles, chegam implantes, medicamentos, veículos e armas, produzidos aos bilhões em unidades industriais sediadas no Mediterrâneo e nas Estações de Produção do deserto da Arábia. Os equipamentos, de segunda, terceira e quarta categorias, são o estimulo precário enviado pelas maiores nações para a manutenção das condições no Saara.</p>
<p>Desde a década de 2040, os conflitos étnicos e políticos converteram a região em um pesadelo administrativo. Ainda assim, as minas de metadióxido de silício e o tráfego intermitente (e ilegal) de órgãos clonados e células tronco embrionárias (indispensáveis na fabricação de componentes de ajustamento e anti-rejeição de implantes) mantêm o interesse das corporações. Sabedores disso, facções religiosas islâmicas – expulsas da cidade há décadas – e grupos paramilitares de inspiração nacionalista têm transformado toda a região norte do continente em uma área de tensão. As únicas forças militares legais continuam sendo a Força de Segurança Continental (controlada diretamente pelo Comitê) e a Marinha Francesa. Além destas, contudo, a cidade abriga centenas de mercenários vindos de todas as partes. Enquanto as forças legais precisam medir poder com o terrorismo regional, os grupos ilegais atuam junto a corporações locais ou mesmo sob as ordens do Comitê a fim de resolver “problemas de casa”.</p>
<p>Abaixo das torres escuras das indústrias de reciclagem de água e conversão de quartzo, o Cairo é um pesadelo. 87% da população (entre imigrantes, refugiados do centro-sul africano e mão-de-obra das minas saarianas) vive sob condições de pobreza extrema. A força policial local é  composta por destacamentos militares da FSC sem treinamento para a função (mas com considerável tratamento para o combate). Imensas construções em ruínas, incompletas ou semi-destruídas por bombardeios três décadas atrás, servem de abrigo para milhões de famílias. Mercados precários transferem comida entre as cidadelas, mas estes são controlados por cartéis de atravessadores. A prostituição (real ou virtual) é extremamente comum, assim como a venda ilegal de implantes ultrapassados, drogas de aceleração (para o uso nas conexões com a Rede) e medicamentos ainda em fase de testes, contrabandeados ou introduzidos secretamente por empresas farmacêuticas. Para coroar a maldição faraônica que ainda a permeia, não é fácil deixar este lugal. A FSC controla cuidadosa e obcessivamente o tráfego para dentro e fora da cidade. O receio do Comitê para com o roubo de mercadorias, a fuga de mercenários e de seus próprios soldados serve para fazer da Cidade, uma prisão murada pelo pavor. Por quanto tempo, nós, civilizados, nos calaremos diante das atrocidades produzidas em nome do futuro? Por quanto tempo o<br />
silêncio será mantido na terra da Esfinge?</p>
<p><em>Post identificado e censurado pelo Quadro Monitor em 21.2.2082.</em></p>
<p><em>Identificação do N.I.P. fonte: 00344033.2333.2345021.32033.949724.99.78</em></p>
<p><em>Secretaria de Seleção Informativa</em></p>
<div><em>Departamento de Registros de Rede</em></div>
<p><em>SubComitê Saariano de Gestão Urbana</em></p>
<blockquote><p>Post escrito pelo Mário (aquele que&#8230; ok, eu vou parar!) para ambientação no cenário. Espero que curtam! =D Criei uma categoria à parte, para facilitar o acompanhamento de quem quiser ler com o bonde andando.</p></blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/brainsstorm.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/brainsstorm.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/brainsstorm.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/brainsstorm.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/brainsstorm.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/brainsstorm.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/brainsstorm.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/brainsstorm.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/brainsstorm.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/brainsstorm.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/brainsstorm.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/brainsstorm.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/brainsstorm.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/brainsstorm.wordpress.com/336/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brainsstorm.wordpress.com&amp;blog=1509490&amp;post=336&amp;subd=brainsstorm&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>[The Liquid State] Niah &#8211; I</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Sep 2011 03:52:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cyberpunk]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção Científica]]></category>
		<category><![CDATA[The Liquid State]]></category>
		<category><![CDATA[Jagunço]]></category>
		<category><![CDATA[Niah]]></category>

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		<description><![CDATA[Niah – Diário 0100 Neurovideo nº 17:32:16:08:20:11 Preparo o rifle para mais uma missão, a rotina diária. Desmonto, limpo, lubrifico, checo os componentes de integração com o olho biônico. O quinto componente da segunda fileira continua dando um problema de incompatibilidade. Rejeição genética. Foi o quinto técnico que disse isso, e o quinto a afirmar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brainsstorm.wordpress.com&amp;blog=1509490&amp;post=330&amp;subd=brainsstorm&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Niah – Diário 0100<br />
Neurovideo nº 17:32:16:08:20:11</p>
<p>Preparo o rifle para mais uma missão, a rotina diária. Desmonto, limpo, lubrifico, checo os componentes de integração com o olho biônico. O quinto componente da segunda fileira continua dando um problema de incompatibilidade. Rejeição genética. Foi o quinto técnico que disse isso, e o quinto a afirmar que não tem jeito de me consertar. O último ainda veio dizer que eu deveria nascer de novo em um corpo menos defeituoso.</p>
<p>Minha resposta se resumiu a um soco na cara com o braço artificial. Deve ter rendido uns dentes a menos ao paspalho. Pf, nascer de novo. Eu renasci quando acordei naquela maca imunda pelo meu próprio sangue, sem um braço e cega de um olho. Um corpo novo, porém, não seria nada mal.</p>
<p>- Niah? – a voz irritantemente serena de Kojito. – Está pronta?</p>
<p>Levanto o olhar da arma e termino de montá-la, com um clique sonoro. Com a mão de carne, tiro o cabelo revolto da testa – preto, fino e ondulado, como o da minha mãe. O asiático me encara com aqueles olhos puxados que não revelam nada do que ele está pensando e sorri.</p>
<p>- Vai ser um trabalho fácil. Só precisamos matar o chefão do tráfico na região, quando ele sair da reunião. Ele é um sujeito descuidado, você vai notá-lo logo.</p>
<p>- Você disse uma coisa parecida da outra vez. E isso terminou comigo sendo arremessada para o outro lado da rua.</p>
<p>- Seu bom humor me impressiona – ainda sorrindo, ele se aproxima. – Algo te perturba, pequena?</p>
<p>Houve um tempo que eu gostava quando ele me chamava assim. Não mais, embora em não saiba bem o motivo. Afinal, eu <em>continuo</em> pequena. E ele só quer demonstrar algum tipo de&#8230; carinho, acho, em relação a mim. Mas o apelido faz eu me sentir ainda menor, fraca, debilitada, como no dia em que ele me encontrou, com um braço quebrado em dezesseis pedaços e quase morta. Mas o maldito japa, que na verdade é coreano, embora isso não faça diferença nenhuma no fim de mundo que é o Cairo, o maldito me conhece, e sabe quando algo não está bem.</p>
<p>- Só sinto que&#8230; algo vai dar errado. Um pressentimento.</p>
<p>Ele abre um sorriso sereno, que deveria me acalmar, mas acaba me enervando. Agacha-se diante de mim, aproxima o rosto e me beija. Não consigo mentir ao meu próprio corpo e relutando no início, mas de bom grado, cedo. Primeiro, o contato é frio e distante, como ele agia comigo quando acordei do coma. Mas logo vem a sensação familiar, o aconchego, e, com a mordida no lábio, a promessa do que poderia vir mais tarde.</p>
<p>- Vai ficar tudo bem, Niah. Apenas se concentre. Mantenha o foco. Pela manhã, você estará rindo de si mesma.</p>
<p style="text-align:center;">*****</p>
<p>Correndo da explosão, concluo que deveria dar mais valor à minha intuição. Era pra ser um trabalho fácil, mas alguém tinha nos delatado. Eles sabiam de todas as nossas posições, e nos desmantelaram com uma eficiência incrível. Perdemos pouco, porém. E àquela altura, repensando melhor os acontecimentos do dia, eu até fazia alguma ideia de quem era. Massao.</p>
<p>Desde quando ele chegara, três semanas atrás, cheio de referências e recomendações, eu desconfiei. Uma coceira nos dedos de carne, um nó na boca do estômago. Dias depois, conversando com Kojito, ele disse que aquilo <em>poderia</em> ser intuição, mas que provavelmente era só alguma comida estragada. Ou as drogas, vai saber.</p>
<p>Bem, ele estava errado, e eu estou certa dessa vez. Mas o que valia a palavra de uma viciada em <em>stims</em>, amante de um dos chefes, cujo trabalho era aquecer a cama dele e atirar de vez em quando? Caminhando para o chiqueiro que o novato chamava de quarto, eu penso bem nas palavras a serem usadas. Não posso falhar, não agora.</p>
<p>- Niah? – ele me olha, espantado, a pele negra quase se escondendo no uniforme.</p>
<p>- Tem um minuto?</p>
<p>- Claro. Kojito quer algo de mim?</p>
<p>- Ele não, mas eu quero saber o que porra aconteceu naquele trabalho – é minha única carta. Se eu estiver errada, estarei fora do bando, muito provavelmente morta. Mas se estiver certa&#8230; – Eles sabiam de tudo ao nosso respeito, e muitos se machucaram. Eu quase morri. E você, estranhamente, mal apareceu na ação.</p>
<p>- Eu estava ocupado, cuidando de um outro grupo deles que aparec&#8230; Eu não devo satisfações pra você, pirralha. Só porque você abre as pernas pra um dos chefes acha que pode vir aqui e falar assim comigo?</p>
<p>Sorrio, e ele se desarma. Àquela distância, o <em>cyberware</em> ocular me permite notar os mínimos detalhes da sua expressão, as gotículas de suor se formando, apesar do frio, e a leve tremida nos lábios escuros. Ele sabe que eu sei, e então, só<br />
então, eu me afasto.</p>
<p>- O que você quer, vadia?</p>
<p>- É pro governo que você trabalha? Com aquela quantidade de referências forjadas, você não é um mané qualquer.</p>
<p>O silêncio o denuncia mais uma vez. Eu me aproveito.</p>
<p>- Um corpo novo, que funcione, como esses que os milicos no topo da pirâmide usam. Me arranje isso, e logo, ou eu conto tudo, e você vai <em>desejar</em> morrer.</p>
<p>Como se nada estivesse acontecendo, volto para a mesa comunal. Nenhum dos chefes está lá, o que me dá tempo para pensar. Estou prestes a me juntar com um rato, um delator, e, assim, me tornar uma cúmplice. Há tempo de desfazer, eu posso contar para K, mas&#8230; é a minha chance de me tornar inteira de novo, sem defeitos.</p>
<p>Viro um copo de uma bebida que desce queimando. Não preciso saber o nome, preciso apenas&#8230; não me arrepender.</p>
<blockquote><p>Projeto cyberpunk escrito a quatro mãos com o Jagunço (vulgo, Mário Benevides). Mais coisas em breve. ;D</p></blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/brainsstorm.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/brainsstorm.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/brainsstorm.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/brainsstorm.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/brainsstorm.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/brainsstorm.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/brainsstorm.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/brainsstorm.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/brainsstorm.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/brainsstorm.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/brainsstorm.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/brainsstorm.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/brainsstorm.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/brainsstorm.wordpress.com/330/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brainsstorm.wordpress.com&amp;blog=1509490&amp;post=330&amp;subd=brainsstorm&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Despertar</title>
