E em algum lugar longe de casa…

12 nov

Respirou fundo o ar noturno daquela floresta que tanto a oprimia, enquanto ajustava a última seta da noite. Olhou para os que dormiam um merecido sono enquanto pensava: Lyon, aquele que os libertou das masmorras de Lorde Drakkan; Aillah, a druidisa bérnia que se revelou como alguém completamente diferente do que Keriann poderia imaginar; Fox, o pequeno halfling que tanto a ajudara; Adrian, felden que acabaram por libertar, meio sem querer, das garras de uma bruxa do pântano; e o elfo arcano cujo nome não conseguia lembrar.

Seu ombro esquedo doía – o encontro com aqueles ogros rendera alguns bons hematomas – e naquela altura da noite ainda não conseguia distinguir o que era o certo e o errado. Procuravam Willow, a menina-fada chave para tudo o que estava acontecendo no reino de Bielefeld, e todas as pistas os levaram para aquela floresta odiosa. Orava para que o raiar do sol clareasse as suas idéias.

Suspirando mais uma vez, a jovem caçadora relembrou dos momentos que havia compartilhado com aquelas pessoas: a fuga desesperada da fortaleza, o encontro com Tyrion, as estadias calorosas nas tavernas do reino, a profecia proferida por sua avó em sua breve estadia em Eastwind… Sim, muita coisa acontecera. E não tinha chegado tão longe em vão.

O elfo e Adrian também buscavam por Willow, mas em nome de um lorde qualquer do reino. Não conhecia os nomes – era só a filha do caçador de um vilarejo, nunca aprendeu sequer a ler, quanto mais os nomes de cada conde de um reino tão grande – mas temia que fossem manipulados de Drakkan. Queria pensar que A Dama traçara o destino daqueles homens para encontrá-los ali, e que eles os ajudassem em sua tarefa, mas desconhecia as verdadeiras intenções daqueles desconhecidos. No entanto, deixá-los à própria sorte em uma floresta tão terrível era covardia. Cortar suas gargantas enquanto dormem também não lhe parecia certo. Não era o que o seu pai faria.

– Onde ele estará, afinal? Ele saberia o que fazer se estivesse aqui comigo…
– E quem disse que eu não posso estar?

O coração disparado, olhou na direção da voz. Um homem de altura mediana, cabelos na altura dos ombros e emaranhados saía das folhagens. Portava um arco longo, madeira escura, que Keriann conhecia tão bem. Um sorriso cansado ornamentava o rosto conforme se aproximava, andando com uma naturalidade quase sobrenatural da floresta.

– Você deu bastante trabalho, mocinha. Demorei para encontrá-la.
– …Pai?
– E quem mais poderia ser, Key?

Abraçou-o forte, como se tentando provar que não era mais uma ilusão das várias fadas que vagavam na floresta. Sentiu-se novamente como uma criança ao sentir os braços fortes e acalentadores, hesitando até em soltá-lo. Mil perguntas vinham à mente, mas podiam esperar.

– Como… você…?
– Shh, apenas descanse agora. Você está segura, e é isso que importa.
– Hmn, mas…
– Está tudo bem, querida. Só descanse…

E como se tomada por algum tipo de encantamento, Keriann sentiu seus olhos pesarem, e o cansaço do dia impeliu-a a dormir. Esboçou ainda um sorriso tranquilo, trazendo a mão caleijada de seu pai junto ao rosto, conforme se deixava guiar para o saco de dormir. Balbuciou ainda alguma coisa e se deixou levar, apenas para acordar ao raiar do sol, cuja luz adentrava pela folhagem espessa das árvores. Seu pai não estava lá. Mas ela já sabia que rumo tomar.

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