Arquivo | outubro, 2008

Happy Hallowen!

31 out

Feliz dia das Bruxas!

Eu não podia deixar passar essa, né? 😉

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Cherry ‘n Blood – Parte I

16 out

As nuvens ameaçavam cair sobre a já cinzenta cidade de Chicago. As poucas pessoas que andavam pelo bairro residencial carregavam guarda-chuvas e pesadas capas, o que deixava a visão mais desanimadora. Nicole caminhava sem pressa, os tênis pisando em algumas poças de lama e o cabelo balançando ao vento incomum da primavera.

Gostava de andar enquanto tentava compreender todas as mudanças ao seu redor. Apreciava ver o céu quando estava prestes a chover – fazia-na perceber como era pequena diante de outras coisas. Agachou-se para amarrar os cadarços – por isso que preferia botas – quando um vento forte trouxe um cheiro doce, suave embora impregnante. E poderia ter ficado ali, se uma voz desconhecida e o toque frio do cano de uma arma não a despertasse.

– Se levanta devagar, moça. Devagar como se nada tivesse acontecendo.

Cereja. O cheiro era cereja.

– Isso mesmo, belezinha. Continua andando.

Havia cerejeiras ali? Não conseguia ver nenhuma. Talvez elas estivessem longe. Pensar nas cerejeiras faziam com que não temesse tanto aquele sujeitinho. Era só um assalto, não precisava de medidas drásticas. E se precisasse… ela saberia o que fazer.

– Entra aqui, moça. E nem pense em fazer nada idiota.

Ainda em silêncio, Nicole entrou no beco. Se precisasse recorrer aos seus poderes, era melhor em um beco escuro e deserto do que em uma rua movimentada. Mas talvez não precisasse, talvez fosse só um assalto. Ali não havia vento, mas o cheiro parecia estar mais forte, tomando todo o local. Só então se atreveu a olhar seu agressor. Um rapaz de cabelos compridos e maltrapilho, igual a tantos outros.

– Dinheiro, celular, esse relógio legal… deixa tudo aí no chão.

E então novamente o vento, vindo de lugar nenhum dessa vez. O cheiro ficou cada vez mais forte, mais presente, quase palpável. E então ela pôde sentir: uma criatura de muito poder estava fazendo aquilo. Uma pontada de dor violenta fez suas pernas bambearem, e ela reconheceu tudo: o cheiro, o poder, aquela presença aterradora… um Oni.

– Mas que porra é essa?

A voz do rapaz soava distante agora, conforme a dor de cabeça aumentava. Queria mandá-lo embora, queria arremessar a bolsa longe para que ele simplesmente saísse dali, mas a dor a deixara quase sem forças. Sentia quase como se sua alma estivesse sendo sugada. Abriu a boca, tentando dizer que fosse embora, mas o que ouviu foi um grito alto, forte e aterrador, que gelou-lhe até as raízes dos dentes.

O rapaz olhava para os lados, desesperado, apontando a arma para o nada que o aterrorizava. Os olhos arregalados tentavam observar o nada, e à beira da inconsciência, Nicole podia ver exatamente a direção para onde o Oni seguia. E não era até ela.

Os ventos aumentavam cada vez mais e começavam a tomar forma. Círculos de vento se formavam entre Nicole e o rapaz, que já estava na entrada do beco, com a arma ainda apontada. Aos poucos o Oni foi tomando forma – uma armadura de placas enorme começava a aparecer, imaterial, mas nem por isso menos real ou perigosa. Apesar da dor, Nicole tentava se levantar – impediu que um desses se manifestasse uma vez, podia fazer de novo. E se tinha algo que prenderia a atenção de um oni, era sangue.

E sangue era o que ele buscava. Mas não o daquela tenra jovem recém-desperta para a magia, e sim o daquele anônimo. Barulhos de tiro soaram, mas foram abafados pelo vento enquanto as balas perfuraram o concreto e ali ficaram. Sua risada, no entanto, se sobressaiu a qualquer barulho que pudesse existir ali, conforme Kojiro avançava na direção daquele desconhecido. Suas longas garras trespassaram o corpo do rapaz ao meio, e o golpe que parecia não ter surtido efeito ao primeiro momento, mostrou sua eficácia logo em seguida: a pele do rapaz se abriu em três cortes longos e profundos, o sangue saindo em profusão, empoçando o corpo já sem vida do rapaz.

De joelhos, Nicole tentava realizar o que estava acontecendo. Seus olhos verdes arregalavam-se conforme a poça de sangue aumentava e se aproximava. Tocou no sangue, ainda quente, como se pudesse reverter aquilo.

– Nicole Perazzo, vim aqui por você.