Motivos para o meu sumiço…

14 ago

Bem, esse não é o tom do blog (não costumo falar muito da minha vida por aqui, afinal), mas achei que os raros leitores do blog mereciam uma explicação. ;P

Eu sei, faz um bom tempo que eu não apareço, e não é por não ter textos novos para mostrar. Bem, eu tenho alguns rabiscos inacabados que poderia postar, mas não quero que o Brainsstorm vire mais um acúmulo meu de rascunhos que pretendo acabar um dia.

O fato é que eu estou sem tempo. Resolvi que vou fazer a seleção do mestrado no final do ano, e acreditem: a bibliografia para estudar é enorme. Tem um monte de livros para ler, uns bem legais, outros chatos pra caramba, além de outras leituras para poder fazer o anteprojeto. Isso fora as aulas de informática e português. E os jogos de RPG nos fins de semana (não, eu NÃO abro mão), e meu namorado, e a família, e escovar os dentes… xD

Portanto, sempre que eu tiver tempo e/ou inspiração, vou aparecer por aqui. E bem, como só resta criar tempo (sim, a palavra é criar… ^^)  para terminar os textos rascunhados, espero não demorar muito para aparecer de novo.

Uma notícia legal! Eu e uns amigos (mas a idéia original é de Daniel), estamos com um novo blog, voltado para generalidades de um modo geral (eu sei, é pleonasmo, mas aqui é estilístico). É o PENSOTOPIA, que tá ali do lado também. 🙂 Portanto, sejam boas pessoas, leiam e comentem! 😀

E para deixar vocês na vontade… um dos rabiscos. =)

********************

– Ok, acho que é hora de negociar.

O cano da arma, ainda quente do tiro que a deixara em curto-circuito, roçava-lhe a nuca, arranhando levemente seus implantes. Atrás da nissei, um homem alto vestindo um sobretudo surrado segurava a pistola. Se ele sabia do preço daqueles implantes, não parecia se importar.

Ajoelhada no chão, Wired sentia a perna latejar fortemente, enquanto o sangue escorria em profusão pela viela suja. A poucos metros de distância, um mendigo parecia dormir, como se fizesse parte da paisagem. Os nervos óticos estavam falhando horrendamente – odiava as armas feitas para foder com os implantes. O cheiro de sangue se misturava com o de asfalto, metal enferrujado, suor e urina, que a nissei esperava que não fosse a dela. Seu braço esquerdo também estava inutilizado – uma das balas deve ter cortado a conexão neural. Logo os outros chegariam. Não tinha outra escolha.

– Quanto tão te pagando para me matar?

Um momento de silêncio que deu algum tempo para a tecnauta analisar a situação, e chegar a mesma conclusão: estava fodida.

– Quinhentos yenes novos. Por semana.
– Te pago mil se você matá-los para mim agora.
– Os outros dois? Mil por cada um. E você na minha cama essa noite.
Wired deu uma gargalhada fraca – até a risada fazia o resto do corpo doer.
– Nem pelo dobro eu me deitaria com você.
– Não é como se você estivesse por cima agora, belezinha.
– Quinhentos pelos dois, e de noite na minha cama.
– Fechado.

Tudo que pôde ouvir foi o som de passos e alguns tiros. Parecia ter sido atingida de novo, mas o desmaio veio como uma bênção antes que pudesse sentir mais dor.

**********

– Trazer ela aqui não fazia parte dos meus planos.
– Relaxe, Case. Só cale a boca, se quiser que ela saia daqui inteira. Putamerda, o que diabos você fez com ela?
– Esses tecnautas são sempre cheio de tranqueiras implantadas. Só queimei alguns. Isso não vai matá-la, vai?

Chad não respondeu, e aquilo parecia encerrar a conversa. Dar cabo dos dois capangas que estavam seguindo a japa não foi realmente problema. A conexão neural com as Ares Predatoris, juntamente com o amplificador de respostas garantiam que ele saísse de quase qualquer situação. Aquela tinha sido moleza.

Os amplificadores de sentidos permitiram que ele notasse a aproximação dos outros capangas, e ao entrarem na viela, um deles ainda teve tempo de fazer um disparo na direção da tecnauta. Case disparou dois tiros precisos, que caso o homem ainda estivesse vivo, não poderia mais ter filhos. O outro ainda tentou fugir, mas Case era muito mais rápido. Antes que ele pudesse perceber, já estava morto. Quando voltou para a mulher, percebeu que os ferimentos eram mais graves do que ele achava.

– Eu podia deixar ela pra morrer, não podia? Mas bem, ela negociou um bom preço pra ficar inteira. – Case comentou, com um sorriso cretino.
– Eu já disse pra calar a boca, porra.

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7 Respostas to “Motivos para o meu sumiço…”

  1. phil souza agosto 14, 2008 às 8:16 pm #

    Ahhh, sei lá senhorita, gosto tanto da coisa de além do texto/historia/quadrinho/filme. Poder ver o making of da coisa, eu sempre fico sugerindo isso mas… eu não resisto 😀

    Fale um pouco aquilo que você escreve, as inspirações, seu processo pra criação, coisas do tipo. Isso daria mais assunto a se escrever no blog basicamente..

  2. Daniel R agosto 14, 2008 às 8:20 pm #

    Primeirão! Tchin! =D

    MAS QUE DUCA! Cyberpunk (a estética) é muito bom! A minimicrorascunhada tá de parabéns, história muito boa. SÓ ESPERO QUE CONTINUE, CACETE. Ops.

    =*

  3. Fernanda Eggers agosto 15, 2008 às 7:13 pm #

    Antes de ler o seu texto:
    Danou-se!
    Esse artigo estava programado pra entrar há uns 4 ou 5 dias e estava tudo direitinho no “preview”. Ainda não tinha visto que embananou tudo.
    Quanto ao extreme tracking, simplesmente não ajeita. =/ E tbm não coleta os dados que quero coletar. =p

  4. Tsu agosto 16, 2008 às 1:42 pm #

    Aeee, desiste não!
    agora eu tb estou de volta…parei mas pq tava sem micro em casa

  5. Fernanda Eggers agosto 16, 2008 às 3:42 pm #

    Oie!
    Depois de ler os textos:
    Vc faz bem em estudar. =) Sua ausência será compreensível, ainda que eu preferisse ter mais textos seus para ler.
    E gostei muito da história da Wired! Mas vai ter continuação, né? Hehehe!!!
    Bjos!!!

  6. Fernanda Eggers agosto 16, 2008 às 3:43 pm #

    Outra: vc vai ter que dar uma pausa no domingo, 21/09. Tô falando pra vc marcar na sua agenda logo. ;p

  7. Italo agosto 20, 2008 às 9:32 pm #

    O que você tem contra “acúmulo de rascunhos que pretende acabar um dia”? hein? run!

    Confesso que tive que ler duas vezes pra pegar o clima do texto. Acho que minha “visão literária” tava desfocada para o gênero em questão. Talvez pelo fato de nunca ter lido ou jogado(só 1 vez em encontro não conta) nada no estilo cyberpunk.

    Mas eu super-curioso em relação a Shadowrun, tenho muito vontade de ler, conhecer, de “consumir” esse cenário.

    Por isso, trate de escrever!

    =***

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