Guerra de Tróia – Parte 1

4 out

O dia amanhecia como qualquer outro dia que estivesse fazendo seu trabalho: o sol brilhava, refletido nas margens do rio Xanto, enquanto os pássaros cantavam alegremente, voando por entre os galhos das verdes árvores. Aquele dia trabalhava duro para ser melhor do que os outros, mas de nada adiantava. Seria igual a mais outro dia, assim como diversos outros.

Tempo verbal correto: serIA. Lá estava Páris, tocando sua flauta tranqüilamente, quando deveria estar cuidando dos muitos bois e novilhas que circundavam a região de Tróia. Mas nosso príncipe mal quisto não era assim tão burro – sabia que os bois, que há muito haviam feito um tratado com os humanos da Tróade, ficariam por ali desde que sempre fossem garantidos comida, bebida e mulheres (vacas, nesse caso).

Mas deixemos os bois de lado – eles não são o foco de nossa história hoje. Páris, que tocava sua flauta com a mesma habilidade de um ornintorrinco gripado, surpreende-se com uma visão no mínimo incomum: um sujeito mirrado, que sandálias com asinhas (“Existe cada moda hoje em dia…”, pensava consigo mesmo) pousou na sua frente, com uma expressão no mínimo duvidosa.

– Bem… Péricles… hum, é esse seu nome?
– Não, oh divindade… é Páris.
– Isso! Páris! Bem, o senhor do Olimpo, dono dos trovões, o mais mulherengo de todos, mandou-me aqui para que seja um juiz de um concurso de beleza.
– Concurso de… mas… por que diabos…?

Antes que pudesse reagir de qualquer modo, três deidades femininas apareceram na sua frente. Pasmo, o pobre pastor não sabia onde por os olhos, e mal escutou quando foi instruído para entregar uma maçã de ouro à vencedora.

Atena, que poderia ser conhecida por qualquer coisa exceto por sua delicadeza, foi a primeira a tentar a prática mais comum em qualquer tipo de concurso: o suborno. Prometeu a Páris a vitória nas guerras, e a salvação de sua cidade. Hera, sentindo-se segura por seu posto de esposa do Grande Chefão (e não sendo esse da máfia, cuidado), ignora as guerras e promete ao abobalhado Páris o reinado da Ásia.

Afrodite, muito mais esperta, aproveita-se da sua beleza divina e se mostra em sua versão topless, tão conhecida pelos deuses olímpicos. E, de quebra, oferece a mulher mais bonita entre as mortais: Helena. Sem pensar duas vezes, o franzino príncipe troiano aceita a proposta. E foi até Esparta receber seu prêmio.

Lá chegando, encontra o esposo da referida, que, “coincidentemente”, tem que viajar para Creta. Ocasião melhor não há: bastou a quantidade certa de vinho e pronto. Tem coisas que só Dionisio faz por você. De lá, foram para Tróia, ainda tendo direito a uma paradinha no Egito. Só pra conhecer, sabe? Lua de Mel.

Menelau, puto da vida e com a cabeça bem mais pesada, fez um grande conclave, pois, segundo um juramento feito outrora, em caso de roubo, rapto ou desaparecimento, eles deveriam ligar para… er, se juntar numa missão de resgate.

– Veja bem, Agamênon… *hic* Ele foi lá, roubou minha mulher, roubou meus tesouros e *hic* a minha bebida. Se não fosse a minha bebida, eu nem tinha me importado… mas *hic* ele levou meu melhor vinho!!

E por motivos de difamação e processos legais, estas palavras não foram publicadas por Homero.

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Uma resposta to “Guerra de Tróia – Parte 1”

  1. Thiago novembro 9, 2008 às 4:47 pm #

    Hauhauhauhau..
    Estou fazendo uma pesquisa sobre os rios da Grécia e cai na sua página.
    Adorei sua versão Guerra de Tróia.

    Até mais!

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