In the night – Versão em Português

13 dez

Despindo-se lentamente, Aila podia sentir o cheiro do inverno vindouro. Tinha perdido tanto tempo assim? Por outro lado, suas memórias daquele mundo pareciam de fato muito distantes. Seu aniversário, a luta na cidade de Sylvan…

Com as roupas no chão, ela sorriu. Logo faria um ano que estavam viajando juntos pelas terras de Faêrun. Em uma tarde de inverno, ela recebera uma carta do seu irmão Alexander. Uma semana depois, ela partia da cidade de Waterdeep, incerta quanto ao seu destino.

– Tudo isso parece tão distante agora… tão longe… – ela sussurrou, sozinha que estava.

Gentilmente e desnuda, ela se sentou na cama. O vento uivava do lado de fora, mas ela não se importava com o frio – ela até gostava. O frio em sua pele pálida a fazia se sentir humana mais uma vez. Com um gesto fluído, pegou o bandolim e iniciou uma canção que conhecia há muito, mas agora relembrada com muito mais paixão: a paixão de alguém que caíra nas garras de demônios e retornara.

…Old familiar faces
Everyone you meet
Following the ways of the land
Cobblestones and lanterns
Lining every street
Calling me to come home again

Dancing in the moonlight
Singing in the rain
Oh it’s good to be back home again
Laughing in the sunlight
Running down the lane
Oh it’s good to be back home again

When you play with fire
Sometimes you get burned
It happens when you take a chance or two
But time is never wasted
When you’ve lived and learned
And in time it all comes back to you…

Sua voz era baixa e doce, e para Aila, cantar e tocar nunca causara tanta satisfação. Os lençóis da cama, a madeira do bandolim, o vento frio vindo da janela, e o alívio de estar de volta fez com que sua música viesse do seu coração. Como sempre deveria ter sido.

O barulho da porta sendo aberta a fez parar, mas um sorriso ainda mais largo brotou em seu rosto. Vanir, seu amante, uma das pessoas que desceram aos Nove Infernos para trazê-la de volta entrava no lugar, distraído como sempre. Surpreso, ele parou por um breve momento, fechando a porta atrás de si. Gentil e vagarosamente, Aila se levantou, sua pele pálida contrastando com a noite, seus longos cabelos loiros cascateando abaixo dos ombros, e e seus olhos púrpura sobre o recém-chegado.

– Não está sentindo frio, querida? – perguntou Vanir, ainda atordoado.

– E por que você não vem me aquecer?

O beijo foi suave e lento, como se ela tentasse desfrutar cada momento. Quando teria sido a última vez que ela beijara alguém assim, com tanta calma e desejo ao mesmo tempo? Deslizando suas mãos pelos longos cabelos de Vanir, ela o abraçou.
– Senti sua falta. – ela sussurrou, a voz como uma música doce e hipnotizante.

– E eu senti muita saudade.

A noite foi preenchida com amor e palavras doces. Deitada sobre o peito nu de seu amante, Aila podia ouvir as batidas do seu coração, e sentir o cheiro do seu suor. Daquela vez ela teria um sono tranqüilo, observado apelas pelo sol nascente do outono.

PS: A música é Home Again, de Blackmore Nights.

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