Arquivo | dezembro, 2008

Campanha – Melhor Ler

24 dez

Bem, pessoal, o Alexandre, do Zona Neutra, me pediu que indicasse dois livros para os leitores. A idéia da campanha é divulgar livros que sejam boas leituras, aproveitáveis de algum modo. O Alexandre viu algo parecido no orkut e trouxe para os blogs.

Confesso que é a primeira vez que eu realmente acho um MEME interessante – essas coisas de “fale coisas aleatórias sobre você”, ou “você posta pra encher linguiça, eu posto também, e todos ganhamos mais visitas” não me interessa muito. Acho que é forçar a barra. Claro, tem uns engraçados e divertidos, mas normalmente eles destoam bastante da temática geral do blog.

E deixando a baboseira de lado, vamos às indicações!

  1. Neuromancer, de William Gibson: eu já falei dele no Pensotopia, mas não custa ressaltar. Neuromancer é o primeiro romance de uma série (a Trilogia do Sprawl), e é um verdadeiro marco para o que chamamos de cyberpunk. Tem uma narrativa rápida – quase vertiginiosa – e uma quantidade assustadora de informação por parágrafo. E rende ótimas idéias. Editora Aleph, 2003.
  2. Noite na Taverna, Álvares de Azevedo: não é bem um romance, mas uma reunião de oito contos bem no clima do Romantismo: tétrico, cheio de sinistrimos e referências a outras histórias famosas.

E agora, quem continuará a campanha:

  1. Italo, do Rascunhos de uma Mente
  2. Elisa, do Fábulas da Vida e também do Pensotopia.

E hoje é meu aniversário! XD Congratz me!

Um conto de Natal

20 dez

“I know you’re still there

Watching me, hunting me”

(Evanescence, Haunted)

Era uma noite de Natal. Na rua, barulhos de carros – já eram poucos, mas de vez em quando os faróis acesos iluminavam momentaneamente o quarto da jovem. Ao telefone, o tom da voz era suave, quase em deleite – como era bom aproveitar as descobertas da adolescência. Quando se veriam? Amanhã, depois do almoço. Sempre depois do Natal havia um almoço em família, e ela não poderia faltar.

Mas já era tarde – o relógio apontava quase duas da manhã. Seu pai poderia acordar e vir com aquela conversa mole na qual todos os pais são peritos. Evitando a tábua do assoalho que rangia, passou para o corredor sem dificuldade, onde guardou o telefone sem fazer barulho. Quando voltava para o quarto, ouviu um barulho vindo da cozinha – um barulho surdo, abafado, como alguém que tentava andar em silêncio. Seria seu pai que se levantara, para beber água ou coisa assim?

Enquanto preparava mentalmente uma desculpa para estar de pé, a garota se dirigia à escada de madeira que levava à sala de estar. A iluminação era quase nula, provida pelas luzes coloridas e alternadas da árvore de Natal. No entanto, mesmo à pouca luz, percebeu a sombra que se avultuava, oriunda da cozinha. E algo a dizia que aquilo não podia ser bom.

Assustada, seu primeiro instinto foi correr de volta ao quarto. Sentiu o coração acelerar, mas mordeu o lábio e tentou andar sem fazer barulho. Voltaria ao telefone, chamaria a polícia e se esconderia no escritório do pai. Dessa vez, porém, não conseguiu evitar a tábua que rangia. E então o vulto a percebeu.

O homem virou na direção de Catelyn e a parca iluminação revelou um sorriso assustador, com dentes demais e inumanamente largo. Um cheiro forte acompanhava-o, inebriando o olfato da garota: enxofre? Assustada, tudo o que conseguiu fazer foi gritar.

Enquanto o desconhecido parecia deleitar-se com o grito agudo da jovem, seu pai saiu do quarto. Gritou alguma coisa para Catelyn – chamar a polícia? Fugir? Não pôde distinguir – e foi na direção do invasor, apenas para ser arremessado violentamente escada abaixo. Entre o apagar e acender das luzes da árvore, vislumbrou os olhos do desconhecido: fendidos, olhos de gato.

Parte de si gritava que deveria correr, que fosse embora. Buscar por ajuda ou simplesmente tentar sobreviver. Mas simplesmente não podia: algo parecia travar-lhe os movimentos. O medo, talvez? Parecia algo mais. Aqueles olhos…
Tinham um brilho próprio, aqueles olhos. Mesmo na escuridão quase absoluta do lugar, Catelyn podia ver as fendas vermelhas que brilhavam incandescentes. E daqueles olhos ela não esqueceria, mesmo que sobrevivesse àquilo. Quem era aquele homem? O que ele queria, afinal?

Cada vez que as luzes se acendiam, ele se aproximava cada vez mais. Num ímpeto de coragem, ou talvez loucura, Catelyn tentou correr para seu quarto. A mão da criatura, no entanto, alcançou seu braço, e a jovem sentiu como se garras lhe perfurassem a pele, rasgando a carne. Gritou mais uma vez, um misto de dor e pânico, e começou a correr.
Trancou a porta apressada, enquanto pensava no que fazer. O invasor começou a arranhar a porta, emitindo uma risada sufocada, em profundo divertimento. Catelyn olhou para a janela, a única saída, e sabia que era uma boa queda até o chão. Mas não tinha escolha – fez força para levantar a vidraça e sem pensar duas vezes, pulou no quintal.

Uma dor aguda no pé indicava que talvez tivesse quebrado algo – mas não se importou. Correu desesperada pela rua mal iluminada, mas estranhamente mais confortável do que o interior de sua própria casa. A cada passo que dava, esperava deixar para trás tudo o que aconteceu. Como explicaria aquilo? Continuou correndo. Olhando para trás, ainda pôde divisar a forma da criatura, olhando-a sorrindo da janela.

Feliz Natal! :D

14 dez

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Feliz Nataaaaaaaaaaaaaaal! :]