		<link>http://brainsstorm.wordpress.com/2011/06/02/despertar/</link>
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		<pubDate>Thu, 02 Jun 2011 15:31:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[Alberon]]></category>
		<category><![CDATA[Despertar]]></category>
		<category><![CDATA[Fadas]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Promethea]]></category>

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		<description><![CDATA[- Liberdade. Você me promete? Sorriu com a resposta que só ele poderia ouvir. Olhos fechados, os cabelos brincando com o vento, agradecendo o afago que recebiam. O corpo frágil parecia também querer ser levado embora, vestido apenas com o retalho branco que usava há muito tempo. Tanto que já não conseguia precisar. Meses, dias, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brainsstorm.wordpress.com&amp;blog=1509490&amp;post=325&amp;subd=brainsstorm&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2011/06/freedom_by_tatsu_subaru.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-326" title="Freedom_by_tatsu_subaru" src="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2011/06/freedom_by_tatsu_subaru.jpg?w=490&#038;h=375" alt="" width="490" height="375" /></a>- Liberdade. Você me promete?</p>
<p>Sorriu com a resposta que só ele poderia ouvir. Olhos fechados, os cabelos brincando com o vento, agradecendo o afago que recebiam. O corpo frágil parecia também querer ser levado embora, vestido apenas com o retalho branco que usava há muito tempo. Tanto que já não conseguia precisar. Meses, dias, semanas. Anos, talvez?</p>
<p>Continuou sorrindo diante da própria tolice. Nada daquilo importaria mais. O céu abria-se diante dos seus olhos, agora abertos, agora capazes de ver. Uma calma real o invadiu, sensação da qual já não lembrava. Carregando uma certeza absoluta, talvez pela primeira vez na vida, lançou o corpo para fora da janela.</p>
<p style="text-align:center;">****</p>
<p>Foi com esforço que se levantou aquela manhã – efeito dos remédios, tinha certeza. Demorava cada vez mais a acordar, e era sempre um sono limpo, apenas ele e a escuridão. Ainda por cima, passava o resto do dia sonolento. Pensava que, qualquer dia desses, poderia não despertar de novo. A ideia não o desagradava de todo; depois dos remédios, as visões diminuíram, era verdade. Mas também minguava seu interesse por qualquer outra coisa: leitura, estudo, pessoas. Vivia em um estado que não se importava se estava ali ou não.</p>
<p>E se era assim, por que simplesmente não parava de tomá-los?</p>
<p>Paulo tinha medo, esse era o motivo. Medo do que o espelho lhe guardava, do que os sonhos lhe reservavam quando voltasse a tê-los. Medo que escondia sob os cabelos negros, quase sempre desgrenhados. Sob as roupas desleixadas, amassadas e sem muito cuidado. Sob sua incapacidade de encarar espelhos.</p>
<p>Detestava-os. Evitava encará-los por mais tempo do que o necessário, pois, sempre que se distraía com sua própria imagem, eles estavam lá. Às vezes, de relance, fortuitos. Em outras, a visão era aterradora demais para que fizesse qualquer sentido.</p>
<p>Os olhos azuis encaravam o computador, exibindo a tela padrão do programa da loja de sua tia. O toque gelado na sua mão o fez estremecer e voltar a si. Automático, pegou a maquineta de código de barras e efetuou a venda. São R$ 53,29, senhora. Conferiu o troco duas vezes. Tenha um bom dia.<br />
Fingiu não notar o olhar preocupado da tia do outro lado do balcão. Sabia que ela o chamara para trabalhar apenas para tirá-lo de casa, de onde não saía desde que o tratamento havia começado. Olhou-a e forçou um sorriso rápido. Ela pareceu constrangida, mas retribuiu o gesto.</p>
<p>- Como está se saindo, querido?</p>
<p>- Me atrapalhei com os cartões, mas acho que está tudo bem. – respondeu, voltando o olhar para o monitor. Gostava da tia, e a semelhança com a mãe até o divertia, mas não acreditava que se importava com o que ela pensava.</p>
<p>- Não é disso que eu estou falando. Seu empenho eu posso ver, Paulo. Mas&#8230; – parou, como se procurasse as palavras. Inspirou brevemente e continuou. – Mas como você está se saindo aqui fora?</p>
<p>- Eu estou bem, tia. – olhou-a de volta, o mais normal que poderia parecer. O que exatamente ela queria dizer com “aqui fora”? – Não precisa se preocupar, eu estou bem. Quando não estiver, a senhora vai saber.</p>
<p>- E o trabalho? – Léia perguntou depois de algum tempo, sem conseguir disfarçar o constrangimento.</p>
<p>- É chato, repetitivo, mas ajuda a ocupar a cabeça.</p>
<p style="text-align:center;">****</p>
<p>Sob chuva, voltaram para casa aquele dia. Os fones de ouvido isolavam-no da MPB da tia, do barulho do motor e o mantinham acordado. A sonolência chegou repentina, e a chuva não ajudava. O fone de ouvido também inibia qualquer tentativa de socialização de Léia, o que já era grande consolo.</p>
<p>Despediu-se quando o carro parou e não esperou a resposta. Correu para o portão, sacando as chaves do bolso, e entrou em casa meio molhado. Sem se preocupar em cumprimentar ninguém, foi para o quarto. Tirou os tênis sem desamarrar os cadarços e desabou no colchão. Logo foi abençoado pela inconsciência do sono.</p>
<p style="text-align:center;">****</p>
<p>Os pés roçavam a terra afofada, afundando-se nela sem cerimônia. O cheiro de terra molhada invadia-lhe as narinas, indicando que devia ter chovido há pouco tempo. A lua erguia-se enorme no céu, banhando em prata as gotas de água na folhagem espessa da floresta que se abria diante dos seus olhos.</p>
<p>Os sonhos haviam voltado. Sabia que as visões também.</p>
<p>Não teve tempo para ponderar, porém. Primeiro, uivos, seguidos de um latidos indicando altos e em diferentes tons. Relinchares altos, trote desesperado de cavalos e um leve tremor sob seus pés indicaram-lhe que precisava fugir dali. Sem entender bem o porquê, correu para a mata.</p>
<p>É um sonho, repetia para si mesmo, enquanto corria desesperado. E sonhos não precisam fazer sentido. Logo acordaria em cima da cama, e estaria tudo bem.  Os galhos se quebrando sob seus pés, ou machucando seu rosto e braços, o faziam duvidar dessa certeza tão óbvia. Sentia o suor escorrendo, grudando no corpo inteiro; o calor abafado no coração da floresta, ausente de vento; a profusão de galhos e folhagens que pareciam querer atrapalhar-lhe a fuga.</p>
<p>Fugia. De quê? Não se atrevia a olhar, não queria constatar o óbvio: estava enlouquecendo. Vozes se juntaram aos relinchos, cada vez mais altos, mais próximos. Quase podia sentir o hálito quente dos animais na nuca. Risadas, gritos, grunhidos. Clangor de metal, emitindo um zunido que parecia capaz de estourar-lhe os tímpanos. Eles estavam vindo, e ele precisava sair dali.</p>
<p>Continuou correndo, adentrando cada vez mais na floresta, que se fechava ao seu redor. Poucos eram os raios de luz que conseguiam atravessar as folhagens pesadas. Com esforço, Paulo puxava o ar para os pulmões, arfando. O desespero o impediu de ver as altas raízes de uma árvore enquanto corria. Tropeçou e caiu sonoramente no chão.</p>
<p>Com os olhos arregalados de terror, vislumbrou seus algozes. O líder, uma criatura enorme, com o dorso de um cavalo e o resto do corpo de homem, encarava-o com um sorriso perverso de ódio. Olhos vermelhos e fumegantes, um rosto quadrado e largo. Em uma das mãos, uma espada de lâmina larga que emitia um estranho brilho azulado.</p>
<p>Atrás, seu séquito. Mais cavaleiros montados, cobertos da cabeça aos pés por um manto escuro moldado das sombras da noite. Outros monstros a pé, com a pele esverdeada e cheia de pústulas, de mãos desproporcionalmente grandes, com garras que se arrastavam na areia enlameada. Cães enormes, de patas esquálidas e olhos de um brilho azul faiscante.</p>
<p>- Finalmente nos encontramos, Alberon! – o líder cuspia as palavras numa voz retumbante. – E dessa vez sua magia simplória não o salvará.</p>
<p>- O que quer de mim? – Paulo gritou, a voz esganiçada pelo medo e pelo cansaço. – Me deixe em paz! Saiam daqui!</p>
<p>O pé doía de forma aguda, e sentia o sangue escorrer de um ferimento no calcanhar. A queda havia sido mais grave do que imaginava. As criaturas o encaravam, cercando-o, aproximando-se lentamente. Um dos cães avançou com um salto, abrindo a bocarra na direção do rosto do rapaz. Por instinto, Paulo levantou o braço, e sentiu as presas arranhando a pele. O líder, porém, tomou a frente, impedindo o avanço dos outros.</p>
<p>- Ele é só meu!</p>
<p>Rapidamente, o ser com patas de cavalo brandiu a espada colossal, descendo a arma na direção do peito do rapaz. Uma outra voz, claramente feminina, proferiu palavras em um idioma desconhecido, mas estranhamente familiar para Paulo. Um raio flamejante então cortou o ar, iluminando toda a turba por alguns instantes, e atingindo a criatura, que berrou de dor. O golpe, porém, ainda atingiu seu alvo.</p>
<p>Paulo sentiu a lâmina zunir pelo ar e cortar sua carne na altura do abdômen sem muito esforço. A dor o atingiu de súbito, intensa e incapacitante. Afundou o corpo na terra suja, gritando de dor. À distância, vislumbrou uma mulher em um vestido vermelho e cabelos compridos vindo em sua direção. Quem seria? Não sabia, mas estendeu-lhe a mão debilmente, antes de cair inconsciente mais uma vez.</p>
<p style="text-align:center;">****</p>
<p>Arrastava-se para a parte interna do castelo, embora a luta prosseguisse fora das muralhas. Lorde Alberon estava prestes a morrer, sabia disso. Seu sangue, sua essência mágica se esvaía em abundância do ferimento no abdômen. Ferro frio, uma liga rara de couro de dragão e ferro convencional.</p>
<p>Segurando-o por um dos braços, sua esposa, Promethea. Uma fada, a mais bela de todas, ajudava-o. Sua expressão denotava claramente a preocupação e o medo que carregava. Temia pelo Reino, pela batalha, e pelo seu marido. Mas sabia o que precisava ser feito, e sabia das consequências se não o fizesse.</p>
<p>Os olhos cor de âmbar do lorde feérico passeavam pela enorme sala decorada com os símbolos mágicos adequados. Tudo perfeito, tudo correto. Ele mesmo preparara, dias atrás, o ritual. Os augúrios sobre sua queda não falharam. Os outros magistas estavam ali, a postos para começar, apenas aguardando a invocação inicial.</p>
<p>Derramou-se no chão, sem forças para ficar de pé. Respirou fundo e, no tom mais alto que pôde, proferiu as palavras do complicado encantamento. Seu corpo feérico, sidhe, pereceria como toda matéria sem essência. Sua alma imortal, porém, não seria presa a uma arma vulgar de ferro frio. Estaria a salvo, em um plano longe dali, alojada no corpo de um mortal humano que carregasse, em suas veias, seu nome. No momento certo, despertaria.</p>
<p style="text-align:center;">****</p>
<p>Paulo acordou gritando para o quarto, de dor e de medo. Então, realmente não passava de um sonho. Gargalhou sozinho da situação. A floresta, a perseguição, nada além de um sonho perturbado.</p>
<p>A porta foi aberta estrondosamente. Sua mãe, descabelada, olheiras e a camisola desajeitada no corpo. Viu a expressão de horror crescer no rosto dela, mas não entendia por que. Puxou o ar para explicar e sentiu o líquido rubro espalhar-se pelo colchão. Seu sangue, de um ferimento na barriga. O pé esquerdo, certamente quebrado. A janela aberta dava para o jardim, e a lua ia alta no céu, indiferente.</p>
