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3 set

Acordei-me com o barulho de madeira estalando, e um forte calor. Meu corpo todo suava, e uma estranha iluminação vermelha parecia vir de fora do meu quarto. Demorei alguns segundos para perceber onde estava – meu quarto, à bordo do navio aéreo Dragonsong. O que estaria acontecendo?

Saí da cama usando apenas a camisola de dormir, percebendo finalmente o que estava acontecendo. O estalar da madeira era, na verdade, seu protesto em relação ao incêndio que tomava conta do navio. Corri para fora do quarto, e minhas suposições se confirmaram recebendo-me com uma onda forte de calor e um cheiro insuportável de carne queimada.

Ouvi gritos, vindos de direções diversas. Homens, mulheres… não conseguia discernir o que falavam, mas não precisava. Imploravam por ajuda, socorro. Pela bota suja do Viajante, onde estariam Lerin e os outros? Não havia tempo para pensar – o que eu poderia fazer era, no mínimo, tentar ajudar a tripulação.

Segui pelo corredor, e meus pés sentiam a madeira quente. Continuei correndo, e talvez pelo medo, o corredor parecia muito mais longo do que realmente era. Uma luz avermelhada brilhava no final, e eu não tinha escolha além de seguir em sua direção. Os gritos vinham de lá, e se tornavam cada vez mais altos e nítidos. E assustadores.

Minhas pernas, no entanto, começavam a fraquejar. A fumaça devia ter entrado nos meus pulmões, e respirar se tornava cada vez mais difícil. Meus olhos lacrimejavam, e a visão falhava. Adiantaria correr daquele jeito? Onde estavam os outros, o que estava acontecendo? Sem forças, me recostei a uma das paredes, tentando me recobrar.

Ao fazê-lo, no entanto, percebi que era oca. Sem precisar de esforço, a madeira se desfez na minha mão. Ignorei as farpas que entraram nos meus dedos, e abri minha passagem. Um outro corredor, muito mais escuro e desconhecido para mim, revelara-se. E agora eu podia ouvir os gritos bem mais claramente.

Tossi um pouco, e entrei pela passagem. O chão tinha uma consistência estranha que eu não conseguia identificar: não era sólido como madeira, mas queimava o solado dos meus pés. Mordi o lábio inferior, tentando ignorar a dor, e prossegui meu caminho, desconhecendo completamente o destino. Estava fraca, no entanto, e tive que me apoiar nas paredes do corredor. Então pude notar bem onde eu realmente estava: dentro da garganta de alguma coisa.

Gritei, e a minha voz saiu bem mais alto do que eu planejara. Movida agora pelo medo e pela curiosidade de saber onde estava, continuei desesperada. A marca queimava, em uma dor quase insuportável, e eu caminhava com dificuldade, sentindo a superfície quente sob meus pés.

Uma luz forte brilhava em um tipo de câmara, e me dirigi para lá. Agora sentia minhas costas inteiras em brasa, e eu tremia. Uma febre repentina e muito forte parecia me consumir a cada passo, a cada vez que tentava respirar. Onde eu estava, afinal de contas? O que diabos estava acontecendo?

Então reconheci os gritos. Não sabia quem era, mas sabia que era alguém próximo, alguém que eu amava. Lerin? Talvez. Mas não importava quem era – de que adiantaria saber? Uma criatura esquálida, completamente negra, avançou contra ele, dilacerando-o. E sorria para mim, banhando em sangue, no sangue dele… Dele quem? Não importava. Aquilo foi o que bastou. Instintivamente, sem saber ao certo o que estava fazendo, levantei minhas mãos febris na direção da criatura, e raios de fogo saíram das minhas mãos.

E então eu acordei.

Extraído do Diáro de Tessa Besson