A Queda – Parte 2

2 jun

LEIA A PARTE 1 AQUI!

Levantou a cabeça, atordoada. Então… estava morta. Olhou outra vez ao seu redor, enquanto buscava nas profundezas de sua mente informações sobre o destino daqueles que morrem. Talvez tivesse até conseguido recordar de mais detalhes, se não tivesse percebido diversos outros seres esbranquiçados como ela, vagando aparentemente sem destino. Almas sem corpos, e provavelmente tão confusas quanto ela.

Tentou desvencilhar a visão, e concentrar seus pensamentos. O que as diversas conversas em estalagens e tavernas poderiam revelar-lhe agora? Lembrou-se de uma conversa com um nobre da cidade de Waterdeep, que desejava muito mais do que um vinho quente para aquecê-lo aquela noite.

“- Segundo o que me disse um sacerdote do Senhor dos Mortos, as almas são levadas ao Plano da Fuga, regido pela neutralidade de Kelemvor. Lá, as almas aguardam até que um enviado do deus ao qual seus votos eram dedicados viessem buscá-lo.

‘Entretanto, as almas dos descrentes têm um destino nefasto: são levadas para proteger a Cidadela dos Mortos, onde passam a eternidade a serviço do deus”.

Um sussurro que parecia produzido pelos ventos trouxe Aila de volta. Ao longe, pôde observar uma enorme cidadela, de altas torres e muralhas, esbranquiçadas. Desnorteada e emaranhada em seus pensamentos, a barda de longas madeixas loiras seguiu até a famosa Necrópole.

Kelemvor - Deus da Morte

Kelemvor – Deus da Morte

E se a sua fé não fosse o suficiente? E se o que ela fizera em nome da Senhora dos Cabelos de Fogo não fosse o bastante? Sune, a deusa da beleza e do amor, pregava o auxílio aos outros, para que eles também fossem dignos de conhecer os encantos da paixão. Aila não havia sido muito ativa em sua busca nos últimos tempos, mas outras causas demandaram-lhe a atenção. E estava certa de que havia promovido o nome da deusa. E sim, isso deveria bastar. A Senhora dos Cabelos de Fogo saberia recompensá-la. Com a confiança renovada, a barda continuou o caminho, embora ainda incerta de onde ele fosse acabar.

Conforme se aproximava da cidade, pôde divisar melhor os contornos das muralhas, e seus ouvidos filtraram o que julgava até então ser o uivo do vento: gritos e lamentos, vindo das muralhas – das almas descrentes, que não aceitavam divindade alguma como salvadora. Então era assim que os descrentes passavam a eternidade?

Assustada, sentiu as pernas fraquejarem. Nem mesmo o mais devoto dos homens conseguiria se deparar com algo assim e manter-se inabalável. Instintivamente, sem conseguir desviar o olhar dos rostos de todas aquelas pessoas, afastou-se, tropeçando logo em seguida. Abalada demais para levantar-se, tentou se arrastar, quando uma voz feminina e suave surpreendeu-a:

– Aila Ilindiel, seu lugar não é aqui.

Virou o rosto, surpreendendo-se com a visão: uma mulher belíssima, de traços harmoniosos e delicados, pele pálida e longos cabelos vermelhos estendia a mão, em um gesto benévolo de ajuda. Do alto de suas costas saiam felpudas asas num tom escarlate, e a mulher esboçava um leve sorriso tranqüilizador. Em frangalhos, Aila aceitou a ajuda, e ambas seguiram para longe da muralha.

– Como sabe o meu nome?
– Eu sei de muitas coisas, Aila. E você já sabe o que aconteceu, não?

A jovem demorou um pouco, relutante em aceitar o fato, e assentiu com a cabeça silenciosamente. “Ótimo”, ouviu a desconhecida sussurrar.

– Então você sabe também o que acontece com as almas a partir de agora, não é? – sem esperar a resposta, continuou: – Sabe que aquele responsável por sua morte, aquele orc de nome Tarûk, também está morto? E que em breve estará recebendo sua recompensa? A recompensa por ter espalhado toda aquela destruição, por ter causado dor a tantas pessoas.

Aquelas palavras fizeram Aila parar a sua caminhada. Claro, se ele de fato morrera, sua alma seria recompensada por seu deus monstruoso. Discretamente, a desconhecida sorriu ao ver a reação da barda. Estava chegando aonde queria. Confiante, continuou seu discurso:

– Sim, ele estará recebendo dons por ter matado tantas pessoas, e por ter disseminado a morte entre os elfos da Alta Floresta. Isso é o que você considera justiça, Aila Ilindiel?
– E… o que eu posso fazer para impedir?
– Junte-se a mim. Eu concederei os poderes para que você faça a justiça necessária.

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7 Respostas to “A Queda – Parte 2”

  1. Ratysu junho 2, 2008 às 1:38 am #

    Poxa, que que o orc fez de errado? matar elfos é o que há!!
    é até feio recompensar um orc por algo que ele deveria fazer depois de cada refeição (ajuda na digestão!)

  2. Fernanda Eggers junho 2, 2008 às 1:40 pm #

    Eita!
    Eu conheço essa imagem!
    Conhecerei o conto também?
    (Não guardo títulos e estou REALMENTE sem tempo de ler agora… But I’ll be back! xD)

  3. Evil Magus junho 2, 2008 às 1:55 pm #

    Você tá escrevendo cada vez melhor, puta que pariu!

  4. Italo junho 4, 2008 às 1:35 am #

    Kelemvor tá precisando contratar gente mais competente para o cargo de “fiscal de alfândega”. =]

  5. Alberto junho 5, 2008 às 7:11 am #

    Me lembre de visitar seu blog mais vezes =P
    Adorei os textos, ta de parabens ^^

  6. Alberto junho 5, 2008 às 7:12 am #

    Mas… não entendi o que o orc fez de errado…

  7. brainsstorm junho 5, 2008 às 2:43 pm #

    That’s the point: ele não fez nada de errado. Continuem lendo e a coisa fará mais sentido… 😀

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