<p style="text-align:center;">****</p>
<p>O corpo, numa posição impossível, esfriava com a madrugada. O médico, agachado, preparava o corpo para colocá-lo na maca. Encarou os olhos azuis de Paulo e suspirou pesadamente. A morte, às vezes, podia ser a libertação.</p>
<blockquote>
<ul>
<li>Créditos da imagem: <a href="http://tatsu-subaru.deviantart.com/art/Freedom-92570892?q=boost%3Apopular%20freedom&amp;qo=0">Tatsu-subaru</a></li>
<li>Um doce pra quem advinhar as referências. <img src='http://s1.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </li>
</ul>
</blockquote>
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	</item>
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		<title>Aniversários</title>
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		<pubDate>Wed, 25 May 2011 15:47:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arton]]></category>
		<category><![CDATA[Fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversários]]></category>
		<category><![CDATA[Danna]]></category>
		<category><![CDATA[Liga Narrativa]]></category>

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		<description><![CDATA[A música corria pelo salão, o cheiro de comida impregnando toda a casa. As servas se apressavam de um lado para outro, conversas, pratos, talheres. A chuva de outono não permitiria a festa do lado de fora como ela gostaria, mas não havia do que reclamar. Aos dezesseis anos, era sua primeira festa de aniversário. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brainsstorm.wordpress.com&amp;blog=1509490&amp;post=320&amp;subd=brainsstorm&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_321" class="wp-caption aligncenter" style="width: 500px"><a href="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2011/05/grupo-lann.jpg"><img class="size-full wp-image-321" title="grupo-lann" src="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2011/05/grupo-lann.jpg?w=490&#038;h=341" alt="" width="490" height="341" /></a><p class="wp-caption-text">Danna, Toshio, Alastar, Keileen e Rogar</p></div>
<p>A música corria pelo salão, o cheiro de comida impregnando toda a casa. As servas se apressavam de um lado para outro, conversas, pratos, talheres. A chuva de outono não permitiria a festa do lado de fora como ela gostaria, mas não havia do que reclamar. Aos dezesseis anos, era sua primeira festa de aniversário.</p>
<p>- A debutante não vai aproveitar a festa? – a conhecida voz falava atrás dela, amigável e carinhosa. – É o seu presente, afinal de contas.</p>
<p>- E eu nem tenho palavras para agradecê-lo, milorde. – Danna se virou, sorrindo largamente. Usava um vestido em tons de verde, ressaltando os olhos da mesma cor. Sardas pontilhavam o rosto e os ombros à mostra, os cabelos negros presos em uma trança-raiz, que, esperava-se, não se soltaria durante a noite.</p>
<p>- Apenas divirta-se, pequena. É o melhor obrigado que você pode me dar.</p>
<p>- Eu havia pensado em outra coisa&#8230;</p>
<p>Ela se aproximou, mordendo pouco discretamente o lábio inferior. Nos olhos, parcamente escondido pela maquiagem, desejo. Victor Aerathis, seu lorde e senhor, aquele que a salvara dos seus irmãos de criação. Galanteador, mulherengo e aventureiro famoso. E que, por algum motivo, ainda não a tomara nos braços e na cama.</p>
<p>- Desça para a festa, criança. – era assim como a chamava quando esses assuntos vinham à tona. – Depois nos falamos.</p>
<p style="text-align:center;">*****</p>
<p>A chuva castigava o vilarejo de meio de caminho impiedosamente, trazendo também pancadas de granizo. Uma das precipitações mais violentas acordou Danna, que se limitou a abrir os olhos. No abdômen, o ferimento do dia anterior ainda doía, e o corpo pedia descanso da longa viagem. Ao menos teria a desculpa para não continuarem a viajar.</p>
<p>Na verdade, queria voltar a dormir. Apagar pelo dia inteiro para que ele passasse logo. Era o dia do seu aniversário, o primeiro longe de Allania, de Redskull e de Victor, seus dois pais. A vida era mesmo cheia dessas pequenas ironias.</p>
<p>- Danna-chan? – a voz do oriental, sempre discreto e furtivo, do outro lado do quarto. Sentiu-o pousar a mão calejada no ombro com sardas e cicatrizes. – Já acordada?</p>
<p>- Pela bunda de Valkaria, como você sabe? – perguntou sem virar o rosto. Estava frio, estava sem ouro nos bolsos, no meio de um buraco lamacento que não merecia ser chamado de reino, e estava triste.</p>
<p>- Você&#8230; respira diferente. – limitou-se a responder, a expressão impassível, como sempre. Nunca conseguiria deixá-lo com raiva? – O tempo será pesado pelo resto do dia. Como está seu ferimento?</p>
<p>- Doendo. Não seguiremos viagem. E além disso, preciso reparar a armadura. Amanhã partimos.</p>
<p>- Me deixe ver.</p>
<p>Virou o corpo na cama, mal humorada. As bandagens avermelhadas de sangue indicavam a ferida ainda aberta. Toshio retirou o curativo com cuidado, os olhos puxados concentrados. Pressionou a área ao redor do corte que atravessara a cota de malha, recebendo um ranger de dentes em resposta. Doía.</p>
<p>- Uma pequena infecção. Nada grave, mas você precisa de repouso, e deve manter a ferida limpa.</p>
<p>- Você pode fazer isso?</p>
<p>- <em>Hai.</em> – sem dizer mais nada, saiu, provavelmente para buscar o material. Danna sorriu, carinhosa. Ele reparava nas pequenas coisas, entonações de voz, verdades não ditas. Não perguntaria nada, ela tinha certeza. E talvez por isso, gostasse tanto da companhia dele.</p>
<p style="text-align:center;">*****</p>
<p>Victor atentava para os detalhes, e isso a agradava. A lareira acesa em uma noite particularmente fria de outono, e as mesas recostadas às paredes abriamespaço para a dança. O banquete já ia avançado e a música continuava. Chamar os artistas de bardos era bondade, mas eram músicos de algum talento. As chuvas enlamearam as estradas, e poucos se dispuseram a fazer a viagem.</p>
<p>Danna, porém, não se importava com aquilo. Estava radiante, dançando com Redskull, o cavaleiro enorme que a fazia de boneca no meio do salão. Àquela altura, já dançara com as amigas, com as servas que derramaram cerveja pelo chão e pelos vestidos, e entre os passos da dança improvisada, lançava olhares a um dos músicos, o mais apresentável deles. Tinha os cabelos nos ombros, escuros como a asa de um corvo, e um sorriso bonito. Só era um pouco magro demais. E entre os olhares, reconheceu nele a mesma expressão que dirigira a Victor antes da festa: desejo.</p>
<p>Talvez fosse divertido, afinal. Largou o pai, enorme e desajeitado, sentado a uma mesa e voltou ao salão. Lançara o desafio ao forasteiro, ao passo que, de soslaio, espiava lorde Victor. Ele era o presente que ela almeijava, mas, por enquanto, podia se contentar com o outro.</p>
<p>- Boa noite, jovem dama. Seu pai por acaso não vai brandir aquele machado enorme caso eu a convide para dançar, vai?</p>
<p style="text-align:center;">*****</p>
<p>Curativo refeito, humor melhorado. Não poderia celebrar seus vinte e três outonos com bardos e outros luxos, mas sabia que Victor gostaria de vê-la feliz. “Uma vez no inferno, dance com os diabos. Eles sabem fazer uma boa festa”, diria se estivesse ali. Certamente o inferno deveria ser um lugar melhor que Lannestul, mas Danna pensou que, em vida, seria o mais próximo do que ela chegaria.</p>
<p>Negociou com Eseld, a dona da estalagem em que estavam hospedados, um jantar com comida à vontade e um barril de cerveja por oito moedas de ouro. Mais as dez moedas do conserto da armadura, mais o que teria que pagar de estadia, e um par de novas roupas para viagem não fariam mal. É, precisaria arrumar um trabalho logo.</p>
<p>Mas era seu aniversário. Dar-se-ia ao luxo de não pensar sobre pragmatismos naquele dia.</p>
<p>- Chefa? – a voz de Keileen, chegando ao salão da estalagem, agora vazio. O andar gingado da ruiva denunciava que, apesar da pouca idade, ela já tinha visto muitas batalhas. – Tá melhor? Pode ser que a gente tenha trabalho.</p>
<p>- Trabalho do tipo que paga?</p>
<p>- E tem outro tipo de trabalho? – a meio-elfa sorriu, descontraída. – Mas eles querem falar com a chefa, pra variar. Ficaram de vir aqui no jantar.</p>
<p>- Bem, não vamos deixá-los esperando. Vamos até eles. – sorriu, levando a mão à espada. Não trataria de negócios em uma noite na qual provavelmente beberia até perder a memória. Não cairia bem a uma bem-nascida, afinal.</p>
<p style="text-align:center;">*****</p>
<p>Os lábios se roçando, o cheiro do vinho embalando o movimento dos dois corpos. A música minguava distante, a noite já alta, e com a maioria dos convidados dormindo. Os dois bailavam em outro ritmo, próprio, só deles, compassado, em um encaixe quase perfeito. Ele, experiente, explorava o corpo da jovem, passeando sem muita pressa. Ela, sedenta e agressiva, com o vigor e a impulsividade da juventude, mordia, cravava as unhas cuidadosamente tratadas para a noite do seu aniversário.</p>
<p>Abraçaram-se. No chão, as roupas finas de festa, desalinhadas e largadas, esquecidas. Aquele era o presente que desejava para a noite, que não poderia terminar melhor. A dança continuou, ávida, constante, crescente, inebriante. Danna mordeu os lábios, apertando-se mais no abraço e estremecendo. Fechou os olhos e se entregou ao momento, como nunca fizera antes. Amou-o. E sabia que, de alguma forma, ele também a amara.</p>
<p style="text-align:center;">*****</p>
<p>- Por que nós ganhamos comida de graça hoje? – a voz do guerreiro retumbava à mesa. Rogar era um homem inegavelmente grande, com mais músculos do que cérebro, e dono de uma habilidade inegável com o machado. – Podiam arrumar umas mulheres também!</p>
<p>- Eu não gostaria de mulheres. – protestou Kei, já alta pela bebida. – Ficaria satisfeita com uns homens diferentes dos feiosos de sempre. E por que você não vai atrás de umas mulheres pra você e pro chifrudinho aqui?</p>
<p>O “chifrudinho” era Alastar, o que Danna sabia ser tiefling, um herdeiro distante dos demônios que caminharam pelo mundo há séculos. Victor havia lhe falado brevemente sobre eles, o bastante para ela saber que eles são tão maus quanto qualquer pessoa. Ou seja: podem ir do melhor ao pior. E Alastar tinha olhos tão torturados que Danna imaginava que ele não lhes faria mal.</p>
<p>- Eu acho que posso escolher as mulheres sozinho, sem a ajuda de Rogar. – comentou o arcano, claramente sóbrio. O capuz cobria-lhe os relevos na testa, mas eventualmente deixava notar os olhos brilhantes.</p>
<p>- Mas eu posso lhe dar uns bons conselhos, mago! Eu já falei sobre a pérola?</p>
<p>As conversas continuaram, e Danna sorria. O ferimento dormente pela bebida. Para os próximos dias, trabalho. Para a noite, que mal começara, um banquete e diversão. Não podia reclamar, apenas torcia que, diferente das outras bebedeiras, aquela não terminasse com cadeiras e ossos quebrados.</p>
<p>- Danna-chan? – a voz sempre baixa de Toshio. – Podemos conversar?</p>
<p>- Conversar ou&#8230; <em>conversar</em>?</p>
<p>- Ambos&#8230; se você quiser. – respondeu com um meio sorriso.</p>
<p>- Eu não poderia pensar em um final de noite melhor. – concluiu com um sorriso largo.</p>
<blockquote><p>Essa é a minha participação na Liga Narrativa (que devia ter sido de abril, mas&#8230; enfim), com o tema de <strong>Festas</strong>. Danna é uma personagem de um jogo de RPG guiado pelo Dan Ramos, autor também da ilustração acima. Danna Aerathis é a filha bastarda de Victor, que descobriu sua herança na ocasião da morte do pai.  Após conflitos com o governo do reino, que  não a reconhecia como filha legítima para herdar as terras, fugiu e hoje vive vendendo sua espada. Você pode ler outros contos sobre ela <a title="A boa filha" href="http://brainsstorm.wordpress.com/2011/02/08/a-boa-filha/" target="_blank">aqui </a>e <a title="Pequenas sombras da guerra" href="http://doiscontos.wordpress.com/2011/02/10/pequenas-sombras-da-guerra/" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>Outros membros da Liga que participaram da brincadeira:</p>
