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Esboço de um Projeto de Leitura

2 fev

Faz séculos que não uso blog como diário, então, vamos ver no que isso dá…

Ano novo, cabeça cheia de ideias e projetos que você não consegue levar a metade adiante. Resolvi me organizar e planejar, esperando, assim, atingir uma meta de 60% das coisas que gostaria de fazer para 2012.

Aos que interessarem, eu não abandonei a literatura, ela só mudou de lugar. Divulgo o espaço já já por aqui. Ela está, inclusive, entre os projetos mais ambiciosos do ano. 😉

Um deles, que eu matutava há uns bons tempos, era uma ideia de incentivo à leitura. Minha experiência (não tão larga) enquanto professora levou-me à conclusão de que as pessoas não leem. Sim, estou generalizando, mas por mais que se diga que, com o acesso à informação, as pessoas estão lendo mais, a realidade que eu vislumbrei foi bem diferente.

Quando me perguntavam como eu conseguia escrever bem, eu respondia sem pensar: “eu leio”. Ler me ajudou a saber expressar melhor minhas ideias em uma folha de papel, bem como oralmente. É um hábito fundamental na formação de uma pessoa enquanto cidadão, e é, muitas vezes, relegado a um passatempo infrutífero.

Quantos “ler me dá sono”, “acho literatura chato”, “não gosto nem de ler legenda” eu ouvi, e ouço, por aí. Eu não disfarço a tristeza quando escuto uma dessas, e ainda tiro piada: “então como você joga vídeo game?”, “ih, desse jeito não vai ter nenhum Edward na sua vida tão cedo”, “e ainda se diz fã de Harry Potter? Tem sete livros que você não leu!”. As respostas mais indecorosas foram devidamente omitidas aqui, claro. ;D

Então, vendo casos como o do escritor José Roberto (autor do Baronato de Shoah, publicado pela Draco, e com uma sequência em produção), pensei que é necessária uma maneira interessante de atrair a galera pra leitura, que vá além do “me entregue um resumo desse livro para a próxima semana”. E bem, por que não usar o RPG?

Há diversas experiências interessantes usando RPG e Educação, diversas. Mas na maioria delas, não rolava aquela… identificação. Eu li, achei bacana, interessante, mas na hora de pensar em como eu poderia aplicar, a ideia travava. Sem problemas: deixei ela adormecida ali no cantinho do cérebro, esperando a tempestade que a despertaria. E então eu conheci Fiasco.

Edição brasileira de Fiasco pela Retropunk.

RPG sem mestre, com poucas rolagens de dados, e extremamente de improviso. Rápido para a finalização de uma história (cada partida dura em torno de três horas, dependendo do andamento), e em sintonia com uma mídia que tem bem mais a ver com os jovens de hoje: o cinema. Vislumbrei ali a possibilidade real de, finalmente, conseguir unir RPG e educação. E mexendo com uma das coisas que eu mais gosto: contar histórias.

Fui ao SESC, aqui em João Pessoa, saber o que eles têm voltado para a leitura. Falei com a simpática bibliotecária, e ela me contou que eles têm sim um projeto, voltado para as escolas. Mas não posso mentir que o formato não me agradou muito: levar livros para as escolas, induzir a produção textual. É válido, deve ter um feedback interessante, mas parece contar muito com a disposição do estudante. E essa, meus colegas, é uma coisa que a gente não pode contar.

Eu quero exatamente o contrário, algo que faça o estudante ter interesse pela leitura. Eles têm um imaginário, permeado de… de quê? Acabo de descobrir a primeira coisa a fazer para o projeto: uma avaliação diagnóstica.

O que meu público gosta de consumir quando o assunto é entretenimento?

Big Brother? Malhação? Brasil Urgente? Corre e anota isso, Allana!

Se ficar no Harry Potter, serei feliz.

Uma vez descoberto o imaginário, vem a parte de trabalho braçal: criar cenários que possibilitem histórias que os agradem. De preferência, baseados em obras literárias (clássicos ou não), para assim dar a deixa: “E então, essa história que vocês criaram em conjunto, foi baseada nesse livro aqui. Que tal falar um pouco sobre ele? Melhor, que tal se vocês lessem, e a gente depois fizesse uma comparação, saber o que ficou melhor, o que ficou pior?”.

Hm, isso é uma ideia boa, eu acho. Vou anotar também.

Melhor: antes de chamar os “mediadores” (acho que esse é um bom termo) para um jogo de Fiasco, vou fazer uma reunião com a turma a ser usada de cobaia (é um experimento científico, afinal de contas) e pegar algum filme adaptado de um livro. Depois da avaliação diagnóstica, vou escolher um filme, ver com os alunos e então propor um clube do livro: uma vez por semana, poderia ler um trecho em conjunto com eles, e, então, ir conversando sobre as mudanças que ocorreram de uma mídia para outra. Isso feito (de preferência com um livro mais curto, para que os encontros não sejam cansativos), apresento a possibilidade de jogarmos um “jogo de interpretação” baseado naquela história que vimos e lemos.

Se vier Crepúsculo... oh, noes!

“Ah, mas eu quero ser Harry Potter”; isso é algo que eu vou ouvir. Para contornar esse problema, é bom deixar claro que é uma história no mesmo cenário, e não com os mesmos personagens. Pensem que eles podem estar em Hogwarts, ou entre um duelo com lobisomens e vampiros.

E agora, eu mexo com as coisas que eu mais gosto: adaptação, leitura e RPG. Triple kill!

Já tenho a escola que vou usar de base. Vou conversar com a diretora (que, por acaso, é a minha mãe) e expor a ideia. Sei que ela vai gostar, mas preciso de um guia, principalmente, pra escolher a turma beta. Postarei (caso interesse aos 1d3-1 leitores) aqui o desenrolar dessa história, que não tem muito de fantástica.

UPDATE: convenci a diretora e dois professores! \o/ Agora é escrevernum textonde apresentação com a ideia e começar. Devo cmeçar em março/abril!