A Queda – Parte 3

5 jun

LEIAM A PARTE 1 AQUI! E A PARTE 2 AQUI!

Aila estava confusa. Havia perecido pela lâmina daquele machado, e claro que faria alguma coisa se pudesse. Mas aqueles eram desígnios divinos: ele receberia seu descanso eterno, assim como ela também. Insegura, a jovem olhou para a mulher, que até então nem se preocupara em dizer o seu nome.

– Mas… esta justiça não deve ser feita pelas minhas mãos. Isso não é correto. Não… não sou eu quem decido isso.
– E se eu disser que a sua morte e a dos seus amigos foi em vão? O exército de orcs ainda se concentra na região, e em breve os elfos da cidade de Sylvan receberão retaliações. Você sabe que eles não poderão resistir. E você poderia evitar esse derramamento de sangue inútil. Não era isso que você queria em vida, Aila Ilindiel?
– Esses assuntos… já não me concernem. – respondeu a barda, embora não estivesse tão segura de suas palavras. – Eu morri em prol dessa causa. Esses fatos… já não me dizem respeito.

Em um ímpeto de coragem, sentido estar indo contra todas as suas vontades, deu as costas à desconhecida. Não sabia quem ela era, mas parecia uma criatura celestial – as feições harmoniosas, agora entristecidas, apunhalavam a barda. Sentia como se tivesse ferido uma beleza até então imaculada, até que novas palavras da mulher alada a fizeram parar mais uma vez:

– E se eu disser que o seu irmão gêmeo, Alexander Ilindiel, também pereceu do mesmo golpe que tirou a sua vida?

Então se recordou do par de anéis de platina que comprou com a insistência do irmão. Em questão de segundos lembrou-se da prece que Alex havia feito, momentos antes de iniciar o combate, explicando que os ferimentos que Aila viesse a sofrer seriam partilhados por ele.

“-E não pense em protestar. Quero proteger você.”

– Você está dizendo… que… ele morreu… por minha causa…?

A mulher não respondeu, e nem precisava fazê-lo. Mais uma vez, Aila levou a mão ao local onde deveria estar o ferimento, e imaginou a dor que seu irmão, um guerreiro santo, treinado para servir a Torm, sentira. E a morte dele teria sido tão vã quando a sua.

– Ele… está aqui? Nesse lugar?
– Sim, está.
– Leve-me até ele! Leve-me até ele e… e então terá sua resposta.
– Infelizmente, as coisas não funcionam assim, Aila. Meus patronos lutam pela justiça verdadeira. A justiça que você também deseja. Você não deve me temer.

Passaram-se alguns minutos de silêncio que pareciam se estender por uma eternidade. Estava dividida entre o que acreditava ser a ordem celestial e o que seu coração desejava. Queria ser capaz ignorar aquele pedido, mas quem quer que tivesse mandado aquela mulher parecia compartilhar dos desejos de Aila. Respirou fundo e quebrou o silêncio que perdurará até então:

– Eu aceito. Leve-me até meu irmão.

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