<p>Italo &#8211; <a href="http://rascunhosdeumamente.blogspot.com/2011/04/cylon-party.html" target="_blank">Cylon Party</a></p>
<p>Mário (Jagunço) &#8211; <a href="http://www.dot20.com.br/2011/04/27/dialogos-feericos/" target="_blank">Diálogos Feéricos</a></p>
<p>Marlon &#8211; <a href="http://www.roleplayer.com.br/2011/05/liga-narrativa-fim-de-festa/" target="_blank">Fim de festa</a></p></blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/brainsstorm.wordpress.com/320/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/brainsstorm.wordpress.com/320/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/brainsstorm.wordpress.com/320/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/brainsstorm.wordpress.com/320/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/brainsstorm.wordpress.com/320/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/brainsstorm.wordpress.com/320/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/brainsstorm.wordpress.com/320/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/brainsstorm.wordpress.com/320/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/brainsstorm.wordpress.com/320/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/brainsstorm.wordpress.com/320/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/brainsstorm.wordpress.com/320/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/brainsstorm.wordpress.com/320/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/brainsstorm.wordpress.com/320/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/brainsstorm.wordpress.com/320/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brainsstorm.wordpress.com&amp;blog=1509490&amp;post=320&amp;subd=brainsstorm&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A boa filha</title>
		<link>http://brainsstorm.wordpress.com/2011/02/08/a-boa-filha/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Feb 2011 23:28:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arton]]></category>
		<category><![CDATA[Fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Todos os anões podem ser bastardos, mas nem todos os bastardos precisam ser anões&#8221;. (Tyrion Lannister, A Game of Thrones) Indecisa, a garota segurou o cabo da espada com as duas mãos. Seu pai, um homem enorme e de uma farta barba ruiva, manejava o machado grande com uma naturalidade invejável, enquanto ela mal conseguia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brainsstorm.wordpress.com&amp;blog=1509490&amp;post=312&amp;subd=brainsstorm&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;"><em>&#8220;Todos os anões podem ser bastardos, mas nem todos os bastardos precisam ser anões&#8221;.</em></p>
<p style="text-align:right;"><em>(Tyrion Lannister, A Game of Thrones)</em></p>
<p>Indecisa, a garota segurou o cabo da espada com as duas mãos. Seu pai, um homem enorme e de uma farta barba ruiva, manejava o machado grande com uma naturalidade invejável, enquanto ela mal conseguia levantar a lâmina. Não era uma moça franzina, pelo contrário. Alta, tinha pernas fortes e bem torneadas, mas sempre foi um pouco desajeitada. Longos cabelos negros pendiam amarrados em uma trança, enquanto os olhos verdes iam do machado ao rosto do pai. Sabia que ele queria que ela fosse capaz de se proteger; a guerra se aproximava e, apesar de servir a um lorde, não poderiam prever quando seria necessário brandir uma espada.</p>
<p>- É assim que você vai lutar pela sua vida, mocinha? – a voz do pai retumbava, em um tom diferente do habitual. Estava sério como não costumava ser. Normalmente expansivo e bem humorado, Redskull parecia levar aquele treino como um dever a cumprir. Com um golpe rápido, prendeu a lâmina da espada no machado e, sem esforço, desarmou-a. A espada caiu com um baque seco no chão afofado pela chuva do dia anterior. – Você já estaria dividida em três pedaços agora. Vamos, pegue a espada. De novo.</p>
<p>Danna deu um olhar desconfiado para o machado do pai enquanto se abaixava, quase não notando os passos que se aproximavam. Se havia aprendido alguma coisa sobre lutas é que não podia se distrair; os hematomas do treino anterior ainda não a deixavam dormir bem. Claro que seu pai não a machucaria de verdade, mas ele adorava pregar peças, “como uma amostra do que pode acontecer em uma batalha real”.</p>
<p>- Redskull, é desse jeito que você pretende ensiná-la? – a voz era inconfundível. Victor Aerathis se aproximava calmamente, usando roupas de montaria. Mesmo vestindo roupas mais simples e resistentes, mantinha um porte nobre, altivo. Era o senhor daquelas terras, embora às vezes, só às vezes, Danna esquecesse isso. Não era raro encontrá-lo junto aos trabalhadores, bebendo uma cerveja barata e soltando galanteios para as mulheres. – Desse jeito vai fazer a menina perder uma mão, ou coisa pior!</p>
<p>- Oras, e quem você pensa que é para se meter nos assuntos da minha filha? – em tom brincalhão, trocaram apertos de mão e um breve abraço. Aquele tipo de lealdade, entre escudeiro e senhor, talvez ela nunca entendesse. Mas enchia-se de um orgulho besta ao ver a relação que o pai mantinha com aquele homem. Redskull, um grandalhão simplório, muitas vezes aconselhava Victor na administração das terras, dando-lhe uma opinião honesta sobre o que acontecia. E aquilo vinha funcionando muito bem, pelo que sabia.</p>
<p>- Vou deixá-los a sós, se me permitem. – despediu-se, fazendo uma mesura ao lorde. – Sei que têm assuntos a tratar. As lições podem ficar para amanhã, papai.</p>
<p>- Na verdade, pequena Danna, vim pedir os préstimos do seu pai. Algumas questões estão incomodando nas terras ao sul, e preciso que ele resolva isso pessoalmente. Eu mesmo iria, mas há uma comitiva para chegar daqui a alguns dias e sei que seu pai não gosta de lidar com a corte. – os dois trocaram um olhar breve, porém expressivo.– Você partirá pela manhã, sir. Passarei os detalhes mais tarde, no jantar.</p>
<p>- Pai, me leve com você! – pediu Danna. A ausência do pai significava a retomada dos maus tratos em casa. Sua madrasta, uma mulher reclamona, aproveitava as frequentes viagens do marido para usá-la como a criada que não tinha. – Eu não quero ficar aqui com aquela&#8230; mulher. E como eu vou aprender a lutar se você não fica uma semana em casa?</p>
<p>- Você está louca, menina? É perigoso! Imagina se acontece alg-</p>
<p>- Eu <em>não quero </em>ficar com aquela bruxa! – viu-se quase gritar. Não costumava desobedecê-lo, mas aquela mulher a enervava. Recebeu um olhar pesado do pai e respondeu em silêncio, os maxilares travados. Relaxou apenas quando ouviu Victor dizer:</p>
<p>- Eu não posso obrigar Redskull a levá-la, mas posso compensá-la, se me permitir. Sou um professor melhor que o seu pai, isso eu garanto. Não gostaria de ficar uns dias hospedada em minha casa?</p>
<p style="text-align:center;"><strong>**********</strong></p>
<p>Anos depois, Danna entenderia porque Victor Aerathis, um dos heróis do reino de Allania, tinha tanta afeição por ela. E não era o mesmo interesse que ele demonstrava às outras mulheres a quem proferia tantos galanteios. Era algo diferente, embora ela não conseguisse precisar realmente. Durante aquela semana, tudo o que fez foi deleitar-se com a casa senhorial, o quarto tão mais limpo e arrumado que o seu, e com a companhia nos treinos de espada.</p>
<p>Quando a comitiva da corte chegou ao feudo, Danna descobriu porque Victor mandara Redskull para fora. Era um duelo, porém um duelo diplomático. “Negociações agressivas”, como o lorde definiu dias depois, enquanto conversavam bebendo vinho. Apesar de estar presente no jantar, vestindo roupas que não eram suas – e por isso um pouco curtas demais – não chegou a opinar sobre o assunto. A comitiva queria que Victor despendesse parte de seus homens para uma missão de reconhecimento. Ora, a Coroa não tinha pessoas especializadas nesse tipo de tarefa?</p>
<p>Outra pessoa à mesa roubava-lhe a atenção. Talvez como bandeira de paz, alguns nobres menores da corte vieram junto com a comitiva. Um rapaz dirigia-lhe olhares corteses, embora claramente interessados. Era uma moça bonita e sabia disso. Sabia também que aquele jovem não procurava nada além de alguém para aquecer-lhe a cama depois do jantar. Considerou aquilo um desafio. Se ele queria, que viesse buscar.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>**********</strong></p>
<p>Mais tarde aquela noite, Danna tentava passar sorrateira pelo corredor dos quartos designados aos hóspedes. Jon, esse era o nome do rapaz, ressonava profundamente àquela altura. Concentrada que estava tentando não fazer barulho, só percebeu que estava acompanhada quando sentiu a mão no seu ombro desnudo usando o conhecido sinete, um toque com o qual já estava familiarizada, seguida de uma discreta tosse forçada. Victor.</p>
<p>Tentou pensar em pelo menos três histórias diferentes, nenhuma delas muito convincente. Porcarias, porcarias, porcarias. Enrolada no lençol e segurando o vestido, ensaiou sua expressão mais natural o possível. Mentir seria de pouca valia. Devagar, virou-se para o lorde, e optou pelo caminho mais honesto.</p>
<p>- Eu&#8230; espero não ter desapontado-o, senhor.</p>
<p>- E por que desapontaria? Qual o problema de buscar uma noite prazerosa? – abriu um sorriso largo, os caninos proeminentes. &#8211; Não há nada de errado nisso. Fico feliz que alguém tenha conseguido algo essa noite. Se divertiu?</p>
<p>- Er&#8230; sim&#8230; mas&#8230; o senhor pode não contar nada pro meu pai? Não acho que ele ia ficar exatamente feliz comigo se&#8230; hã, souber do que&#8230;</p>
<p>- Estou certo de que seu pai não ia ficar chateado se souber o que aconteceu aqui. – falou Victor, em um tom carinhoso. – Mas não se preocupe, não contarei nada a Redskull. Comentar as aventuras de uma dama não é a postura de um cavalheiro.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>**********</strong></p>
<p>Quatro anos depois, foi com um senso de urgência que entrou novamente no solar senhorial. Sem se preocupar muito com cortesia ou boas maneiras, correu aos atropelos para o quarto. Alguns criados cercavam-no, deitado no leito, tentando de alguma forma parar o inevitável. Vitimado por um veneno inoportuno, destilado por uma criatura invejosa e pérfida, Victor Aerathis falecia sem um herdeiro legítimo.</p>
<p>- Meu senhor, Redskull disse que&#8230;</p>
<p>- Pro inferno com as formalidades, pequena. – a voz era fraca e rouca. A pele, antes com um bronzeado natural, agora empalidecia. Victor parecia bem mais velho deitado no leito, debilitado e fraco. Os cabelos negros esparramados nos travesseiros, as mãos, antes com apenas calos da empunhadura do sabre, agora ressecadas. E pensar que há poucas horas&#8230; – Sim, eu queria ver você. Gostaria de ter dito tudo isso antes, mas&#8230; espero que possa me perdoar um dia.</p>
<p>Com esforço, ele se colocou sentado. Chamou uma das criadas que lhe trouxe uma pequena caixa dourada, ricamente entalhada e abriu-a com alguma dificuldade. Dentro, um rubi brilhava, preso a uma corrente prateada. Apesar da fraqueza, Danna notou que ele olhava a joia com um sorriso nostálgico no rosto.</p>
<p>- Esse pendante&#8230; era da sua mãe. Ela pediu que eu entregasse pra você, filha.</p>
