Peripécias Divinas – III

5 out

Afrodite lixava as unhas displicentemente, mais para passar o tempo do que qualquer outra coisa. Tédio. Como a mais bela das deusas, com suas longas madeixas cascateando loiras pela fina cintura, não tinha o que fazer em uma tarde de sábado? Aquilo era imperdoável!

Soltou um suspiro que refletia a inanição. Não, aquilo não ficaria assim. Sim, Zeus poderia ser o senhor dos trovões, mas aquilo não dava-lhe o direito de obrigá-la a casar-se com o coxo ferreiro Hefesto. Bem, que se danassem! Não esperavam que ela ficasse ali como boa esposa, não é mesmo?

Tomou um banho de sais, e ungida com seus oléos de cheiros capazes de fazer um batalhão cair de amores, escolheu o melhor vestido – e o de maior decote, obviamente – e saiu.

Não demorou muito para que encontrasse uma distração para as tardes – e para as solitárias noites, também. Ares, o senhor das guerras, dotado de grande força e beleza, e completamente desprovido de inteligência – o que não era realmente um defeito, dado os propósitos da deusa. Homens inteligentes demais costumavam contrariá-la. E aquilo não era agradável.

– Acabei de saber que seu marido saiu, e vai viajar.
– Hum… – respondeu dando-lhe aquele olhar cujas legendas dizem: “E o que você está esperando, idiota?”

Sexo, ardente e selvagem. Os vizinhos ficaram assustados, pensando até que era um presságio maligno, ou coisas piores. O que os amantes não desconfiavam era que, o leito havia sido previamente forjado por Hefesto, que enlaçou os amantes como haviam vindo ao mundo. Atena baixou os olhos, ruborizada. Apollo não conseguia tirar os olhos de Afrodite, que estava estranhamente sexy enlaçada numa rede invisível.

Dias depois, o inevitável divórcio, com separação de bens. Afrodite encontrou um gigolô mortal de nome Adônis, que deu-lhes algumas noites de prazer e muitos prejuízos – e que morreu logo depois, em circunstâncias duvidosas. Ares continuou com as suas guerrinhas, diariamente vítima das chacotas nas tavernas divinas espalhadas pelo Olimpo e vizinhanças. Hefesto continuou forjando incansavelmente, fazendo um voto de castidade para si mesmo. Se acostumaria às noites no banheiro.

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2 Respostas to “Peripécias Divinas – III”

  1. Maurício Linhares outubro 5, 2007 às 4:51 pm #

    Nâo entendi os motivos das chacotas, Ares tinha o bilau pequeno ou Hefesto meteu o martelo nele? 😛

  2. Italo outubro 7, 2007 às 12:52 pm #

    Boa pergunta a de Maurício. =]

    E o pobre Hefesto passou a trabalhar incansavelmente com o seu martelo.

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