<p>Sem ação, a jovem o encarava, os grandes olhos verdes arregalados. Não sabia se chorava, se explodia de raiva, se terminava de matá-lo. Filha? Por isso o cuidado, o carinho, a atenção, os presentes, os treinamentos. Era uma bastarda. As mãos de dedos longos trêmulas seguraram a pequena caixa e, sem que percebesse, lágrimas caíram-lhe pelo rosto. Como pôde não notar isso antes? A semelhança era clara àquela altura: a pele levemente bronzeada, os cabelos negros e brilhantes, o mesmo sorriso largo de caninos pontiagudos&#8230;</p>
<p>Com reverência e ainda em silêncio, passou o pendante pelo pescoço. Ele sorriu e antes de tornar a deitar-se, com um gesto, pediu que a criada lhe trouxesse uma espada de lâmina longa, com um rubi semelhante incrustado. A arma brilhava à fraca luz, mas mostrava-se como recém-forjada. Uma espada bastarda.</p>
<p>- Mais uma das promessas que sua mãe me fez cumprir. Você deveria aprender o caminho da espada, e isso você fez muito bem. – um acesso de tosse violento o interrompeu. Não teria muito tempo, sabia disso. – Procure pela pedra sangrenta. Ela ficará orgulhosa de você, tanto quanto eu.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>********** </strong></p>
<p>Danna ouvira histórias de bastardos atormentados e infelizes. Não teve uma infância feliz, mas conforme dava passos resolutos em direção à casa de Redskull, cultivava um orgulho que não sabia bem explicar o porquê. Não era uma filha legítima, não sabia em era sua mãe, foi enganada por toda sua vida. Não deveria estar feliz, e não estava. Saber que era filha de um nobre e que teve sua paternidade renegada pelas politicagens e convenções sociais, porém, preencheu-a de uma esperança inexplicável. A infância dura e difícil teve seus motivos. Sua madrasta a detestava não porque era filha de um primeiro casamento, mas por ter sangue nobre. Redskull era leal a seu senhor, e nem uma filha poderia se intrometer nisso. Segurava a espada embainhada quando ouviu gritos vindos da casa. Tomada pelo mesmo senso de urgência de antes, correu para dentro do lugar.</p>
<p>- Você o matou, sua cadela miserável! – gritava Redskull, o rosto tão vermelho quando os cabelos e a barba farta. – Matou os senhores dessa terra! Matou lady Aleena! Você tem ideia do que fez, mulher?! Você tem ideia?!</p>
<p>- Sim, eu matei eles! – a mulher de meia idade berrava de volta. – Matei aquela putinha que brincava de ser nobre com quem você se deitava, matei aquele marido frouxo que não conseguia satisfazer a própria esposa! E o melhor, meu marido, é que tudo vai cair sobre os seus ombros! Você era o escudeiro dele! Você foi a última pessoa a vê-lo, enquanto enchiam a cara com vinho! Você cuidava das montarias dela! Você vai pagar pelo que fez com a<em> minha vida</em>, seu maldito!</p>
<p>Com uma tapa forte, a mulher caiu sonoramente no chão, derrubando uma cadeira. Redskull era um homem enorme, e não costumava pensar muito antes de fazer qualquer coisa, principalmente se tomado pela raiva. Danna tentou pensar nas implicações dos acontecimentos daquela noite, mas não teve muito tempo. Só sabia que o escudeiro leal de seu pai pagaria pelos crimes de uma desgraçada. E aquela criatura matou seu pai. Danna merecia sua vingança.</p>
<p>- Redskull! – gritou a plenos pulmões. Não conseguiria chamar a atenção de outra forma. O grito pareceu-lhe mais um rugido, como se externasse seus mais primitivos instintos. Os dois voltaram os olhares para ela, parada ali na porta, segurando a espada bastarda. – Vá embora daqui. Ela é minha.</p>
<p>O guerreiro logo se recompôs da surpresa, mas a mulher, não. Caída no chão, ela ali continuou, encarando a outrora enteada.</p>
<p>- Você me ouviu. Vá embora daqui, fuja dessas terras. Você vai ser visto como culpado, não importa o que se diga. Ela pagará pelo que fez.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>********</strong></p>
<p>Com a lembrança do sangue da madrasta na espada, Danna recebeu os mensageiros da Coroa em um jantar simples. Não demorou até que as notícias do assassinato de Victor corressem, e foi com os modos que aprendeu com o pai que recebeu os enviados para “negociações agressivas”.</p>
<p>- Então, senhorita, há de convir que está em uma situação delicada aqui.</p>
<p>- Apenas não entendo o porquê. Há testemunhas aqui que podem garantir o testemunho de meu pai a respeito do parentesco. Como ele não teve herdeiros-</p>
<p>- Sem querer macular a memória do lorde Victor Aerathis, sabia-se que ele era dado a galanteios. Então, como não garantir que outros na mesma situação que você apareça? A Coroa teria um problema familiar a resolver que apenas mancharia a reputação de um herói reconhecido pelo rei, e levaria anos, talvez décadas. Além disso, a palavra de um homem moribundo não será de valia para o julgamento da causa. – falou o mensageiro em tom definitivo. – Mas é claro que podemos pensar em alguma compensação, como um casamento com o futuro dignatário&#8230;</p>
<p>- Meu caro, acho que não nos entendemos aqui. – interrompeu a jovem, levantando-se, as mãos apoiadas na mesa de madeira. – Essas terras são minhas por direito, e se a Coroa não reconhece isso, eu não me importo de lutar pelo que é meu. Meus homens vão escoltá-lo às suas montarias.</p>
<p>Antes que pudesse pronunciar qualquer ordem aos seus guardas, o mensageiro viu-se cercado. Os guardas do feudo apontavam lanças e espadas para a escolta, enquanto dois deles colocaram-se de lado do arauto, flanqueando-o. Naquela noite, Danna aprendeu que com palavras, se começa uma guerra.</p>
<p style="text-align:center;">**********</p>
<p>Depois de quase um mês de cerco, ela sabia que perderia. Houve poucas baixas, mas a fome e a sensação de enclausuramento minavam as forças dos homens, e a sua própria. Mas ela sabia também que a Coroa não estava interessada em perder mais homens de armas em tempos de guerra: eles buscavam por ela, e somente ela. Um bode expiatório, alguém para culpar e responsabilizar. Em uma noite, mandou que os soldados se rendessem sem resistência. Deixara um cavalo preparado para a fuga e, após ter a certeza de que seus homens ficaram bem, fugiu. No pescoço, o pendante rubro. Na bainha, a espada que aprendeu a usar com o pai. No coração, a certeza de que um dia voltaria ali e retomaria o que era seu.</p>
<ul>
<li><em>Prelúdio da minha personagem para o jogo do Daniel Ramos. Uma ideia que era para ser pequena e acabou ganhando mais páginas do que deveria. ;]</em></li>
</ul>
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		<title>Um inferno especial &#8211; Parte 1</title>
		<link>http://brainsstorm.wordpress.com/2011/01/21/um-inferno-especial-parte-1/</link>
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		<pubDate>Fri, 21 Jan 2011 01:44:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Hunter HS]]></category>
		<category><![CDATA[Hunter High School]]></category>
		<category><![CDATA[Kate]]></category>

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		<description><![CDATA[- Eu não tenho realmente escolha, não é? - Isso não é uma democracia. Ela revirou os olhos, entediada. Olhou para a mochila surrada, que a acompanhara em tantas viagens por aí. Ao invés de roupas e cobertores, dessa vez levava livros e cadernos. Tudo parecia um passado distante agora. - E eu também arrumei [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brainsstorm.wordpress.com&amp;blog=1509490&amp;post=302&amp;subd=brainsstorm&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-303" title="kate commission small" src="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2011/01/kate-commission-small.jpg?w=490&#038;h=681" alt="" width="490" height="681" /></p>
<p>- Eu não tenho realmente escolha, não é?<br />
- Isso não é uma democracia.</p>
<p>Ela revirou os olhos, entediada. Olhou para a mochila surrada, que a acompanhara em tantas viagens por aí. Ao invés de roupas e cobertores, dessa vez levava livros e cadernos. Tudo parecia um passado distante agora.</p>
<p>- E eu também arrumei um trabalho pra você. Pra depois da aula. Lembra da Shelly?<br />
- Claro, ué. É a dona da lanchonete ali embaixo, que te olha como se você fosse a última garrada de água do deserto. Ela comentou mesmo que queria uma ajuda pra servir as mesas.</p>
<p>Não olhou Gregor de volta porque não quis encarar o olhar reprovador em resposta, embora pudesse senti-lo ainda assim. Ele não era de muitas palavras, mas com o tempo, Kate descobriu que não precisava muito delas. Os olhares e as sobrancelhas falavam muito mais.</p>
<p>- Você vai continuar caçando. &#8211; declarou, a mão prestes a abrir a porta do carro. Quatro anos de convivência eram o bastante para entendê-lo, em partes. &#8211; E tudo isso é pra eu ocupar meu tempo, não é?<br />
- O que eu quero é uma vida normal para você. Faculdade, trabalho, casamento talvez, essas coisas. Ou você quer terminar como eu? &#8211; uma pausa, breve, de quem quer encerrar o assunto. &#8211; Repasse a história que combinamos.</p>
<p>Suspirou, desconsolada. Talvez se ela reprovasse miseravelmente nos testes da escola, ele desistisse. Olhou para o prédio &#8211; em letras garrafais, uma placa anunciava seu destino: Northwest High School. Outros jovens se dirigiam ao prédio, conversando animadamente. Se sentia em um filme de comédia colegial, em que atores de 25 anos fingiam ter 17. Esperou alguém sair de uma porta cantando uma música sobre como é bom estar de volta às aulas, e sorriu do próprio devaneio.</p>
<p>- Você vai ser meu tio, casado com a irmã da minha mãe. Meus pais morreram em um acidente de carro, e foi onde eu consegui a cicatriz. &#8211; falou, apontando a marca no antebraço, parcialmente encoberta com uma munhequeira.<br />
- Certo. Eu vou viajar. Até o final da semana, estou de volta. Até lá, misture-se. Faça coisas que pessoas da sua idade fariam. Você sempre foi boa em fazer bobagens.<br />
- Um inferno especial, Gregor. Um inferno especial para você.</p>
<p>Bateu a porta do carro e encarou mais uma vez o prédio. As janelas eram grandes e envidraçadas. Sentaria do lado de uma delas, pois se tudo desse errado, poderia tentar sair correndo feito uma louca. Viu os grupinhos se formando nos arredores da escola: os valentões do time de futebol; as líderes de torcida cochichando; os <em>nerds </em>e seus casacos de flanela; e os <em>undergrounds</em>, com <em>piercings </em>e cores de cabelo gritantes. Segurou a alça da mochila com força, apreensiva. Tinha certeza de que não pertencia a nenhuma das panelinhas. E aquilo a angustiava.</p>
<p>Deu os primeiros passos pelo caminho de blocos de concreto que davam para o corredor principal da escola. Era a novata, afinal de contas. O discurso sobre se misturar martelava-lhe a cabeça, mas Kate não fazia ideia de por onde começar. Respirou fundo e continuou a caminhada, mais resoluta. Oras, ela era a novata, afinal de contas. Não demorou para que os primeiros olhares viessem em sua direção &#8211; a maioria de rapazes. Sorriu levemente para alguns e continuou. Era um começo.</p>
<p>- Você que é Katherine, certo? Meu nome é Mark. E eu vou ser seu guia.</p>
<p>Não conseguiu esconder a surpresa no olhar, tanto pela aparição repentina quanto pela aparência do rapaz. Magro, usava uma calça justa e tantos piercings que a jovem se perguntava como cabiam tantos em uma orelha só. Um cabelo loiro pálido emoldurava o rosto muito branco do rapaz, que com um olhar mais atento, era possível perceber que usava maquiagem.</p>
<p>Maquiagem? Kate não usava maquiagem há tanto tempo que não conseguiu deixar de reparar. Onde esteve que a moda mudou tanto?</p>
<p>- Hm, praz-<br />
- Essa é a escola, e aquele é o seu grupinho. &#8211; interrompeu, apontando para as garotas que pareciam saídas de As Patricinhas de Bervelly Hills. &#8211; E fim do <em>tour</em>.</p>
<p>Algumas escolas tinham programas de recuperação de notas através de &#8220;serviços prestados à comunidade escolar&#8221;; era um modo de &#8220;integrar o aluno à instituição&#8221;, ou qualquer baboseira desse tipo. Olhou mais uma vez para o grupo de garotas que conversavam sérias entre si &#8211; talvez uma delas estivesse até chorando &#8211; e teve a profunda certeza de que, se tivesse um grupo, não seria aquele.</p>
<p>- Eu agradeço a explicação contundente, Mark. E pode ter certeza de que vou falar muito bem de você para a supervisora escolar. &#8211; a ironia ela clara, e um leve sorriso decorava o rosto da jovem. &#8211; Mas que coincidência, não é a senhora Wellow que vem ali?</p>
<p>Uma mulher que passava dos cinquenta anos se aproximava, vindo da parte administrativa. Trazia um semblante carregado, mas que logo amenizou ao ver a jovem. Com um pouco mais de um metro e meio, a senhora andava a passos rápidos, os sapatos de salto ressoando no chão. Trazia o cabelo preto rigorosamente preso em um coque alinhado, e uma blusa de botões lisa completava o conjunto. Uma saia marrom, na altura do joelho, deixava entrever a meia calça que vestia para encobrir as marcas da idade.</p>
<p>- Vejo que já conheceu seu guia, srta. Carter. &#8211; ela sorria, aquele sorriso fabricado para os alunos novatos no início do ano. Parecia cansada e abalada. &#8211; Senhor Sullivan, já está ciente de suas atribuições para com esta jovem, não?</p>
<p>O rapaz olhou para Kate antes de se voltar para a supervisora, um olhar de puro ódio. A garota apenas sorriu em resposta, divertida. Não era seu tipo, mas causar um pouco de sofrimento a outra pessoa deixara-a sadicamente feliz. Escutou o rápido diálogo entre os dois, sorrindo sem mostrar os dentes, e foi com o mesmo sorriso que ouviu Mark dizer:</p>
<p>- Vadia.</p>
<p style="text-align:center;">**********</p>
<p>Uma grande foto, emoldurada por uma coroa de flores, fora instalada no corredor de entrada. Uma moça sorridente, com cabelos claros de cachos grandes recebia os estudantes que chegavam. Acima dela, com uma caligrafia caprichada, lia-se: &#8220;Memorial em nome de Susan Marshall&#8221;. Na mesa abaixo da moldura, também decorada com flores, vários cartões e mensagens. Aquele era o motivo para as estudantes chorosas, então. Sem pensar muito, pegou um dos cartões empilhados, que traziam escrito: Deixe aqui sua mensagem&#8221;.</p>
<p>- O que você quer comigo, afinal? &#8211; a voz de Mark a arrancou dos pensamentos. &#8211; Não sei se deu pra sacar, mas eu não sou da sua galera.<br />
- Acredite, eu queria não estar aqui. Muito menos com você. Mas se você vai ganhar alguma vantagem às minhas custas, vai ter que trabalhar pra isso, gostando ou não. Pode começar me dizendo quem era a moça.<br />
- Além de metida você é analfabeta? Não sabe ler?<br />
- Você não quer que eu faça um mau relatório a seu respeito, mané.</p>
<p>O rapaz sorriu, embora Kate não conseguisse identificar o que ele estivesse querendo dizer. Teve vontade de enfiar um soco nas fuças daquele idiota, mas problemas desse tipo no primeiro dia de aula não lhe soavam nada &#8220;normais&#8221;. Segurou a alça da mochila e começou a andar, e então ouviu-o falar:</p>
<p>- Era uma das líderes de torcida. Morreu num acidente de carro, na saída da cidade. Satisfeita agora?</p>
<p>Kate não respondeu, mas olhou mais uma vez para a foto. Tudo fazia sentido agora. Primeiros dias de aula são conhecidos por trotes sem sentido, que normalmente terminam com alguém no hospital. Aparentemente, o único trote que sofreria era do destino, colocando Mark como seu &#8220;guia&#8221;. Guardou o cartão com cuidado no bolso externo da alça.</p>
<p>- Até quando eu tenho que aguentar você? &#8211; perguntou, andando em direção à sala.<br />
- <em>Eu </em>tenho que aguentar <em>você </em>até o final da semana.</p>
<p>Cinco dias. Greg fora da cidade, provavelmente fazendo alguma coisa muito mais divertida e perigosa, e ela fingindo ser uma estudante normal vinda do Texas. Pelo menos ainda tinha o sotaque.</p>
<p style="text-align:center;">**********</p>
<p>Sentia frio, muito frio. Durante muito tempo vagou na escuridão, passando por lugares tantos que perdeu a noção de si. As memórias eram confusas, assemelhando-se a um mosaico incompleto e truncado. Entre diferentes cores e tamanhos, tentava montar algo que fizesse sentido.</p>
<p>E então uma dor imensa, perfurando-lhe o braço esquerdo. Uma, duas, três vezes. Contínua, cortante, inmensurável. Mais intensa do que&#8230; há quanto tempo tinha acontecido?</p>
<p>Gritou alto e profundamente, como nunca achou que conseguisse. Ele a trouxera até ali: um lugar escuro, apertado e claustrofóbico. Seu braço doía, mas não estava ferido. Como era possível?</p>
<p>E então, olhando para si, no chão, compreendeu. O mosaico ganhou forma em sua mente e a raiva possuiu sua forma tão real e tão efêmera.</p>
<p>Aquele homem a ajudaria, mas queria favores em troca.</p>
<p>Não importava. Teria sua vingança.</p>
<ul>
<li><em>Início do projeto Hunter High School. =D</em></li>
<li><em> Desenho da talentosíssima Camilla Guedes. Dêem uma olhada na galeria da moça <a href="http://solfieri.deviantart.com/" target="_blank">AQUI</a>!</em></li>
</ul>
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		<title>Resenha &#8211; Enrolados (Rapunzel)</title>
		<link>http://brainsstorm.wordpress.com/2011/01/16/resenha-enrolados-rapunzel/</link>
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		<pubDate>Sun, 16 Jan 2011 04:07:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Enrolados]]></category>
		<category><![CDATA[Rapunzel]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>

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		<description><![CDATA[Semana passada vi Enrolados (a adaptação Disney de Rapunzel), e preciso dizer que gostei. Não do 3D, que também não é tão decepcionante quanto o de outros filmes, mas o resto é bem legal. Exceto a dublagem do Luciano Huck, claro. O filme é bonito, embora eu não acho que devesse esperar menos da Disney. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brainsstorm.wordpress.com&amp;blog=1509490&amp;post=295&amp;subd=brainsstorm&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_296" class="wp-caption aligncenter" style="width: 402px"><a href="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2011/01/tangled-disney-550x289.jpg"><img class="size-full wp-image-296 " title="Tangled-Disney-550x289" src="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2011/01/tangled-disney-550x289.jpg?w=490" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Frigideiras são ótimas armas. Não as subestime.</p></div>
<p>Semana passada vi <em>Enrolados </em>(a adaptação Disney de Rapunzel), e preciso dizer que gostei. Não do 3D, que também não é tão decepcionante quanto o de outros filmes, mas o resto é bem legal. Exceto a dublagem do Luciano Huck, claro.</p>
<p>O filme é bonito, embora eu não acho que devesse esperar menos da Disney. A longa experiência do estúdio com animação já rendeu muita credibilidade à técnica utilizada nos filmes. Os movimentos dos personagens são muito fluidos, os cenários são exuberantes, e os cabelos ficaram muito bem feitos. A técnica é algo que surpreende no início e, apesar de alguns terem estranhado o tamanho dos olhos de Rapunzel (com os quais eu não vi nenhum problema), achei que a transposição do estilo Disney de desenhar para a CG ficou muito bem feita, mantendo as características que o tornou tão marcante e facilmente reconhecível.</p>
<p>O filme é muito divertido. Em relação ao conto original, várias adaptações foram feitas, mas isso não chega a ser realmente novidade no histórico do estúdio. Na verdade, até me arrisco a dizer que foram mudanças feitas para melhorar a história, e torná-la mais atrativa. Rapunzel é, na minha humilde opinião, um dos contos mais sombrios e explícitos entre os contos de fada que conheço. Uma transposição mais literal não seria bem sucedida como filme para diversão e, certamente, não estaria nos planos do estúdio.</p>
<div id="attachment_297" class="wp-caption aligncenter" style="width: 402px"><a href="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2011/01/tangled-disney-movie.jpg"><img class="size-full wp-image-297 " title="tangled-disney-movie" src="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2011/01/tangled-disney-movie.jpg?w=490" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Era o nariz do Luciano Huck, com certeza.</p></div>
<p>O que eu mais gostei de ver, entretanto, foram personagens mais dúbios: a ambivalência e o conflito bem/mal prevalecem (você esperava outra coisa?), mas eu senti uma presença maior de ambiguidade, de motivações pessoais. O mocinho é um ladrão bonachão, metido a conquistador, mas que no final reconhece na Rapunzel ingênua e delicada; a madrasta (famosas madrastas!) não é flor que se cheire, mas não é realmente aquela vilã saída das profundezas de um caldeirão mágico, moldada para o mau. Ponto positivo!</p>
<p>A ingenuidade de Rapunzel, entretanto, pode cansar. No início é divertido e engraçado, mas a recorrência disso acaba minando um pouco a presença da personagem. Claro que, por ter ficado trancada em uma torre por dezoito anos, isso é plenamente justificável, mas admito que Fiona de <em>Shrek</em>, bem como Tiana de <em>A Princesa e o sapo </em>devem ter me estragado nesse sentido. Não é nada que estrague o filme, de forma alguma!</p>
<div id="attachment_298" class="wp-caption aligncenter" style="width: 402px"><a href="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2011/01/tangled-disney-princess-15698375-639-359.jpg"><img class="size-full wp-image-298 " title="Tangled-disney-princess-15698375-639-359" src="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2011/01/tangled-disney-princess-15698375-639-359.jpg?w=490" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Sua mãe sabe mais!&quot;</p></div>
<p>A forma como o filme fala, tanto para pais quanto para filhos, é também muito interessante. Rapunzel vive um conflito pelo qual todos passamos: o momento de ganhar maior independência dos pais. O medo de decepcionar a si e aos pais, a insegurança de um mundo que se abre cheio de possibilidades e armadilhas, o desejo de ganhar asas e ver-se livre das restrições, tidas como exageradas. A madrasta também, afinal! Ela mantém, por motivos puramente egoístas, a heroína isolada do resto do mundo, e tenta mantê-la presa ao lar de todas as formas. Essa é uma representação extrema, claro, mas a mensagem é clara: filhos são para o mundo, não para si. Com a orientação adequada, essa fase pode ser superada de maneira feliz.</p>
<p>Em suma, é um bom filme, com animação exímia e situações que vão arrancar boas risadas, além de vários “Ooooww”. Recomenda-se assistir com uma criança por perto. Torna a experiência muito mais proveitosa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/brainsstorm.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/brainsstorm.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/brainsstorm.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/brainsstorm.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/brainsstorm.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/brainsstorm.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/brainsstorm.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/brainsstorm.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/brainsstorm.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/brainsstorm.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/brainsstorm.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/brainsstorm.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/brainsstorm.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/brainsstorm.wordpress.com/295/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brainsstorm.wordpress.com&amp;blog=1509490&amp;post=295&amp;subd=brainsstorm&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Demônios da Noite</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Dec 2010 00:13:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arton]]></category>
		<category><![CDATA[Fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>
		<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Demônios]]></category>
		<category><![CDATA[Keriann]]></category>
		<category><![CDATA[Tormenta]]></category>

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		<description><![CDATA[As vozes se tornaram habituais. De gritos, tornaram-se sussurros, rastejando pelas entranhas de sua mente. Keriann não sabia o que era pior. Os gritos eram assustadores, mas ininteligíveis. Já o que aquelas criaturas sussurravam, ah, ela compreendia muito bem. Mate-os, eles não merecem sua confiança. Traidores. São demônios. Querem eviscerar seu corpo e mente, seu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brainsstorm.wordpress.com&amp;blog=1509490&amp;post=286&amp;subd=brainsstorm&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2010/12/nightmare_by_trixis.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-287" title="Nightmare_by_Trixis" src="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2010/12/nightmare_by_trixis.jpg?w=490" alt=""   /></a>As vozes se tornaram habituais. De gritos, tornaram-se sussurros,  rastejando pelas entranhas de sua mente. Keriann não sabia o que era  pior. Os gritos eram assustadores, mas ininteligíveis. Já o que aquelas  criaturas sussurravam, ah, ela compreendia muito bem. Mate-os, eles não  merecem sua confiança. Traidores. São demônios. Querem eviscerar seu  corpo e mente, seu rosto, seu arco. Retese seu arco, espere-os cair de  cansaço e atire. Atire. Atire. Faça-os ouvir a canção do inferno através  da corda do seu arco. Atire. Mate.</p>
<p>Os sonhos, certamente, eram os piores momentos do dia. Passou a  dormir apenas quando o cansaço a exauria, e acordar ao primeiro raio de  sol da manhã. Via as criaturas disformes saírem das sombras, lançando  seus longos braços e garras e pústulas em sua direção. A sensação de  estar presa, amarrada a um leito de sangue, carne e entranhas. Gritava,  gritava alto, sentia a garganta ressecar da sua própria voz, mas como  das outras vezes, ninguém a ouvia. Até escutar a voz familiar de Lyon  chamando seu nome. Primeiro, como um sussurro inaudível. Depois, como a  chama de uma vela no meio da escuridão profunda: trêmula, fraca, e, no  entanto, ainda a guiá-la. E então, acordava.</p>
<p>Naquela noite, sabia que não seria diferente. Nos becos da cidade de  pedra e madeira e tijolos e mercadores e guardas, as formas rastejavam.  Eles não estavam lá, sabia que não estavam, ou era o que queria  acreditar. No coração de Portsmouth, reino que não mantinha boas  relações com Bielefeld, a arqueira olhava desconfiada. Na casa de Lady  Rowena, esposa de Darius Drakkan, homem que aprendera a odiar, e a quem  agora todos pareciam dever favores ou estar aliados, na casa daquela  bela mulher, não seria diferente, ela sabia. As criaturas, os chamados  demônios da tormenta, poderiam estar em qualquer lugar. Keriann sabia  disso.</p>
<p>Olhando da sacada da janela, viu os criados colocarem os cavalos  para dentro. O pequeno pátio abrigava alguns guardas, e à distância,  aproximava-se um pequeno destacamento. Guiando-o, um cavaleiro vestindo  armadura e peles. Howell – um dos dois esposos de Vento. Criaturas da  Tormenta poderiam não estar naquela morada, mas outros diabos  intangíveis abrigavam-se nos recantos das paredes decoradas, como  orgulho e ciúme.</p>
<p>Resolveu esperar. Tinha seus próprios problemas para enfrentar aquela noite.</p>
<p>Para  devolver parte da sanidade da arqueira, Vento, nome druídico da mulher  que conheceu por Aillah, teve que abrir mão de sua própria. Keriann  sabia disso, e agora as duas partilhavam visões que ninguém mais poderia  entender. Mas o que Vento teve foi apenas um vislumbre da Loucura e do  Terror.</p>
<p>Sorriu, consolada. Seria melhor assim. Não desejava nada daquilo para ninguém.</p>
<p>Deitou-se  na cama confortável, com lençóis imaculadamente limpos. Encarava o teto  de pedra do solar, imaginando o trabalho que deveria ter sido construir  aquele lugar, considerado “modesto” por sua dona. Modesta. Modesta era a  cabana em que morara, há&#8230; um ano atrás? Dois anos? Já não podia  precisar o tempo. Resolveu que viveria dia após dia, conforme as coisas  fossem acontecendo.</p>
<p>Fechou os olhos, exausta. Queria que a Noite levasse seus tormentos  embora, queria partir, para onde? Não importava, não mais. Não haveria  lugar para ela, haveria? Talvez não devesse ter saído da ilha&#8230; não, a  ilha não, aquele lugar não. Mas e se perdesse o controle de novo, e se  levantasse o arco para eles, mas não seria capaz de fazer isso, não, não  seria. Keriann, a pobre criança? Criança? Já não era criança há muito  tempo, e sabia disso. Sabia. Sabia que eles estavam lá, à espreita,  esperando que dormisse, que fechasse os olhos, que não resistisse ao  cansaço e adormecesse&#8230;</p>
<p>Um ranger de porta a trouxe de volta à realidade. Os lençóis em  desalinho comprovaram que estivera dormindo, mas não mais. Procurou o  arco às cegas, no meio da Noite densa e escura, a Noite que envolvera  todo o quarto enquanto ela dormia. Maldição.</p>
<p>Sussurros. Envolveu o arco com a mão e encontrou a aljava. Pelo leve  barulho que fazia, pôde deduzir a localização do seu alvo, e como  caçadora, antes que pudesse pensar, a corda balançava, a seta disparada,  o gesto tão natural. Não conseguiu evitar de sorrir ao grito agonizante  da criatura.</p>
<p>Mas haviam outros, e seus sentidos falharam em percebê-los.</p>
<p>Rápido  como o vento que agora entrava uivando pela janela, sentiu-se ser  arremessada contra a parede. O ar escapou-lhe dos pulmões, mas conseguiu  manter o arco em punho. O pescoço agarrado pelo braço esquálido da  criatura, Keriann podia sentir os nós dos dedos apertando-lhe as  artérias. Não tinha espaço para atirar, mas o bom caçador sabe que não é  apenas com flechas que se abate uma presa.</p>
<p>Os braços livres, levantou o arco na direção do rosto de quem a  agarrava e sentiu-o fraquejar. Rapidamente se livrou dos dedos nodosos e  caiu no chão, tateando em busca das setas que se espalharam pelo  tapete. Agarrou quantas encontrou e com a velocidade adquirida nos  campos de batalha, saltou uma saraivada por todo o quarto. Gritos e  grunhidos cortaram-lhe os ouvidos, e pensando ter ganhado tempo, saiu em  disparada para a porta. Sentiu uma mão repleta de garras segurar-lhe a  perna e levando-a ao chão.</p>
<p>Dessa vez, não consegui segurar a arma.</p>
<p>Gritando, acordou  repleta de suor. Era o mesmo quarto, a lua brilhando lá fora, a brisa  gentil a refrescar a pele suada.</p>
<p>Um sonho, mais uma vez. Enquanto  acalmava o coração, que mais parecia uma parada militar desgovernada,  uma dor aguda fez com que levasse a mão ao abdome.</p>
<p>Sentiu o líquido quente entre os dedos e o cheiro férreo subir-lhe as narinas. Sangue.</p>
<p>Os  olhos azuis arregalados, olhou em volta. Flechas espalhadas, algumas  cravadas na porta de madeira, outras quebradas conta a pedra das  paredes.</p>
<p>Sufocou um grito, horrorizada. Eles estiveram ali. E não a esqueceram.</p>
<blockquote>
<ul>
<li>Keriann é uma personagem de um jogo de RPG, de uma campanha que está às portas do fim (chiuf!). Sei que a maioria das pessoas não vai entender muita coisa, afinal, é algo feito com o bonde andando, mas espero que agrade. Não parei para adicionar &#8220;legendas&#8221; nem comentários didáticos, porque, pessoalmente, acho isso muito chato.</li>
<li>Link da imagem: <a href="http://trixis.deviantart.com/art/Nightmare-158085884?q=boost%3Apopular+nightmare&amp;qo=8" target="_blank">Nightmare, por Trixis</a>.</li>
</ul>
</blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/brainsstorm.wordpress.com/286/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/brainsstorm.wordpress.com/286/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/brainsstorm.wordpress.com/286/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/brainsstorm.wordpress.com/286/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/brainsstorm.wordpress.com/286/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/brainsstorm.wordpress.com/286/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/brainsstorm.wordpress.com/286/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/brainsstorm.wordpress.com/286/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/brainsstorm.wordpress.com/286/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/brainsstorm.wordpress.com/286/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/brainsstorm.wordpress.com/286/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/brainsstorm.wordpress.com/286/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/brainsstorm.wordpress.com/286/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/brainsstorm.wordpress.com/286/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brainsstorm.wordpress.com&amp;blog=1509490&amp;post=286&amp;subd=brainsstorm&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Representação do feminino em Disney</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Nov 2010 01:33:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Besteirol]]></category>
		<category><![CDATA[Branca de Neve]]></category>
		<category><![CDATA[Contos de Fada]]></category>
		<category><![CDATA[Disney]]></category>
		<category><![CDATA[Feminino]]></category>
		<category><![CDATA[Representação]]></category>
		<category><![CDATA[Tiana]]></category>

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		<description><![CDATA[Porque mesmo contos de fada podem se atualizar&#8230; Que eu adoro desenhos animados não é nenhuma novidade – tenho uma criança de 24 anos dentro de mim que espero conseguir manter pro resto da vida. Que ela amadureça e aprenda com as experiências por vir, mas que não perca a capacidade de se envolver e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brainsstorm.wordpress.com&amp;blog=1509490&amp;post=278&amp;subd=brainsstorm&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Porque mesmo contos de fada podem se atualizar&#8230;</em></p>
<p>Que eu adoro desenhos animados não é nenhuma novidade – tenho uma criança de 24 anos dentro de mim que espero conseguir manter pro resto da vida. Que ela amadureça e aprenda com as experiências por vir, mas que não perca a capacidade de se envolver e se encantar com contos de fada.  Mesmo quando eles se tornam seus objetos de pesquisa.<br />
E em vésperas de estreia de Rapunzel 3D (sim, faz tanto tempo assim que não atualizo o blog), e enquanto escrevo sobre a primeira princesa Disney, Branca de Neve, me pego pensando em como meios de reprodução cultural conseguem se atualizar, embora mantendo o “politicamente correto” e continue propagando a defesa de certos valores.</p>
<div id="attachment_279" class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><a href="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2010/11/grimm-fairy-tales-blancanieves.jpg"><img class="size-full wp-image-279" title="grimm-fairy-tales-blancanieves" src="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2010/11/grimm-fairy-tales-blancanieves.jpg?w=490" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Isso não é bem politicamente correto...</p></div>
<p>Para tanto, basta levar em conta o recente A Princesa e o Sapo (2009) e o Branca de Neve e os Sete Anões (1937) (uau, 72 anos!). Walt Disney criou, sem sombra de dúvida, uma nova forma de encarar a animação. Juntou música ao cinema e construiu o jeito “Disney” de fazer desenhos animados. Claro que contra seu estilo surgiram outros, o que, a meu ver, apenas enriquece a linguagem, mas não podemos negar que ele tinha visão. Toda garota quis ser uma princesa Disney um dia (Bela é, de longe, a minha favorita, seguida de perto de Jasmim), e seu modo de visualizar os personagens influencia diversas outras versões das histórias, mesmo quando elas têm o intuito de subvertê-las.Vejamos, porém, como o mesmo estúdio se adapta aos novos papéis sociais desempenhados por suas heroínas.</p>
<p>Branca de Neve é meiga, bondosa, e, para nossos padrões, extremamente passiva. É caçada pela madrasta, que tem inveja de sua beleza inigualável, e em momento algum deseja vingança ou recompensa pelos seus bons atos. Casa-se com seu amado e, ao final, vai embora em seu cavalo branco rimo ao castelo, onde terá seu “felizes para sempre”. A madrasta morre enquanto tenta fugir dos anões, seguindo a máxima de que “o mal se destrói por si mesmo”.</p>
<div id="attachment_280" class="wp-caption aligncenter" style="width: 346px"><a href="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2010/11/snow-white-pie-small.jpg"><img class="size-full wp-image-280" title="Snow-White-Pie-small" src="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2010/11/snow-white-pie-small.jpg?w=490" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">&quot;So whistle when you work...&quot;</p></div>
<p>Claro que devemos pensar no contexto em que o filme foi produzido, bem como as possíveis intenções dos idealizadores. Final da década de 30, a mulher ideal devia dedicar-se à casa, e tudo o mais. E esses valores estão reproduzidos no filme de forma pouco sutil, através de uma Branca de Neve que arruma a casa para anões órfãos, que os manda lavar as mãos antes das refeições, e que se deixa enganar pela sua rival quando esta lhe oferece uma suposta “maçã dos desejos”.</p>
<p>Em contraposição, temos Tiana, uma moradora de Nova Orleans&#8230; espera aí, é um cenário real? Um conto de fadas que se passa em uma cidade real, e que faz referências à cultura local, inovando com músicas de jazz e afins? Não é a primeira vez que Disney tenta essa atualização, claro. Encantada (2008) faz isso muito bem, inclusive, subvertendo a linguagem tão específica dos filmes do estúdio, quando o interesse romântico da personagem reclama: “Não, sem cantar de novo! Ei, mas e por que estão todos cantando e dançando com ela?!”. As referências se dão de maneira caricata, não dá para negar, mas&#8230; é um começo!</p>
<div id="attachment_281" class="wp-caption aligncenter" style="width: 414px"><a href="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2010/11/princess-tiana-disney-princess-12696388-404-404.jpg"><img class="size-full wp-image-281" title="Princess-Tiana-disney-princess-12696388-404-404" src="http://brainsstorm.files.wordpress.com/2010/11/princess-tiana-disney-princess-12696388-404-404.jpg?w=490" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Mencionei que ela é uma princesa negra?</p></div>
<p>E Tiana, uma moça órfã de pai, sonha em ter seu próprio restaurante. Trabalha três expedientes para juntar o dinheiro e sequer pensa em casamento, concentrada em sua vida profissional. Até aqui, são dois arquétipos bem diferentes sendo representados. A atual, com um espírito mais independente, acredita que qualquer recompensa deve vir do seu trabalho.</p>
<p>A atualização se torna necessária. Afinal, a criança – os filmes se destinam principalmente ao público infantil, não se pode negar – não raramente é filha de mãe solteira, ou filha de mãe que trabalha fora. O arquétipo da dona-de-casa exclusiva não é a regra atualmente, e não convenceria totalmente. Temos aí a necessidade mercadológica, pois o púbico precisa identificar-se com a história contada. E por público, entenda as crianças e os pais das crianças que vão levá-las. E claro, o público que cresceu assistindo os clássicos Disney e que vai continuar assistindo todas as charmosas animações.</p>
<p>Outros filmes – e aqui eu me limito apenas ao cinema, por ser o mesmo campo de comparação que comecei – já fizeram isso. Shrek é um exemplo clássico de paródia aos contos de fada, começando pela princesa que luta kung fu, bem como todas as outras referências às princesas Disney (Branca de Neve sendo levada pelos passarinhos da floresta, por exemplo, foi particularmente engraçado). Mas o importante é notar que mesmo produtoras clássicas (ou politicamente corretas) se deram ao trabalho de realmente adaptar histórias ao seu público. Mais uma vez, reforço a questão do contexto; são 73 anos de diferença, afinal!  E ainda assim, penso ser interessante observar esse tipo de evolução nas representações.</p>
<p>É isso, pessoal! Nada de novos textos por enquanto, mas não pensem que não pretendo voltar. <img src='http://s1.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>[Besteirol] Sobre o andamento de algumas coisas</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 19:10:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Besteirol]]></category>
		<category><![CDATA[Mestrado]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[Essa semana eu estava matutando se fazer um post como esse valeria a pena. Por quê? Bem, o Brainstorm não é um diarinho. E até porque meu cotidiano não tem nada de láá muito interessante para se contar. Mas como ultimamente eu não ando dando as caras por aqui, achei que devia uma satisfação para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=brainsstorm.wordpress.com&amp;blog=1509490&amp;post=268&amp;subd=brainsstorm&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essa semana eu estava matutando se fazer um post como esse valeria a pena. Por quê? Bem, o Brainstorm não é um diarinho. E até porque meu cotidiano não tem nada de láá muito interessante para se contar. Mas como ultimamente eu não ando dando as caras por aqui, achei que devia uma satisfação para meus 1d4 leitores.</p>
<p>Para quem me acompanha do twitter, sabe que eu não venho falando em outra coisa que não minha qualificação.  E para quem não sabe o que é uma qualificação de pós-graduação, é um tipo de pré-defesa. Você escreve uma parte da dissertação, apresenta e te dão uma nota por isso, que vai de 0 a 10. Sim, é passível de reprovação. E é por isso que eu estou morrendo de medo. xD</p>
<p>E bem, nos últimos dois meses, eu não tenho conseguido pensar em muita coisa além disso. Foi bom por um lado, porque eu coloquei as leituras de estudo em dia (ou ao menos uma parte delas), e foi ruim por outro, já que as minhas leituras de lazer estão se amontoando vertiginosamente, de um jeito que eu tenho medo que os livros me soterrem qualquer dia desses.</p>
<p>Mas então, caminhando do ponto do ônibus para o meu trabalho, pensei que talvez alguém achasse interessante quais os diabos que vêm ocupando meu tempo e minha mente no último ano. Então, por que não falar da minha pesquisa no mestrado? Se você não achar interessante, pode parar de ler por aqui. =D</p>
<p>Resolveu continuar? É por sua conta e risco. =D Então, em julho de 2008, eu botei na cabeça que queria tentar o mestrado em literatura. E então veio a grande questão: &#8220;o que eu vou fazer ali?&#8221;. Durante a minha graduação, eu tive grande interesse na área de Clássicas (literatura grega e romana, grosso modo; curso que agora minha amiga Elisa está levando). Eu sempre gostei de mitologia, e naquela linha, o tempo que eu gastei na infância lendo enciclopédias parecia servir de alguma coisa. Mas numa pós graduação eu precisava, no mínimo, saber grego antigo ou latim. De preferência, os dois. E a minha disposição pra estudar qualquer uma das línguas tendia ao zero. Não que não seja uma área interessante, pelo contrário. É só que eu sentia que, apesar de gostar daquilo, eu não conseguiria ir adiante. Resolvi que a área de clássicas ficaria nos meus interesses secundários ou terciários.</p>
<p>E então, que fazer? Olhei para minha prateleira. Ora, eu devo ter algo a dizer sobre alguma coisa. Não sobre Mark Twain, certamente (&#8220;Nada pessoal, Tom Sawyer e Huck Finn&#8221;). Ou sobre Edgar Alan Poe (&#8220;caramba, tanta gente já falou sobre Poe, e certamente deve-se ter algo a mais a ser dito, mas não vai sair de mim&#8221;).  Ou mesmo sobre Conan Doyle (&#8220;Eu não sou nada elementar, minha cara Allana&#8221;). Talvez Machado de Assis (aquele mesmo que eu odiei durante a adolescência, e vim reconhecer na universidade)? Não. Toneladas de trabalhos existem sobre Machado de Assis. Sheaskespeare está no mesmo barco. Até que eu vi os dois primeiros números da minissérie Fábulas: As 1001 Noites, e pensei: &#8220;Literatura infantil e quadrinhos: não vejo falhas nesse plano&#8221;.</p>
<p>Procurei a coordenadora da pós-graduação na época, e expus minha ideia: fazer uma comparação entre a personagem Branca de Neve do conto infantil, dos irmãos Grimm, e a personagem do quadrinho, detendo-se apenas à minissérie, e não à revista mensal. Ela gostou e recomendou que eu procurasse meu atual orientador, pois ele vinha da área de Comunicação. Como eu imaginei, não havia ninguém de Letras, em João Pessoa, que trabalhasse com quadrinhos (problema que será sanado nos próximos anos, quando eu fizer um concurso para professor, Mwahauahauahahaua!). E bem, eu não queria me bandear pro lado de Comunicação. xD</p>
<p>Marquei com o professor, falei da ideia, e ele topou, com duas condições: que eu buscasse a teoria sobre quadrinhos por minha conta, porque não era a área dele, e que acrescentasse ao corpus o desenho animado <em>Branca de Neve e os Sete Anões</em>, da Disney. Topei. Me deu (e está me dando) um puto de um trabalho, porque eu não sabia (e ainda não sei muita coisa) nada sobre cinema, mas estamos aqui. Fiz a seleção, passei na rasteira, e cá estamos nós. Lendo sobre cinema, sobre literatura infantil, sobre quadrinhos, sobre regimes de focalização, sobre a representação da figura feminina e tentando juntar as peças.</p>
<p>Então, que caminho seguir? Conhecia um pouco de literatura infantil, então fui logo atrás de Vladimir I. Propp, estruturalista russo que estabeleceu 31 funções de personagens sempre presentes nos contos infantis. Basicamente o cara listou funções como: &#8220;O herói sai de casa&#8221;; &#8220;o antagonista busca informações sobre o herói&#8221;; &#8220;uma proibição foi imposta&#8221;, e assim por diante. Fazer uma análise de Branca de Neve me permitiu fazer uma comparação direta com o filme: <em>exatamente o quê</em> estava no conto que não estava no filme? E o contrário? E o mais importante: <em>por que essas mudanças foram feitas?</em></p>
<p>E então, começou a busca  por material de cinema. Sem dúvida, a parte mais difícil pra mim. Teorias de adaptação cinematográfica, contexto de produção etcs.<em> </em>Muito produtiva pessoalmente, me abriu muito os olhos em relação a adaptações para o cinema. Se eu era uma fangirl chata, hoje sou menos fangirl. Não menos chata. xD</p>
<p>Daí, ler sobre quadrinhos. Sem dúvida, a melhor parte do trabalho. Will Eisner e Scott McCloud, principalmente. Certamente os melhores &#8211; no sentido de mais divertidos &#8211; livros de estudo que eu já li. Se alguém tiver interesse em quadrinhos, são excelentes recomendações.</p>
<p>Bem, se alguém conseguiu ler até aqui, e se interessar por saber algo a mais sobre o trabalho, é só falar, que eu posso postar algo mais. É isso, pessoal. Quanto ao Hunter HS, eu não desisti, mas estou pensando em repaginá-lo profundamente. Até lá!</p>
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